Carlos Cachaça (1976)

Carlos Cachaça 1976

Trago nesse post o único disco solo de Carlos Cachaça, lançado em 1976 na Série Ídolos da MPB, vol 21 pelo selo Continental. No LP vários sucessos como “Quem Me Vê Sorrindo”, “Alvorada”, “Juramento Falso” etc…


Quem tem, tem. Quem não tem, não será pelas gravadoras que detêm os poucos fonogramas gravados por Carlos Cachaça que terá. O centenário de nascimento do compositor da escola de samba mais famosa do Rio passou em brancas nuvens.

A pequena discografia de Cachaça está fora de catálogo, e a EMI e Warner não têm planos de relançar nada. O único disco-solo que Carlos Cachaça lançou data de 1976, um vinil que traz dois de seus grandes sucessos com Cartola, “Quem Me Vê Sorrindo” e “Juramento Falso”, (Série Ídolos da MPB nº 21, Continental). É esse disco que trago neste post.

Os outros títulos (participações), são: “Fala Mangueira!” com Cartola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho e Odete Amaral (1968) e “Clementina de Jesus – Convidado Especial Carlos Cachaça” (1976), ambos lançados pela Odeon, agora em poder da EMI.

Um terceiro título, com participação de Carlos Cachaça, foi lançado em CD em 1999 a partir dos arquivos da cidade do Rio de Janeiro. “Mangueira – Sambas de Terreiro e Outros Sambas”, álbum que reuniu a Velha Guarda com Cachaça à frente. Transcrevo a seguir os textos do encarte do disco deste post.

Em 1887, foi construída a estação ferroviária de Mangueira. Em 1929, foi fundada a Estação Primeira de Mangueira. Em 1902 nasceu Carlos Moreira de Castro, o Carlos Cachaça. Filho de uma, pai da outra. Se sua vida tivesse que ser resumida em duas palavras, elas seriam samba e trem. Ou, como no verso de Fernando Pessoa, “sempre uma coisa defronte da outra”. O que se sabe: que Mangueira não chegou a ser o reduto militar que alguns historiadores registraram como explicação de seu povoamento. Que sua incrível comunidade é, muito mais, o produto natural do êxodo da Favela, do Querosene e do Salgueiro. Que tudo era quase um matagal desabitado e farto de mangueiras. Que, com a habitação, vieram os blocos. Com a fusão destes, a Estação Primeira. Que essa é a legítima expressão da verdade, testemunho pessoal de um dos seus construtores. Voz de Carlos Cachaça.

Carlos não foi um dos primeiros a chegar à Mangueira, simplesmente porque nunca chegou: já nasceu lá. É o primeiro grande bamba verde e rosa . Todos os outros, quando chegaram por lá, já estavam indo morar nas terras do primeiro locador do morro, Tomás Martins, padrinho de Carlos Cachaça, que era quem assinava os recibos. Filho de ferroviário, Carlos Cachaça nasceu em 3 de agosto de 1902, na subida do morro, numa das casas que a Central do Brasil alugava aos seus funcionários, próximo á antiga ponte da Mangueira. Como o pai, ele também seria ferroviário e ligaria sua vida — de sambista, pingente social — aos trilhos e ao batuque do trem.

Antes, porém, de entrar nos trilhos, foi morar no morro, com Tomás Martins. O padrinho português, alugando terras para a construção de barracos e Carlos desfrutando de uma convivência importantíssima. Pelo contato íntimo com as coisas do samba e do morro. Pela gerência involuntária que era obrigado a exercer dos negócios do padrinho analfabeto.

Em 1914, Cachaça desceu o morro e foi para a avenida. Ali, Rio Branco, 133, fez o primário na Escola de Humanidades, mas não mudou o destino de sambista e ferroviário. Voltou para Mangueira, onde continuou sendo ninado pelo barulho do trem e acordado de madrugada por alguma confusão numa roda de samba mais próxima. Tinha 16 anos. Até os 24, foi tudo, não foi nada. Biscateou aqui e ali.

Quando o século XX entrou em sua segunda década, começavam a se processar as alterações que fariam com que Carlos Moreira de Castro se transformasse definitivamente em Carlos Cachaça. No ano da Semana de Arte Modernista, surgiu também o primeiro samba de Carlos Cachaça, cantado pelo morro todo — “Não me deixaste ir ao samba em Mangueira”. Não é de se desprezar o detalhe de que o morro, embora uma comunidade social só, conservava algumas divergências internas, especialmente no samba. Só de blocos, tinha 7: Tia Tomázia, Pérolas do Egito, Tia Fé, do senhor Júlio, de Mestre Candinho, Príncipe das Matas e os Arengueiros.

Como o próprio título do primeiro samba esclarece, Cachaça falava do morro, não do seu bloco em particular. Por isso mesmo, todos os cantaram. Surgia espontaneamente a idéia de unificação, desabrochada 7 anos mais tarde.

