É com muito orgulho que a Carioca Discos coloca no mercado o novo disco de Luiz Carlos da Vila.

Benza, Deus. Chegou bem na hora “h” mais um trabalho deste cantor e compositor de tantos sucessos. Depois de um período em que Deus resolveu deixar esse trovador “Das Vilas” (da Penha e Isabel) no “estaleiro”, por conta de problemas de saúde, ele volta agora renovado e atualizado nas 14 canções inéditas que compõem o CD.

São parcerias também novas, de um repertório que passa por todo o universo do Samba: o sincretismo, a negritude, o Samba em si e, principalmente, o amor.
Samba com letra maiúscula, como pensam Luiz Carlos e o produtor-arranjador do disco, o também compositor e violonista Cláudio Jorge.

Neste CD de inéditas Luiz Carlos da Vila se instala confortável e definitivamente entre os maiores poetas da nossa música popular. Poesia pura, sem artifícios, refinada, rica e, pode-se perceber nas primeiras audições deste disco, impiedosamente emocionante. Podem chorar à vontade caros ouvintes.

Completando essa breve análise, os componentes filosóficos contidos nas letras-poemas de Luiz Carlos da Vila estão aqui como um presente de Deus para todos nós apaixonados pelo Samba do Rio de Janeiro. Benza, Deus.

CD BENZA, DEUS LUIZ CARLOS DA VILA | 2004, Carioca Discos

  1. BENZA, DEUS 4:14
    Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila
  2. SOLANO, POETA NEGRO 2:54
    Zé Luiz, Nei Lopes e Luiz Carlos da Vila
  3. AGULHA E DEDAL 3:14
    Magno, Maurílio e Luiz Carlos da Vila
  4. UNIVERSO 4:05
    Riko Dorileo e Luiz Carlos da Vila
  5. CHORANDO DE SAUDADE 4:20
    Mauro Diniz e Luiz Carlos da Vila
  6. A CIGARRA E O SAMBA 4:19
    Luiz Carlos da Vila
  7. VEM PRA RODA SAMBAR 3:04
    Luiz Carlos da Vila e Bira da Vila
  8. PRA CONQUISTAR TEU CORAÇÃO 5:13
    Wanderley Monteiro e Luiz Carlos da Vila 
  9. RARA 3:10
    Nelson Sargento e Luiz Carlos da Vila
  10. AO NOSSO AMOR MAIOR 4:17
    Wilson das Neves e Luiz Carlos da Vila
  11. EM NOME DO AMOR 3:01
    Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila
  12. COMO EU TE QUERO BEM 3:48
    João Nogueira e Luiz Carlos da Vila
  13. DUAS SAUDADES 3:04
    Luiz Carlos da Vila
  14. A LUZ DO AXÉ 3:03
    Luiz Carlos da Vila e Gilmar Simpatia

Carioca Discos – CD-007, CD

Claudio Jorge – violão
Beloba – tantam
Mauro Diniz – cavaquinho
Gordinho – surdo (todas, exceto faixa 9)
Bira Presidente – pandeiro (fxs. 1,2,3,7,11,13,14)
Carlinhos Sete Cordas – violão sete cordas (todas, exceto 4,6,.8,10,12)
Dirceu Leitte – clarinete (fxs 5,9,14), sax alto (fx. 14) e criação de sopros nas faixas 9 e 14
Esguleba – pandeiro (todas, exceto 2, 8,9,10)
Humberto Araújo – sax tenor (fxs. 5,8,14), sax soprano (fx.14), flauta (fx.4) e criação de sopros na faixa 14
Marcelinho Moreira – repique de mão (fxs. 1,2,4,6,8,13)
Marçalzinho – ganzá (fxs.8,9), tamborim (fxs. 10,12), caixa (fx.2)
Ovídio Brito – cuíca (fx.2,8,14), tamborim (fxs.2,5) e ganzá (fx.12)
Tonico Ferreira – congas (fxs.1,14)
Ubirany – repique de mão (fxs. 3,7,10,11,12,14) e caixeta (fxs.9.10)

