Augusto Martins e Cláudio Jorge ISMAEL SILVA: UMA ESCOLA DE SAMBA 2015, Mills Records

HUGO SUKMAN – SAMBA FINALMENTE EM SEU HABITAT

A existência do samba do Estácio – ou pelo menos o fato de nós (e o mundo) hoje sabermos dele e o considerarmos o padrão do samba brasileiro – deve-se a uma só pessoa: Francisco Alves.

Pois o fato é que o Chico Viola, ainda se encaminhando para o ser O Rei Voz, não tinha medo de bamba. E possuía um faro inigualável para música boa. Por isso, sem medo e como um astuto cão farejador, foi o único artista brasileiro estabelecido que, lá por 1928, meteu-se no meio do (mal) afamado grupo de malandros do bairro do Estácio, gente como Ismael Silva, Brancura, Baiaco, Nilton Bastos, Getúlio Marinho, Mano Elói e outros mais, todos grandes sambistas mas que viviam, invariavelmente (a exceção seria Bide, já músico profissional) de jogo, de explorar mulher na vizinha “Zona” do Mangue, e mesmo de pequenos golpes. Mas era o mesmo grupo que em 18 de agosto de 1928 chamou oficialmente de “Escola de Samba” o bloco carnavalesco que acabara de fundar, o Deixa Falar. Se o Estácio tinha a Escola Normal, das professoras, também seria a escola dos sambistas que, em “embaixadas” enviadas a Mangueira, Oswaldo Cruz ou Salgueiro, espalhariam a ideia de um samba moderno, real, batucado, “de sambar”. Ensinariam, pois, o samba.

Agora, imagina o que era chegar perto desse grupo, todos na flor dos 20 anos, talentosíssimos, meio marginais, meio professores? Francisco Alves chegou, descobriu esse manancial e, já em 1928, lançou sambas de Bide (“A malandragem”), Ismael (“Me faz carinhos”, “Não é isso que eu procuro)”, Brancura (“Samba de verdade”). Mais tarde, em dupla com Mario Reis, lançaria a parceria Ismael Silva e Nilton Bastos, e consagraria o estilo moderno, coloquial, pessimista, batucado do samba do Estácio em clássicos como “Nem é bom falar” e “Se você jurar”, entre outros. Com a morte precoce de Nilton Bastos, no final de 31, o mesmo Francisco Alves intuiu que o jovem Noel Rosa seria o seu substituto ideal e lançou a parceria Ismael e Noel, o preto e o branco, o morro e o asfalto, a criatividade e o conhecimento, (às vezes de mão inversa, Noel no papel de intuitivo, Ismael na de “letrado”), o Rio de Janeiro inteiro.

Mas ao descobrir o samba do Estácio, de certa forma Francisco Alves o escondeu para sempre, criou um problema histórico: como era um tipo de música ainda muito nova, as orquestras que acompanhavam os cantores em disco ou no incipiente rádio ainda não estavam preparadas para ela e tocavam o “samba de sambar” ainda como samba antigo, “de dançar”. Ou seja, tocavam samba como se fosse maxixe. Como eram mesmo as batucadas no Largo do Estácio, nos bares da “zona”, nas biroscas do Morro de São Carlos, isso se perdeu para sempre.

Daí vem – e para além da recuperação deste repertório magnífico e estranhamente pouco gravado – a importância deste “Ismael Silva: uma escola de samba”, de Augusto Martins e Cláudio Jorge: recolocar o samba do Estácio e de seu maior compositor em seu, digamos, “habitat” natural, o do samba batucado, ou melhor dizendo, o dos pagodes cariocas.

Mesmo Ismael quando começou ele próprio a gravar seus sambas a partir de 1955, o fez com aquela forma consagrada nos anos 30, levemente amaxixada.

Agora, pela primeira vez esse repertório – desde as primeiras composições lançadas por Chico Alves até sambas do Ismael maduro, como “Antonico” e “Peçam bis” – é cantado e tocado da forma como provavelmente eles foram feitos, ao som de violão, cavaquinho e muita batucada.

A revolução do pagode carioca dos anos 1980, que revelou os primeiros músicos formados no universo do samba (antes, eles vinham do choro), espalha seus efeitos agora no repertório do gênio Ismael Silva. Espertos, Augusto e Cláudio Jorge queriam atualizar Ismael Silva para o samba de hoje. Conseguiram. E, de quebra, fizeram impecável arqueologia, como se nos botassem numa máquina do tempo e, numa noite qualquer de 1927, numa birosca ao pé do Morro de São Carlos e cercados por malandros maneiros ouvíssemos pela primeira vez alguém cantar: “Se você jurar, que me tem amor…”.

Meu encontro com o cantor Augusto Martins numa noite de boemia na Lapa, Rio de Janeiro, mas precisamente no Carioca da Gema, uma casa botafoguense, me proporcionou um reencontro com os meus primeiros passos como músico profissional.

