Sabe aquele momento em que você vai procurar mais sobre um artista de quem você é fã e descobre que uma parte desconhecida do grande público é uma das mais brilhantes de sua obra? Pois é, Nei Lopes me proporcionou isso. Além de ser tremendamente pesquisador, escritor e mestre na arte de compor, ainda tem uma plena e exemplar consciência da negritude inerente a todo brasileiro – independente da cor da pele.

Estou falando isso, pois, há um bom tempo, eu pesquisava mais sobre a obra de Nei Lopes e encontrei esse diamante da cultura brasileira. É algo que engloba a arte, a cultura e é música da boa. Da melhor qualidade. O disco, de ’96, é um passeio por diversos ritmos afrolatinos e de várias temáticas, todas, abordando essa cultura igualmente. Sem brincadeira, eu recomendo que se conheça o álbum todo, mas devo destacar Nosso nome, resistência, por mostrar que não se resiste só em quilombos ou com protestos, mas também, simplesmente, mantendo as tradições e reafirmando a raiz de nossa cultura. Com o Samba, Afoxé, Jongo, Umbanda, Candomblé, etc.


Este CD é uma saudação ao “centenário de Zumbi dos Palmares, numa celebração da memória do maior líder da resistência anti-escravista nas América, morto em 1695. “Zumbi – disse um poeta – só morrerá se nós, Negros, o matarmos!”.
Nei Lopes 1995


Enfim, até as que não falam diretamente da defesa de nossa cultura são muito divertidas, como Essa nega Guiomar e Lalá Morena, mas, pra mim, as duas que simbolizam tudo o que quero dizer são a já citada Nosso nome… e a saideira do álbum, A epopéia de Zumbi, que canta em estilo samba-enredo a formação de Palmares, passando pela chegada de Zumbi à liderança da comunidade e todo o mito que se tornou até seu fim, devido a traição. Mas o que eu ressalto aqui, muito importante perceber, aliás, é a definição do referido quilombo como o primeiro estado livre do Brasil. Emocionante!

O disco é uma obra-prima, mas como o que importa na cultura em massa das empresas de comunicação é apenas o divertimento descartável, esse trabalho de Nei Lopes nunca seria mesmo mainstream. Cultura não é pra todos, ainda, infelizmente, mas, terminando o texto de forma oportunista e perspicaz, nosso nome é resistência, olha nosso povo aí!
Fernando Sagatiba/raizdosambaemfoco.wordpress.com

CD ZUMBI 300 ANOS CANTO BANTO NEI LOPES | 1996, Saci

  1. NOSSO NOME, RESISTÊNCIA (Nei Lopes / Zé Luiz / Sereno)
  2. GINGA, ANGOLA! (Nei Lopes)
  3. LALÁ MORENA (Nei Lopes)
  4. AFROLATINÔ (Cláudio Jorge / Nei Lopes)
  5. PEGA NO PILÃO (Wilson Moreira / Nei Lopes)
  6. MARACATUMBA (Efson / Nei Lopes)
  7. SAMBA, IAIÁ (Wilson Moreira / Nei Lopes)
  8. CANTO PRA ANGANA-ZÂMBI (Serafim Adriano / Nei Lopes)
  9. MIRONGA DO MATO (Wilson Moreira / Nei Lopes)
  10. ESSA NEGA GUIOMAR (Nei Lopes)
  11. O VELHO NA LADEIRA (Wilson Moreira / Nei Lopes)
  12. A EPOPÉIA DE ZUMBI (Nei Lopes)

Saci 199.000.817, CD

PROPUÇÃO EXECUTIVA: Mauricio Tapajós
PRODUÇAO ARTÍSTICA: Mauricio Tapajós e Nei Lopes
ESTÚDIO DE GRAVAÇÃO: Discover (RJ)
TÉCNICOS DE GRAVAÇÃO: Guilherme Reis e Hurley
ESTÚDIO DE MÍXAGEM: Companhia dos Técnicos
TÉCNICOS DE MIXAGEM: Claudio Farias e Magrão
MIXADO POR: Maurício Carrilho e Nei Lopes
PROJETO GRÁFICO: Luciana Lopes e Maurício Tapajós

Músicos:
Alisson Lima : Caixa, Repique, Tamborim
Bororó : Baixo Elétrico
Carlinhos 7 Cordas : Violão 7 Cordas
Carlos Negreiros : Atabaque, Escovinhas
Cláudio Jorge : Violão
Dudu Nobre : Cavaquinho
Humberto Araújo : Flauta, Saxofone Soprano
Nei Lopes : Ganzá, Pandeiro
Ovídio Brito : Agogô, Cuíca, Ganzá, Pandeiro, Reco-reco, Tamborim
Paulão 7 Cordas : Violão
Pedro Amorim : Bandolim, Violão Tenor
Trambique : Caixa, Pandeiro, Repique, Surdo, Tamborim
Zero Telles : Batá, Congas, Djembê
Coro: Agrião, Analimar, Carlos Negreiros, Cristina Deane, Mapinha, Paulão 7 Cordas, Cristina Buarque, Marcos Sacramento, Regininha, Wilson Moreira, Zé Luiz

Publicado por Marcelo Oliveira

Sou carioca, mangueirense, botafoguense e apaixonado por samba. Meu objetivo com o blog sambaderaiz é divulgar o SAMBA, compartilhando meu acervo fonográfico. Que o blog seja um espaço de “Resistência Cultural” e em “Defesa da Tradição do Samba”. Forte abraço. marcelo@sambaderaiz.org

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