A fôrça que o samba tem, nasce forte dentro do peito do sambista de fato.
E quem ensina êsse ritmo, quem faz sacudir êsse compasso, quem faz agitar tôdas as nuances que o samba esconde, o colorido que êle guarda?
Quem junta alma e samba de forma unida e certa a ponto de ambos resultarem numa formação exata, como duas fôrças da mesma fôrça?
O samba é qual a semente que procura terra rôxa para crescer, para ser mais forte, ser tronco e ser vida.
O samba é também assim e, se ali cai na bôca do mau sambista, se além se esgarça na voz do que não o sabe dizer, pode num canto distante e fora e longe de aquecer bem no peito morno de um sambista nato.

E são raros os sambistas nascidos neste Brasil tão grande.
Há sambistas e fazedores de samba.
Há sambas na voz de alguns, e sambas ditos de qualquer forma na boca de muitos.
ATAULFO ALVES, pertence à lista dos maiores sambistas do Brasil.
Não prova a sua presença nesta posição a teoria de que só no morro os sambistas nascem, só no Rio os sambistas podem nascer.
ATAULFO, nasceu numa pequena cidade do interior de Minas Gerais e, tudo que há de bom dentro da letra que faz e na música que compõe é exatamente a ingenuidade e a simplicidade que êle bebeu no seu canto e que imprime em todos os versos que faz, em todos os acordes que compõe.
De ATAULFO ALVES ninguém pode nem deve mais fazer uma apresentação. É êle o sambista inteiro, a figura rara que se apresenta neste punhado de melodias, com a mesma beleza que êle sabe dizer dos versos, com a mesma ternura que sabe cantar da música, com a mesma segurança de linha que êle escolheu desde o samba primeiro e que dela não se afastou em rimas de descrença, até êsse agora.
O que há em todos os sambas que êle faz é muito tom de amôr, e o amôr é crença que não deve ser perdida principalmente nesses momentos em que o mundo parece querer ser mais sisudo e o céu a nos mostrar nuvens escuras.
Vamos crer na beleza da vida ouvindo a música que ATAULFO compõe, que é tôda bela e pura, como a alma do sambista autêntico.
FERNANDO LOBO
contracapa

SEI QUE É COVARDIA… MAS (Ataulpho Alves – Claudionor Cruz)
MEU PRANTO NINGUÉM VE (Ataulpho Alves – José Gonçalves)
O BONDE SAO JANUÁRIO (Ataulpho Alves – Wilson Batista)
ó SEU OSCAR (Ataulpho Alves – Wilson Batista)
MENSAGEIRO DA DÔR (Ataulpho Alves)
DE JANEIRO A JANEIRO (Ataulpho Alves)
CASA 33 (Adelino Alves – Vargas Junior)
MAIS UM SAMBA POPULAR (Ataulpho Alves)
JUBILEU (Ataulpho Alves)
INTRIGA (Ataulpho Alves)
GEME NEGRO (Ataulpho Alves – Synval Silva)
BOM CRIOULO (Ataulpho Alves)


Odeon – MOFB 3108, LP

NOSSA CAPA: Layout de Cesar G. Vilela
Fotografia de Francisco Pereira
Outra Edição: 1969, Imperial IMP 30.145

Publicado por Marcelo Oliveira

Sou carioca, mangueirense, botafoguense e apaixonado por samba. Meu objetivo com o blog sambaderaiz é divulgar o SAMBA, compartilhando meu acervo fonográfico. Que o blog seja um espaço de “Resistência Cultural” e em “Defesa da Tradição do Samba”. Forte abraço. marcelo@sambaderaiz.org

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 + 13 =