Ali, entre uma taça de vinho e outra, alguém puxou um samba do Ismael Silva. Nos olhamos, nos falamos, nos entendemos e resolvemos fazer um disco em homenagem ao Mestre.

Mas esse texto não é para falar do disco “Ismael Silva, uma Escola de Samba”, que graças aos Orixás está sendo muito bem recebido pela crítica e amantes da música. Esse texto na realidade é para falar do Ismael Silva.

Do processo da ideia do disco até ao seu lançamento e primeiras entrevistas concedidas por nós, muitas reflexões me vieram sobre esse personagem. Não só o lance da sua genialidade como compositor, ou da sua sacada junto com seus amigos do bairro Estácio na criação da Deixa Falar, considerada a primeira Escola de Samba do Brasil.

Uma coisa que me tem intrigado é que não encontrei ainda respostas para as minhas perguntas: Como o cara que participou da criação daquilo que conhecemos como samba é tão pouco conhecido no Brasil? Como o cara que foi o maior parceiro de Noel Rosa é tão pouco citado? Como, com exceção do nosso modesto trabalho, Ismael Silva não é alvo de glórias no centenário da gravação do primeiro samba, que ele dizia que era maxixe? Como que o cara que criou a primeira Escola de Samba só foi enredo no carnaval da Canarinhos da Engenhoca no ano de 1975, em Niterói, nem tem seu nome em placa nas sedes das Escolas de Samba? Como Ismael Silva, um dos fundadores da primeira Escola de Samba do mundo foi barrado no acesso ao camarote dos desfiles, ainda na Presidente Vargas? Eu estava lá. Por que esse ostracismo, essa marginalidade histórica?

Eu não tenho as respostas definitivas para isso tudo, mas tenho cá minhas especulações e sei que pra mim é muito difícil escrever sobre Ismael sem paixão, sem parcialidade.

Meu pai, o jornalista Everaldo de Barros, era amigo do Ismael e ele esteve presente na minha festa de batizado. Ismael Silva foi o primeiro artista de grande porte na história da música brasileira com quem eu tive o prazer de trabalhar. Foram nos três últimos anos de sua vida e com ele participei de vários shows e gravações. Alguns do tipo voz e violão e outros junto com o pessoal do grupo Samba Som Sete, do meu amigo o percussionista Belôba que participou do disco que lançamos.

Existem muitos mistérios em torno de Ismael Silva. Ora por não haver documentação a respeito, ora por não haver consenso sobre a vida deste mestre, e também, e acho que principalmente, por não haver uma avaliação condizente com o personagem Ismael Silva.

Não sou pesquisador, mas quero arriscar aqui alguns palpites, reflexões que servirão de combustível para os nossos debates pelos bares da vida.

Nunca se destacou na história de Ismael Silva o fato dele ser um negro brasileiro nascido poucos anos depois da abolição da escravatura. No Brasil se afirmar a negritude de um personagem ainda é um tabu, imagine-se nos anos 20/30, quando Francisco Alves apresentava Ismael Silva como um “negro de alma branca”, e Ismael não gostava disso. Um negro que se destacou na escola primária. Um negro que na juventude, junto com seus amigos do bairro do Estácio inventaram um novo ritmo, uma nova maneira de cantar e tocar a música dos negros já influenciada pela música européia. Criaram o samba da forma como conhecemos hoje com primeira e segunda parte, melodias rebuscadas e batucada diferente. Um negro que pensou em escola de samba porque os negros necessitavam brincar o carnaval sem levar porrada da polícia, protegidos por uma corda. Não só porque havia uma Escola Normal no Estácio, mas também por conta disso. Vejo essa citação da Escola Normal como a versão poética da história.

A vida de Ismael Silva sempre foi marcada por mistérios. Eu diria, pelo pouco que convivi com ele, que ele era chegado a ter uma vida pessoal mais reservada. Com certeza Ismael vivendo no nosso tempo não teria facebook.

Eu encontrava com ele num bar na esquina de Rua do Riachuelo com Gomes Freire, no Centro do Rio de Janeiro. Ele dizia que lá era o escritório dele. Ele morava num sobrado ao lado que ninguém tinha acesso, acho que só o seu grande amigo o fotógrafo Clóvis Scarpino. Qualquer assunto com Ismael era neste bar da Lapa que ele resolvia.

Ismael andava de bengala, tinha uma ferida no pé e isso também é cercado de mistérios. Já disseram que foi uma macumba feita por uma mulher. É possível, afinal, grande parte da obra do Ismael ele está praguejando algum amor ingrato, embora essa fosse a moda antigamente e quase nunca o compositor está falando de suas próprias experiências.

