se me chamar, ô sorte WILSON DAS NEVES 2013, MP,B

A fala de Wilson das Neves é um desfile de aforismos da malandragem — sabedoria e malícia sintetizados em frases de precisão ninja. Mandamentos como “tem que passar no buraco da agulha”, que segue com naturalidade. Músico que já tocou com todos da música brasileira, baterista de Chico Buarque e da Orquestra Imperial (tratado com a mesma deferência e intimidade pelos dois), ele reafirma a grandeza e a habilidade de passar no buraco da agulha em “Se me chamar, ô sorte!” (MP,B/ Universal).

A canção-título (que assina com Cláudio Jorge) desdobra essa filosofia. Com o parceiro, ele abre seu quarto álbum como cantor se pondo à disposição para qualquer chamado, seja para sambar (“eu cisco”), para o amor (“eu brinco”), para o nada (“eu descanso”) ou para rezar (“corimbo”). Adaptando-se a tudo e, mais importante, adaptando tudo a si.

No CD (produção de Wilson, Paulo César Pinheiro e Berna Ceppas), ele dança com diversos parceiros (Pinheiro, Nelson Sargento, Luiz Carlos da Vila, Délcio Carvalho…) e arranjadores. Neste grupo, destacam-se Vittor Santos (seus metais emulam a síncope e a elegância clássica e moderna do cantor), Jorge Helder (surpreendentes harmonias) e Bia Paes Leme (criativa no uso de convenções do samba e do baião).

O autorretrato se conclui na última faixa, a 14ª do CD. Linda parceria com Chico Buarque (de rima de “amanhã” com “doucement” e versos como “A mão que afaga o tambor/ Tem um dom qualquer/ É como saber tocar/ Pele de mulher […]”), a música traz Wilson falando com o bisneto João, expondo-lhe sua experiência e oferecendo-lhe a mão de guia. Íntimo e mestre.

Perfeita amarra nas pontas, o disco peca no excesso do meio — são 14 canções no total. Se há tesouros ali (o tributo à mulher do malandro de “Trato”, a primeira estrofe de “Ao nosso amor maior”), há também vazios e redundâncias (“Fragmentos de amor”, “Feito siameses”). Para a perfeição, faltou ao CD a síntese do aforismo.

fonte: oglobo.globo.com/cultura/

P.S. Álbum vencedor na categoria: Melhor Álbum de Samba do 25° Prêmio da Música, bem como o samba “Samba para João” venceu a categoria: Melhor Canção.

se me chamar, ô sorte - WILSON DAS NEVES - 2013

01.
SE ME CHAMAR, Ô SORTE
Wilson das Neves e Cláudio Jorge
participação especial: Cláudio Jorge
arranjo: Cláudio Jorge

02
CARA DE QUEIXA
Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro
arranjo: Zé Luiz Maia

03
TRATO
Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro
arranjo: João Rebouças

04
O DONO DA RAZÃO
Toninho Geraes e Wilson das Neves
arranjo: Vittor Santos

05
AO NOSSO AMOR MAIOR
Wilson das Neves e Luis Carlos da Vila
participação especial: Áurea Martins
arranjo: João Rebouças

06
FRAGMENTOS DO AMOR
Wilson das Neves e Nelson Sargento
arranjo: Zé Luiz Maia

07
JEITO ERRADO
Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro
arranjo: Jorge Helder

08
PEÃO DE OBRA
Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro
arranjo: Bia Paes Leme

09
LIMITES
Wilson das Neves e Toninho Nascimento
arranjo: Bia Paes Leme

10
FEITO SIAMESES
Wilson das Neves e Vitor Pessoa
arranjo: Luis Claudio Ramos

11
LICOR, SERENO E MÁGOAS
Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro
arranjo: Vittor Santos

12
MÁSCARA DE CERA
Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro
arranjo: Vittor Santos

13
NÃO EXISTE MAIS SAUDADE
Wilson das Neves e Delcio Carvalho
arranjo: Jorge Helder

14
SAMBA PARA JOÃO
Chico Buarque e Wilson das Neves
arranjo: Luis Claudio Ramos


MP,B – 60253727715, Universal Music – 60253727715, CD

produzido por: Wilson das Neves, Paulo César Pinheiro e Berna Ceppas
produção Executiva: Geraldinho Magalhães e André Tandeta / gravado nos estúdios: Cia Dos Tecnicos: engenheiro de som: William Luna Jr. e assistentes: Magrão e Pedro e no estudio Monaural: engenheiros de som: Berna Ceppas, Pedro Tambellini, Léo “Shogun”, Felipe Fernandes, Moreno Veloso / mixado por: Eduardo Costa / masterizado por: Ricardo Garcia – Magic Master / projeto gráfico: Domenico LancellotIï e Celina Kuschnir / fotografia: Daryan Dornelles

se me chamar, ô sorte participação especial: Cláudio Jorge / piano: João Rebouças / cavaquinho: Mauro Diniz / violão: Cláudio Jorge / baixo: Jorge Helder / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / flauta: Zé Carlos Bigorna – cara de queixa piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Zé Luiz Maia / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / trombone: Vittor Santos – trato piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Zé Luiz Maia / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / clarinete: Marcelo Bernardes / flautas: Zé Carlos Bigorna – o dono da razão piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Jorge Helder / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / trompetes e flugelhorns: Gesiel Nascimento e Wellington Moura / sax-alto: Marcelo Martins / sax-tenor: Zé Carlos Bigorna / trombone: Vittor Santos / coro: Mariana Bernardes, Clarice Magalhães e Alice Passos – ao nosso amor maior participação especial: Áurea Martins / piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Zé Luiz Maia / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique – fragmentos do amor piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Zé Luiz Maia / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / sax soprano: Zé Carlos Bigorna / coro: Mariana Bernardes, Clarice Magalhães e Alice Passos – jeito errado violões e contrabaixo: Jorge Helder / bateria: André Tandeta – peão de obra violão: Cláudio Jorge / sanfona: Chico Chagas / percussão: Zero Telles / flautas: Zé Carlos Bigorna e Marcelo Bigorna – limites piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Jorge Helder / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / trompete: Altair Martins – feito siameses piano: João Rebouças / violão: Luis Claudio Ramos / baixo: Zé Luiz Maia / bateria: André Tandeta / coro: Mariana Bernardes, Clarice Magalhães e Alice Passos – licor, sereno e mágoas piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Jorge Helder / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / trompetes e flugelhorns: Gesiel Nascimento e Wellington Moura / sax alto e flauta: Marcelo Martins / sax tenor: Zé Carlos Bigorna / trombone: Vittor Santos – máscara de cera piano: João Rebouças / violão: Cláudio Jorge / baixo: Jorge Helder / bateria: André Tandeta / percussão: Armando Marçal, Zero Telles, Zé Trambique / trompetes e flugelhorns: Gesiel Nascimento e Wellington Moura / sax alto e flauta: Marcelo Martins / sax tenor: Zé Carlos Bigorna / trombone: Vittor Santos – não existe mais saudade violões, guitarra e contra-baixo: Jorge Helder / piano: João Rebouças / bateria: André Tandeta – samba para joão piano e piano Fender: João Rebouças / violão: Luiz Claudio Ramos / baixo: Jorge Helder / bateria: Wilson das Neves

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