Wanderley Monteiro CONSAGRAÇÃO | 2013, Independente

“Olhem bem vocês, quando derem vez ao morro, toda a cidade vai cantar, vai sambar…” já diziam Tom e Vinícius.

Wanderley Monteiro.
Enfim, uma bela voz do samba autêntico na zona sul do Rio de Janeiro.

“Batuque mestiço me envolve e me encanta; feliz de quem anda no chão de um povo que canta!”. Belíssima definição, essa, desse verso-poema de Toninho Nascimento (é água no mar, é maré cheia, mareia, mareia…”), já dizia ele e o parceiro Romildo, lá atrás, quando a cantora Clara Nunes abriu pra valer seu canto afro-brasileiro.

Agora, ele e outros companheiros, Luiz Carlos Máximo é um deles, em “Um sonho de Paz”; Delcio Carvalho (o poeta das melodias e acordes do cavaco de Dona Ivone Lara), vem junto, ajudando a voz de Wanderley Monteiro a pular os altos muros dos morros que separam a zona sul da zona norte, no nosso Leme tradicional, e depois transbordar sobre o Pão de Açúcar e o Cara de Cão e, dali, se espalhar por toda a cidade, principalmente de Madureira a Copacabana, que fala a língua do samba de raiz.

Para não negar faísca, nem fogo (” pinga boa não falha “), Wanderley vem do Babilônia e Chapéu Mangueira, morros como aquele que deu alma à Verde e Rosa de Zica, Neuma e Cartola; Delegados; os Nelsons, Sargento e Cavaquinho; Mocinha e Neyde, porta-bandeiras; Jamelão, Darcy, Dirceu e Jurandir. Só pra dar uma leve patinha da gloriosa galeria dos bambas da Estação Primeira. A única diferença é que na Mangueira de Agenor e Padeirinho, tem Cartola, e a de Wanderley, tem chapéu. No mais, o samba é o mesmo.

Isso quer dizer que de samba, batuque e partido, a zona sul nunca foi carente, só lhe faltava uma voz legítima para dizê-lo.

Se alguém pensou que depois do ciclo virtuoso que nos trouxe Martinho, Paulinho, Nogueira, Lecy, Dona Ivone, Beth, Clara, Alcione, Arlindinho, Catimba, Wilson Moreira, Ney Lopes, Toco, Aragão, Zeca, Almir etc., e achou que “acabaram com a onça, o mato é nosso”, pode ter se enganado.

De repente, quando ninguém mais imaginava que desse mato não sairia coelho, exata e precisamente (pela tradição) de um morro da zona sul, começa-se a ouvir uma voz surpreendente, nova, forte, diferente e auto confiante, que em baixo trazia a assinatura de Wanderley Monteiro, sem nenhum daqueles apelidos artísticos muito comuns dos sambistas do morro.

Durante o doce tempo das inesquecíveis “Noites Cariocas”, como sensacionalmente mostrou Jacob dedilhando as cordas do seu mágico bandolim, a zona sul não tinha ainda uma voz pra se ouvir, no alto dos seus morros, hoje sim! Quer ver? É só dar um pinote lá em cima no Babilônia, pra ver como é que é!

Agora unem-se as vozes irmãs do samba, das zonas norte e sul.
Essas vozes são a do líder e ícone da velha guarda da azul e branco de Paulo, Caetano e Rufino, chamada por todos de “Portela”, que terá nesse carnaval de 2012 essa fusão perfeita, uma vez que Monarco estará na avenida, e o mais velho cantando com sua voz quase irmã gêmea, mais jovem, o samba que Wanderley fez pra juntos mostrarem na avenida, pela primeira vez, Chapéu Mangueira e Babilônia, Oswaldo Cruz e Madureira, a força que o samba tem.
Adelzon Alves

CD Consagração – Wanderley Monteiro, 2013

  1. Consagração
    Wanderley Monteiro e Toninho Nascimento
  2. Fuga de aparências
    Chapinha do Samba da Vela (SP) e Wanderley Monteiro
  3. Nada mais
    Wanderley Monteiro e Moacyr Luz
  4. Chico e Nonô
    Pulinho do Ouro, Luiz Carlos Maximo e Wanderley Monteiro
  5. Espelho da canção
    Luiz Carlos Máximo e Wanderley Monteiro
  6. Teatro da vida
    Délcio Carvalho e Wanderley Monteiro
  7. Número sete
    Adilson Bispo e Wanderley Monteiro
  8. Perfil
    Carlinhos 7 Cordas, Wanderley Monteiro e Toninho Nascimento
  9. Um sonho de paz
    Luiz Carlos Máximo e Wanderley Monteiro
  10. Refletor das estrelas
    Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo
  11. Pout-pourri:
    Meu limite
    Wanderley Monteiro e Carlos Caetano
    O que passou
    Wanderley Monteiro e Ivan Mendes
    Pra enganar a saudade
    Beto Gago e Wanderley Monteiro
  12. Em paralelo
    Wanderley Monteiro, Ferreira e Fininho da Ruth
  13. Telhado de vidro
    Wanderley Monteiro
  14. Rei da madrugada
    Wanderley Monteiro e Luiz Carlos Máximo

Independente, CD

Produção: Wanderley Monteiro
Coordenação do Projeto: Michele Bragança
Produção Musical: Carlinhos Sete Cordas
Arranjos: Alessandro Cardozo (4,7,9,14) / Carlinhos 7 Cordas (2,3,5,11) / Ivan Paulo (8,10,12,13) / Rildo Hora (1,6)
Gravado e mixado no Estúdio Copacabana em julho e agosto de 2011
Técnico: Jadir Florindo
Fotos: Avanir Niko
Projeto gráfico: Felício Torres

Não fosse a colaboração dos amigos, não conseguiríamos levar adiante este projeto. A todos o meu muito obrigado pela força, em especial ao amigo e irmão Augusto Diniz.
O samba somos Nós !!!
Wanderley Monteiro

Alaan Monteiro: Bandolim
Alessandro Cardozo: Cavaquinho
Carlinhos 7 Cordas: Violão 7 cordas
Cláudio Jorge: Violão 6 cordas
Dirceu Leite: Clarinete, Flauta, Flautim
Dirceu Leite: Sax Soprano, Sax Tenor
Esguleba: Caixa, Congas (14), Ganzá (14), Pandeiro (1,2,5,6,8,11,12,13), Prato/faca, Reco-reco (4,14), Repique de mão, Tamborim (4,5,14), Tantan
Ilton do Candongueiro: Pandeiro (4,7,9,10,14)
Jaguara: Caxixi, Ganzá (2,4,7,8,12,14), Reco-reco (7,10), Tamborim (1,2,3,6,8,11)
Jaguara: Caxixi, Pandeiro
Marcio Vanderlei: Banjo, Cavaquinho sol-ré-lá-mi, Repique de Anel
Pirulito: Agogô, Congas (14), Ganzá (1,9,11), Surdo, Tamborim (2,4,5,6,7,8,12,13)
Coro: Ronaldo Barcelos, Carla Pietro, Luiza Dionlzlo, Alaan Monteiro, Maria Menezes e Mingo

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