Como alguém tem um ferida que não tem cura? Conheço a experiência de um parente de um amigo que passou a maior parte da vida com problemas de varizes por ter medo de fazer uma cirurgia. Terminou tendo o pé amputado já na velhice. Seria o caso do Ismael? Medo do tratamento?

Ismael foi preso por dar um tiro na bunda de alguém que molestou sua irmã. Ismael era malandro, um bamba do Estácio. As coisas naquela época eram resolvidas assim, questão de honra. Mas ele era um negro e pegou dez anos de cadeia. Saiu três anos depois por bom comportamento. Ismael não era bandido, não era assassino ou assaltante. Era um “malandro” e isso era outro papo no início do século vinte naquele meio em que vivia. Meio em que viviam todos os descendentes dos escravos africanos recentemente libertos, empurrados para os morros da cidade. Ser malandro naquela época era título de nobreza. Se bobear, dependendo do olhar, ainda é.

Ismael era um homem de sorte. Dos irmãos, foi o que ficou junto com sua mãe, quando os outros tiveram que ser distribuídos entre familiares com as dificuldades advindas com a morte do pai. Veio para o Rio de Janeiro para o bairro do Estácio, e lá cresceu. Conheceu Francisco Alves que entrou na parceria de muitos de seus sambas em troca da gravação e dinheiro. Para um negro da época, e ainda hoje, as artes são uma maneira de posicionamento social. Valia a pena “vender” a parceria e ser reconhecido socialmente. Hoje não precisamos mais vender as parcerias, os tempos mudaram, mas ser artista ou jogador de futebol ainda é um caminho de posicionamento social, embora os tempos também tenham mudado e o racismo esteja hoje sendo menos velado do que antigamente no tempo do negro de alma branca. Na minha opinião, está melhor agora.

Temos que admitir, conforme ressaltou o jornalista Hugo Sukman no encarte de nosso disco, que se não fosse o encontro do homem branco Francisco Alves com o negro Ismael nada dessa música teria chegado até nós, do mesmo jeito que não teria chegado a música dos negros americanos no mundo não fosse a Motown Records do judeu Berry Gordy Jr.

A vida é assim. Mas é duro esse raciocínio, porque se não fosse a atrocidade da escravidão também não estaríamos aqui, não haveria o samba que tanto deu e dá ao Brasil. Então em nada me conforta os caminhos que Ismael Silva teve que trilhar para tentar se tornar um “cidadão”, um cidadão de primeira, no meu ponto de vista, por conta da revolução que promoveu junto com seus camaradas do Estácio e do legado que deixou para todos nós.

Já ouvi alguns observadores dizerem que Ismael era um compositor que tinha a necessidade de ter parceiros, que seria bom de primeira (primeira parte), como se fosse uma “falha” da sua competência. Ele era bom de primeira também.

Numa entrevista a revista “O Cruzeiro”, quando perguntado qual era o compositor de sua preferência, Noel Rosa afirmou que eram dois: Almirante, pela cultura, pelo saber e Ismael Silva, por ser o autor das melodias mais bonitas do “samba de morro”.

Concordo com Noel, mas acho engraçados esses rótulos que marcam as pessoas. Se é assim, necessitar de parceiros e ser o autor das mais lindas melodias, onde classificar pérolas como “Contrastes”, “Peçam bis”, “Antonico”, “Meu único desejo”, “Me diga teu nome”, “Aliás”, “Novo amor”, “Tristezas n?o pagam dívidas”, “Todo mundo quer”, “Ninguém tem que achar ruim”. Todas de sua exclusiva autoria, música e letra e que n?o foram “vendidas” ao Francisco Alves.

Sem nenhuma intenção de fazer comparações entre os talentos de Ismael e Noel, ambos passaram um tempo completamente esquecidos do público e mercado. Noel depois de falecido e Ismael ainda em vida após cumprir pena.

Aproximados por Francisco Alves, após a morte de Nilton Bastos, Ismael foi o parceiro com quem Noel mais compôs, total de 18 músicas.

A redescoberta de Noel após sua morte, segundo o escritor Ruy Castro no livro “A noite do meu bem”, se deu por conta de um movimento do Clube dos Cafajestes, formado por milionários, artistas e jornalistas, todos boêmios, que frequentavam as boates de Copacabana no final dos anos 40. Inconformados com o desconhecimento da obra de Noel por muitos, inclusive por músicos, eles promoveram numa dessas casas badaladas um show da cantora Aracy de Almeida cantando Noel e que terminou por virar disco e o compositor da Vila ressuscitou para a história da música popular. Assim como Nara Le?o sacou Zé Ketti e João do Vale tempos depois. Ou seja, a classe média e os ricos cariocas, através da Aracy bancaram essa redescoberta de Noel Rosa. Noel Rosa, branco, quase médico, compositor de samba canção, enfim, autor das músicas mais bonitas do asfalto, mas que transitava com facilidade nos morros cariocas.