Técnicos de gravação: Rodrigo Lopes e Guilherme Reis
Mixagem: Guilherme Reis
Masterização: Carlos Alberto – Classic Master – SP
Fotos: Bruno Veiga
Arte de capa e encarte: Pablo Moura
Caricatura de rótulo: Lan
Gravado e mixado no Estúdio Discover em agosto, setembro de 2003

Produção e arranjos de CLAUDIO JORGE

REPERTÓRIO:

01 – Benza, Deus (Moacyr Luz e Luiz Carlos da Vila)
Desta faixa saiu o título do álbum ela reflete todo o espírito das gravações lá no Estúdio Discover. A felicidade e o prazer da participação de todos os músicos nas seções de gravação estão aqui refletidos e esses sentimentos representam a alegria de toda a comunidade do Samba com a vitória de Luiz Carlos da Vila.
Destaque: Participação de Tonico Ferreira, filho de Martinho da Vila, nos atabaques.

02 – Solano, poeta negro ( Zé Luiz, Nei Lopes e Luiz Carlos da Vila)
Este samba é fruto dos encontros destes três parceiros na década de 80, quando curtiam e militavam no Quilombo, núcleo cultural criado por Candeia. É de uma época de sonhos e realizações onde estes sambistas se ocupavam com as teorizações sobre o Samba, a Negritude e propunham, já naquela época, um modelo diferente de organização das Escolas de Samba. Esta chama não se apagou nem se apagará.
Destaque: a cuíca de Ovídio Brito (integrante do grupo “Toque de Prima”).

03 – Agulha e dedal (Magno, Maurílio e Luiz Carlos da Vila)
Esta é uma parceria de Luiz Carlos com a nova geração do Samba de São Paulo: Magno e Maurílio, integrantes do grupo “Quinteto em Branco e Preto”. São Paulo é uma cidade que recebe o Samba do Rio de Janeiro de forma cada vez mais definitiva e que tem em Luiz Carlos da Vila um de seus maiores ídolos. O Quinteto Branco em Preto contribui para este processo e tem sido o grupo que acompanha Luiz Carlos em shows por lá.
Destaque: o assovio de Cláudio Jorge na introdução e final, inspirado em um distraído assovio de Luiz Carlos enquanto resolviam-se questões da base.

04 – Universo (Riko Dorileo e Luiz Carlos da Vila)
Outra nova parceria. Riko Dorileo, compositor que viveu algum tempo na Europa e que agora retorna ao mundo do Samba nas parcerias com Luiz e também com Noca da Portela. Samba clássico, dolente, envolvente, daqueles que leva longe a imaginação.

05 – Chorando de saudade (Mauro Diniz e Luiz Carlos da Vila)
Parceria consagrada, Mauro Diniz e Luiz Carlos da Vila fazem mais um gol de placa. As influências de Monarco e da Portela emocionam.
Destaque: o violão de Carlinhos 7 cordas (integrante do grupo “Toque de Prima”), e o pandeiro de Bira Presidente (integrante do grupo Fundo de Quintal).

06 – A cigarra e o samba (Luiz Carlos da Vila)
Música e letra onde Luiz Carlos coloca mais um pensamento seu sobre o Samba e que tem nos versos “O samba suplanta, é o vinho que bebe o herege e o frade”, um de seus pontos altos.
Destaque: Os violões de Cláudio Jorge: um num estilo ponteado, meio João da Baiana e um outro, de base, fazendo uma batida de Samba das mais tradicionais. A mesma idéia foi utilizada por este violonista na faixa seguinte.

07 – Vem pra roda sambar (Bira da Vila e Luiz Carlos da Vila)
Mais uma nova parceria, Bira é da Vila tal qual a Luiz Carlos, só que da Vila São Luiz, em Caxias. Particularmente nesta faixa, a “cozinha” sacode a poeira convidando todo mundo a afastar os móveis e cair dentro. Mais um depoimento de reverência ao Samba saído da “caneta nervosa” de Luiz Carlos da Vila, como diria Nei Lopes.
Destaque: como não podia deixar de ser, a aula de percussão dada por Beloba, Esguleba, Gordinho, Bira Presidente e Ubirany.

08 – Pra conquistar teu coração (Wanderley Monteiro e Luiz Carlos da Vila)
A emoção dos que participaram desta faixa tomou conta da seção de gravação por conta da bela melodia de Wanderley Monteiro e do refinamento poético da letra de Luiz Carlos da Vila: “e num xaxim eu vou plantar um baita de um jequitibá e enraizar mesmo sem chão“.
Destaque: as performances de Mauro Diniz (cavaquinho) e Humberto Araújo (Sax tenor).

09 – Rara (Nelson Sargento e Luiz Carlos da Vila)
Mais uma bela e merecida homenagem que se faz a Dona Ivone Lara. Dessa vez pelas mãos de Mestre Nelson Sargento em parceria com Luiz Carlos. O clima delicado de regional respeita e sublinha a melodia de Nelson, nos remetendo para um ambiente de serestas e Samba-canção. Tudo para homenagear um ídolo de todos os sambistas.
Destaque: emocionantes os solos de Mauro Diniz (cavaquinho) e Dirceu Leite (clarinete).

10 – Ao nosso amor maior (Wilson das Neves e Luiz Carlos da Vila)
Este Samba é impar por vários aspectos. O encontro de Luiz com Wilson das Neves já é um presente em si que já foi consagrado em Samba gravado por Zeca Pagodinho (Os papéis). A melodia de Wilson, sempre de muito bom gosto, pegou em cheio a inspiração de Luiz Carlos que aproveita o tema para homenagear três grandes músicos dos estúdios cariocas: Luna, Marçal e Eliseu.
Destaque: a impecável interpretação de Luiz Carlos da Vila, respeitando intervalos inusitados da melodia de Wilson, com direito a subida de tom e tudo mais. A caixeta de Ubirany e o tamborim de Marçalzinho, filho de Marçal, completam o clima.

11 – Em nome do amor (Cláudio Jorge e Luiz Carlos da Vila)
Mais uma parceria da dupla de amigos. Dessa vez, um Samba de quadra começado há alguns anos e concluído em Camboinhas durante a recuperação de Luiz Carlos. Cláudio Jorge, também produtor e arranjador do disco anterior de Luiz, “A luz do vencedor”, consolida o projeto começado naquele trabalho. Trouxe para o disco da Carioca a mesma base de músicos que utilizou no outro trabalho, acrescentou alguns novos elementos e fez os arranjos privilegiando a exposição dos sambas inéditos. Parceiros e amigos que dão a maior liga.
Destaque: o solo de Carlinhos 7 cordas no final da faixa.

12 – Como eu te quero bem (João Nogueira e Luiz Carlos da Vila)
Parceria inédita de Luiz Carlos e João Nogueira guardada com carinho ao longo dos anos. Samba dolente, de amor, que provoca imediatamente a memória lembrando-nos de João Nogueira, o “Boca larga” lá do Méier.
Destaque: o repique seguro de Marcelinho Moreira, integrante do grupo “Toque de Prima”.

13 – Duas saudades (Luiz Carlos da Vila)
Mais uma música e letra de Luiz Carlos da Vila onde o jogo de palavras nos envolve em visões filosóficas e amorosas, marcas do trabalho de Luiz, mestre em provocar reflexões em quem o ouve. “Deus deixou na saudade dizer se a saudade tem cura”.
Destaque: o coro feminino responsável por todo o disco, formado pelas estrelas do Samba: Analimar Ventapani, Dorina, Martnália e as meninas d’O Roda (Ana Costa e Bianca Calcagni).

14 – A luz do axé (Luiz Carlos da Vila e Gilmar Simpatia)
Samba guerreiro em parceria com Gilmar Simpatia, um dos novos parceiro de Luiz, que encerra o disco em alto astral. Final de disco em clima altamente positivo para Luiz Carlos, que sem dúvida, vive hoje um dos grandes momentos de sua vida e de sua carreira. Benza, Deus.
Destaque: as intervenções dos metais de Humberto Araújo e Dirceu Leite

Publicado por Marcelo Oliveira

Sou carioca, mangueirense, botafoguense e apaixonado por samba. Meu objetivo com o blog sambaderaiz é divulgar o SAMBA, compartilhando meu acervo fonográfico. Que o blog seja um espaço de “Resistência Cultural” e em “Defesa da Tradição do Samba”. Forte abraço. marcelo@sambaderaiz.org

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