Vem Quem Tem João Nogueira 1975, Odeon

Três cariocas em preto e branco entrevistam o colorido João Nogueira do Meiér.

A gente se conhece há muito tempo e há milhares de litros de cerveja. Outro dia, na inauguração da ala infantil da Escola Em Cima da Hora (foto), em Cavalcanti, nos encontramos e resolvemos fazer a contracapa do disco do João em forma de entrevista. Tinha um gravador dando sopa e o papo que saiu foi esse.

Cabral — Que time é o teu?
João Nogueira — Andaraí no teu gramado. Mas no fundo mesmo sou é Flamengo.
Albino — Depois desse terceiro elepê, você ainda é um cidadão do Meiér?
João Nogueira — Vou ficar lá até virar rua, Albino.
Cabral — Diga um verso que você gostaria de ter feito.
João Nogueira — “Vamos indo de carona na garupa leve/ de um cavalo baio/ no clarão da noite…” É do Paulo César Pinheiro.
Cabral — Você está cada vez melhor ‘como cantor’. A que atribuir esta fantástica melhorada?
João Nogueira — Negócio seguinte: Não sou propriamente um cantor, sou é compositor. Quando comecei a cantar tinha um pouquinho de medo de microfone, como todo mundo. Tem cantor que no show é excepcional mas no estúdio embatuca, né? O Adelson Alves me deu umas regrazinhas de dicção e tal, isso no primeiro disco, depois fui aprimorando. O Adelson me ajudou muito a me encontrar como cantor.
Albino — João, qual é a desse disco?
João Nogueira — Esse é o meu terceiro elepê. As músicas. são quase todas novas, com exceção do Homem com um abraço só, uma homenagem que fiz pro Natal, da Portela. Na saudade, né? Não tem tradução, de Noel Rosa, não precisa dizer porque, está valendo ate hoje, o homem sabia de tudo.
Jaguar — Duas homenagens que você presta neste disco Tem mais?
João Nogueira — Mineira, uma graça que fizemos à Clara Nunes, mulher do meu parceiro Paulo César Pinheiro. Tem de parceria com Cláudio Jorge, um cara amigo meu do Meiér, Chorando pelos dedos, uma homenagem ao Joel Nascimento. O Joel do bandolim, que está bem presente neste disco. Eu não podia deixar também de me lembrar do Monarco e do “seu” Alcides, da minha escola, da ala de compositores da Portela, da qual faço parte com muita honra. Esse samba tem 25 anos: Amor de malandro.
Jaguar — Qual é a sua música predileta neste disco?
João Nogueira — Não tenho predileção especial. Tem uma música aí, Albatroz, que é uma diferente, o pessoal é capaz de me estranhar, sou mais ligado ao samba. Albatroz é um momento meu. Gosto também muito de Nó na madeira com meu ex-colega de Caixa Econômica. Eugênio Monteiro, pernambucano dos bons.
Jaguar — Quantos sambas nessa bolacha são inspirados na tua Ângela?
João Nogueira — Especialmente um: Pra fugir nunca mais.
Jaguar — Quer dizer que você fugiu uma vez e depois se arrependeu?
João Nogueira — Que isso rapaz….
Albino — Esse disco me parece de alta qualidade, não técnica mas artisticamente, como também parece que você um pessoal do mais alto nível para acompanhar. Quais foram os caras que participaram?
João Nogueira — Bom, a base foi feita com três caras que sempre tocaram comigo. O Joel, o Claudinho Jorge e o Mílton Manhães. Tem o Conjunto Nosso Samba que nunca me deixou na mão. O Sidney da Conceição, compositor da São Carlos, sempre está nos meus discos. Ainda participaram o Dino, 7 cordas, o Joel do Bandolim, o Aldo do Contra-baixo, Paulo Moura que toca um clarinete muito bonito em Não tem tradução, O Nelsinho do Trombone, o Laércio de Freitas, clarinete. Deixa ver não posso esquecer ninguém… Marçal, Elizeu, Wilson das Neves, bateria. Helinho Delmiro produziu o disco. Até o maestro Geraldinho que fez todos os arranjos, deu umas canjas. Gente muito boa. Helinho, meu produtor, não teve problemas nesse disco. Afinal, ele também é do Meiér, né?!
Albino — Falou.

 

Vem Quem Tem - João Nogueira - 1975

Lado 1

  1. NÓ NA MADEIRA – 2’53
    (João Nogueira – Eugênio Monteiro)
  2. MINEIRA – 2’45
    (João Nogueira – Paulo César Pinheiro)
  3. NÃO TEM TRADUÇÃO – 2’34
    (Noel Rosa – Francisco Alves – Ismael Silva)
  4. AMOR DE MALANDRO – 2’25
    (Monarco – Alcides Dias Lopes)
  5. CONVÊNIO COM CÚPIDO – 1’52
    (João Nogueira)
  6. O HOMEM DE UM BRAÇO SÓ – 3’03
    (João Nogueira)

Lado 2

  1. SAMBA DA BANDOLA – 2’34
    (João Nogueira – Cláudio Jorge)
  2. VEM QUEM TEM, VEM QUEM NÃO TEM – 2’41
    (João Nogueira)
  3. CHORANDO PELOS DEDOS – 3’03
    (João Nogueira – Cláudio Jorge)
  4. PRA FUGIR NUNCA MAIS – 2’07
    (João Nogueira – Cláudio Jorge)
  5. SEU CAMINHO SE ABRE – 1’58
    (Ivor Lancellotti)
  6. ALBATROZES – 3’20
    (João Nogueira)

Odeon – SMOFB 3887, LP

EMI-Odeon Fonog. Indl. e Eletrônica S.A.
Direção Artística: MILTON MIRANDA
Direção de Produção: RENATO CORRÊA
Produção Executiva: HELIO DELMIRO
Orquestrações e Regência: MAESTRO GERALDO VESPAR
Técnicos de Gravação: TONINHO, DACY, ROBERTO CASTRO
Técnico de Remixagem: NIVALDO DUARTE
Corte: OSMAR FURTADO

2 respostas para “Vem Quem Tem João Nogueira 1975, Odeon

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