“Você Passa, Eu Acho Graça” é o segundo álbum de estúdio de Clara Nunes. Foi lançado no final de 1968 pela Odeon Records. Apesar de conter o sucesso homônimo, composto por Ataulfo Alves e Carlos Imperial, o álbum foi um fracasso de vendas, sendo que apenas 6.900 cópias foram comercializadas à época do seu lançamento.

Apesar disso, “Você Passa, Eu Acho Graça” foi um importante divisor na carreira da cantora, sendo que nesse álbum ela registrou seus primeiros sambas; seu primeiro álbum, A Voz Adorável de Clara Nunes (1966), tinha um conceito mais romântico.

Após o lançamento de “A Voz Adorável de Clara Nunes”, Clara Nunes tentou entrar na onda do iê-iê-iê da Jovem Guarda. A cantora mudou seu visual para aderir ao gênero e fez participações nos filmes “Na Onda do Iê-iê-iê”, “Carnaval Barra Limpa” e “Jovens Pra Frente”, mas a Odeon continuava insistindo que ela deveria ser uma cantora romântica.

Ao mesmo tempo, prestava atenção nos grandes festivais de música que agitavam o país e revelavam nomes como Elis Regina, Nara Leão e Chico Buarque.

Aurino Araújo, à época namorado da cantora e amigo de Carlos Imperial, diretor do Departamento Internacional da gravadora, insistiu para que o amigo ajudasse Clara a consolidar sua carreira.

No início de 1968, Imperial mostrou a letra de “Você Passa, Eu Acho Graça” a Aurino. Imperial teve a ideia de lançar a música, retrabalhada por Ataulfo Alves, num festival. Imperial inscreveu a canção no festival “O Brasil Canta no Rio” da TV Excelsior, onde foi interpretada por Ataulfo.

Em seguida, Clara gravou a canção num compacto simples que foi distribuído por Imperial e Aurino às principais rádios com a finalidade de tornar a canção conhecida para que chegasse à final do festival.

A música estourou e os demais participantes tentaram desclassificá-la da disputa. Na decisão, em 27 de julho de 1968, a canção terminou a disputa em quinto lugar. O segundo álbum da cantora (que trago nesse post), batizado em homenagem à canção de sucesso, foi marcado pela mistura de gêneros de quem ainda não tinha um rumo definido em sua carreira.

Milton Miranda, diretor artístico da Odeon, continuava insistindo no romantismo, mas já se mostrava mais aberto a novas propostas para a artista. Tanto que foram incluídas canções de Chico Buarque, Noel Rosa e Tom Jobim no álbum.

A gravadora começava a dar mais ênfase aos festivais em relação à carreira de Clara, sendo que a cantora gravou três canções que disputaram o Festival Internacional da Canção em 1968.

A Odeon pressentiu que poderia ser oportuno incluir no repertório de Clara canções assinadas por compositores consagrados ou revelados pelos festivais. A cantora resolveu seguir as orientações da Odeon, uma vez que a Jovem Guarda começava a ser criticada pelo seu descomprometimento com a situação sócio-política do país.
fonte: wikipedia


Faixas

Lado A

  1. VOCÊ NÃO É COMO AS FLORES (Ataulfo Alves e Carlos Imperial)
  2. SABIÁ (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque de Hollanda)
  3. CHEGUEI A CONCLUSÃO (Darcy da Mangueira)
  4. DESENCONTRO (Chico Buarque de Hollanda)
  5. P’RA ESQUECER (Noel Rosa)
  6. RUA D’AURORA (Fátima Gaspar e Durval Ferreira)

Lado B

  1. VOCÊ PASSA E EU ACHO GRAÇA (Carlos Imperial e Ataulfo Alves)
  2. SUCEDEU ASSIM (Antonio Carlos Jobim e Marino Pinto)
  3. GRANDE AMOR (Martinho da Vila)
  4. QUE É QUE EU FAÇO (Ribamar e Durando)
  5. MINHA PARTIDA (David Nasser e Elizabeth)
  6. CORPO E ALMA (Augusta Maria Tavares)

Ficha Técnica

Diretor de Produção: MILTON MIRANDA
Diretor Musical: LYRIO PANICALI
Assistente de Produção: JORGE SANTOS
Orquestrador e Regente: MAESTRO CARLOS MONTEIRO DE SOUZA
Diretor Técnico: Z. J. MERKY
Técnicos de Gravação: ZILMAR DE ARAÚJO, NIVALDO DUARTE E JORGE T. ROCHA
Foto: MAFRA


Clara Nunes ‎– Você Passa e Eu Acho Graça
Odeon ‎– MOFB 3557
Vinil, LP, Álbum
1968
DISCO É CULTURA

Publicado por Marcelo Oliveira

Sou carioca, mangueirense, botafoguense e apaixonado por samba. Meu objetivo com o blog sambaderaiz é divulgar o SAMBA, compartilhando meu acervo fonográfico. Que o blog seja um espaço de “Resistência Cultural” e em “Defesa da Tradição do Samba”. Forte abraço. marcelo@sambaderaiz.org

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