Ismael Silva não teve a mesma sorte de Noel, Zé Ketti e João do Vale. Embora fosse também cultuado pela classe média, intelectuais e jornalistas, não chegou a ser merecedor de nenhum projeto no sentido de restabelecer para as novas gerações o potencial de seu repertório e de toda a figura emblemática que ele é para a história do samba.

Muito pelo contrário, nos bares da vida volta e meia alguém faz menção a uma nunca provada homossexualidade do artista, até mesmo sobre pedofilia já se levantou essa hipótese. São os boatos, os mistérios que rondam a memória de Ismael Silva.

Outra controvérsia que povoa a vida de Ismael está no fato de Chico Buarque ter dito em algum momento que o cara que realmente lhe influenciou foi Ismael e não Noel Rosa, porque na família Hollanda as músicas do Ismael eram muito admiradas, tanto que Cristina Buarque é uma profunda conhecedora deste repertório.

Mas tempos depois foi noticiado que Chico falou isso para dar uma moral pro Ismael que estava meio por baixo. Já ouvi até alguém dizer, não me lembro agora quem foi, o Clóvis Scarpino talvez, que o Chico mensalmente enviava uma quantia pro Ismael poder segurar a onda.

Como saber? Só perguntando ao Chico.

CONTRASTES. Um olhar sobre Ismael Silva. Por Cláudio Jorge – 17/02/2016

Augusto Martins e Cláudio Jorge ISMAEL SILVA: UMA ESCOLA DE SAMBA

  1. O que será de mim [Ismael Silva/Francisco Alves/Nilton Bastos]
  2. A razão dá-se a quem tem [Ismael Silva/Noel Rosa/Francisco Alves]
  3. Meu único desejo [Ismael Silva]
  4. Me diga teu nome [Ismael Silva]
  5. Todo mundo quer [Ismael Silva]/Nem é bom falar [Ismael Silva/Francisco Alves e Nilton Bastos]
  6. Antonico [Ismael Silva]
  7. Pra me livrar do mal [Ismael Silva, Noel Rosa e Francisco Alves]
  8. Contrastes [Ismael Silva]
  9. Quem não quer sou eu [Noel Rosa e Ismael Silva]
  10. Peçam bis [Ismael Silva]
  11. Dona do lugar [Noel Rosa, Ismael Silva e Francisco Alves]
  12. Ninguém tem que achar ruim [Ismael Silva]/Se você jurar [Ismael Silva, Nilton Bastos e Francisco Alves]

* faixas não presentes no CD, disponíveis somente pela internet

Aliás [Ismael Silva] 2’52”
Novo Amor/Tristezas não pagam dívidas [Ismael Silva] 3’25”
Sofrer é da vida [Isamel Silva e Francisco Alves] 2’58”


Mills Records MIL051, CD

Ficha técnica

AUGUSTO MARTINS – Intérprete (todas as faixas)
CLÁUDIO JORGE – Intérprete, arranjos e violão de 6 cordas (todas as faixas)
CARLINHOS 7 CORDAS – Violão de 7 cordas (todas as faixas)
MARCIO WANDERLEY – Cavaquinho (todas as faixas) e banjo (faixas: 01, 10 e 15)
BELOBA – Tantan (todas as faixas)
FLAVINHO MIÚDO – Surdo (todas as faixas) e pandeiro (todas, salvo faixa 05)
MARCELINHO MOREIRA – Pandeiro (todas as faixas) Repique de Mão (faixas: 01, 02, 07, 10, 11, 14, 15) Tamborim (faixas 02, 05, 09, 11, 13, 14)
DIRCEU LEITE – Flauta (faixas 01, 06, 09, 12) e Clarinete (faixas 06, 11, 12)
THIAGO DA SERRINHA – Cuíca (faixa 5)
ZECA DO TROMBRONE – Trombone (faixa 3)
CORO – Augusto Martins e Cláudio Jorge

Gravado e Mixado no Estúdio Méier

PRODUÇÃO: Augusto Martins e Cláudio Jorge
ARRANJOS: Cláudio Jorge
IDENTIDADE VISUAL: David Lima
ILUSTRAÇÃO: Nei Lopes
FOTOS: Celso Filho
TÉCNICOS DE GRAVAÇÃO: Rodrigo Gavião e Ranier Alves
TÉCNICO DE MIXAGEM: Rodrigo Gavião
MASTERIZAÇÃO: Carlos Mills
Cláudio Jorge usa violões Lineu Bravo

Agradecimentos aos músicos pelo despreendimento e talento, ao Grêmio Recretivo Escola de Samba Estácio de Sá pelo espaço histórico, ao Celso Filho pelas melhores imagens, a Gabrielle Carvalho pela ajuda na produção, ao Hugo Sukman pelas palavras e incentivo, ao Nei Lopes pelos traços encantados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *