Xangô da Mangueira O REI DO PARTIDO ALTO | 1972, Copacabana

OLIVÉRIO FERREIA
O MESTRE XANGÔ DE MANGUEIRA

Diretor de todas as alas da Escola de Samba Estação Primeira.
Partideiro de todas as linhas.
Bamba das famosas “Rodas de Samba da Antiga Praça XI”, Igreja da Penha e outros pagodes.
Neste LP, o atual “Cidadão Samba” demostra de forma autêntica, primitiva, original, o que é PARTIDO ALTO, com a participação especial de Jorge Zagaia nas faixas: “Moro na Roça”, “Pequenininho” e “Diretor de Harmonia”.
João de Oliveira
contracapa

Xangô da Mangueira. Conhecido e reconhecido por essa alcunha, Olivério Ferreira fazia parte da direção de harmonia da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, escola responsável por um estelar elenco de sambistas jamais visto como Nelson Sargento, Cartola, Nelson do Cavaquinho, Carlos Cachaça, Jamelão, e por aí vai.

Este primeiro disco, dos quatro lançados, desfila um punhado de Sambas classificados como “partido-alto“, marcados por improviso e pela sequência de repetição de refrões baseados em um determinado tema.

Ao ouvir o disco, chega a ser fácil recriar na imaginação os descontraídos momentos quando os sambas foram criados, um exemplo disso é “Moro na Roça“, onde Xangô ganha a companhia de Jorge Zagaia, que também participa de “Pequenininho” e “Diretor de Harmonia“, faixa de linda letra e melodia, onde versos vão se repetindo intercalados por pequenas estrofes que contam a história de cada Samba.

Ao longo do LP O Rei do Partido Alto, vai se justificando, caso de “Quando Eu Vim de Minas“, canção de letra inteligente e com bela sacada do compositor em uma alusão que remonta a própria história do Brasil.

Canções como “Se o Pagode é Partido“, “Cheguei no Samba” e “Pequenininho“, destacam essa essência do álbum, com a arte do improviso e do bom gosto, levando aos mais novos a mirar a arte do samba de raiz.

Que Samba é Esse” é outro momento de beleza ímpar. A canção dá uma geral no cenário do samba da época, misturando nomes como Donga e Martinho do Vila na mesma cuia, o que além de caprichosa, tem a sua importância documental.

Despertado tardiamente para a gravação de discos, Xangô já estava na casa dos cinquenta anos quando este primeiro trabalho foi gravado. Antes disso, o sambista havia sucedido Cartola, na direção de harmonia da escola de Samba Mangueira, a qual foi intérprete até 1951, quando foi sucedido por Jamelão.

Xangô da Mangueira O REI DO PARTIDO ALTO

LADO 1

  1. MORO NA ROÇA – Partido Alto (Adaptação de tema popular)
    (Xangô da Mangueira – Jorge Zagaia)
  2. QUANDO VIM DE MINAS
    (Xangô da Mangueira)
  3. SE O PAGODE É PARTIDO
    (Xangô da Mangueira – Geraldo Babão)
  4. CHEGUEI NO SAMBA
    (Rubem Gerardi – Xangô da Mangueira)
  5. QUE SAMBA É ÊSSE
    (Jorginho)
  6. SE TUDO CORRER BEM
    (Waldemiro do Candomblé – Xangô da Mangueira)

LADO 2

  1. PEQUENININHO
    (Geraldo das Neves)
  2. RECORDAÇÃO DE UM BATUQUEIRO
    (Xangô – J. Gomes)
  3. QUEM NÃO TE CONHECE É QUE TE COMPRA (TIRO NO ESCURO)
    (Walter Coringa – Lúcio Ferreira)
  4. ARIGÓ
    (Xangô da Mangueira – Batelão)
  5. DIRETOR DE HARMONIA
    (Jorge Zagaia)
  6. OLHA O PARTIDO
    (Xangô da Mangueira – Rubem Gerardi)

Copacabana – CLP 11.701 – LP

Produtor Fonográfico: SOM – Indústria e Comércio S. A.
Seleção e Supervisão: Waldomiro João de Oliveira – Supervisão Musical: Moacyr Silva
Técnico de Gravação: Norival Reis – Gravação: Estúdio Haway, Rio de Janeiro
Capa: Ciro Ney

2 respostas para “Xangô da Mangueira O REI DO PARTIDO ALTO | 1972, Copacabana”

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