Em 1926, Carlos Cachaça se tornou ferroviário e passou, no lado profissional, a seguir as pegadas do pai. No lado emocional, continuava ligado ao mundo do padrinho, aos barracos de Mangueira. Mais três anos, nascia a Estação Primeira de Mangueira.

Do bloco dos Arengueiros a que pertencia Carlos Cachaça, partiu o plano de transformar tudo numa coisa só. Uma reunião no Burraco Quente, na travessa Saião Lobato, 7, com a presença de Saturnino, Marcelino, Pedro Caim, Zé Espinguela, Manoel Sapateiro, Cartola, Candinho, Chico Porrão, Agenor de Castro, Gradim, Arturzinho, Maciste, Narciso, Pedro dos Santos e Pedro Camilo deu a luz a verde e rosa. Aí cabe um parágrafo especial: o lugar-comum faria com que Carlos Cachaça, se tivesse qualquer vaidade, incorporasse a posição em que vários historiadores da música popular o colocaram, isto é, dentro da reunião, como um dos fundadores. A sinceridade do compositor que era o orador da escola — e hoje é seu menestrel — impede a apropriação.

Carlos Cachaça, dos Arengueiros, uma das pessoas que mais lutou pela unificação sambística do morro, um dos mentores da fundação do Bloco-Escola, faz absoluta questão de dizer que, por uma razão qualquer, não pôde ir á reunião. Ele, que fora a todas as reuniões preliminares, que era um dos incentivadores do plano, não compareceu aquela reunião histórica. Isso não diminui seus méritos de fundador: aumenta a sua dimensão de homem.

Pouco tempo antes, novamente os Arengueiros, com um samba de Carlos, faziam o morro inteiro cantar. Outra exaltação ás coisas da Mangueira, sabiamente incluída neste elepê

que harmonia lá em Mangueira/ que dá prazer para se brincar/ o Laudelino no seu cavaco/ Fazendo coisas de admirar// e de repente formam um enredo/ que até causa sensação/ o Armandinho chega de flauta,/ Alípio sola no violão// na nossa frente tem Angenor/ José da Lúcia, tem Batelão/ o réco-réco toca sozinho/ e tropa toda bate na mão// falta Otávio que eu não falei/ falta Aristides, falta “Martin”/ salta Simão na mesa de Umbanda/ falta Pedrinho no tamborim// canta no coro Carlos Cachaça/ fazendo voz com o Expedito/ para terminar esta folia/ o Marcelino dá um apito

Quer dizer: não há duvida de que os anos vinte foram decisivos, o primeiro samba, a descoberta da vocação, a carreira de ferroviário, a fundação da Mangueira. Todos acontecimentos desse período, com peso altíssimo no meio século que ainda viria. Na Mangueira, reconhecido sempre como um grande compositor, melodista inspirado, foram precisos mais alguns anos para que esses seus dotes fossem expostos ao alcance do ouvinte médio do Rio de Janeiro. A Mangueira continuava — continua, de certo modo — funcionando como comunidade fechada, costumes e tradições independentes do desenvolvimento da metrópole, embora tão perto dela, embora estivesse a primeira estação a somente 5 minutos da Central.

Mas, se o morro não ia aos artistas e compositores urbanos, esses iam ao morro. Foi isso que proporcionou a antológica gravação de Aracy de Almeida, 1936, para o “Não Quero mais Amar á Ninguém”. Foi isso, também, que notificou á cidade a existência de Carlos Cachaça, compositor intuitivo, capaz de fazer sozinho as suas letras e músicas ou se unir em parcerias férteis como, por exemplo, Cartola ou Hermínio Bello de Carvalho (de que o samba “Alvorada” é possivelmente o mais brilhante resultado). Hoje, “Não Quero mais Amar á Ninguém” conta com dezenas de regravações. Tem verso premiado e arquivado na Academia Brasileira de Letras (o alexandrino “semente de amor que sou desde nascença”).

Uma reunião no Burraco Quente, na travessa Saião Lobato, 7, com a presença de Saturnino, Marcelino, Pedro Caim, Zé Espinguela, Manoel Sapateiro, Cartola, Candinho, Chico Porrão, Agenor de Castro, Gradim, Arturzinho, Maciste, Narciso, Pedro dos Santos e Pedro Camilo deu a luz a verde e rosa.

Roberto Moura

Quando Leopold Stokowsky, á bordo do navio Uruguai, quis ouvir os compositores brasileiros mais importantes e gravar as suas coisas, o convite era extensivo a Carlos Cachaça. No dia marcado ele estava trabalhando. Na estrada de ferro. Do encontro que não houve, ficou uma histórica gravação de “Quem Me Vê Sorrindo”, pelo próprio Leopold Stokowsky para a Columbia americana.

Ferroviário, trabalhou até 1965. Aí, parou e construiu a casa aonde mora. Mangueira, é claro. Sambista, não requereu nem consta que vá requerer aposentadoria. Mangueirense, andou uns tempos “licenciado” meio afastado, como o afilhado, concunhado e amigo Cartola. Agora, com a nova diretoria, os dois voltam rejuvenescidos, dispostos a encaminhar a Mangueira “para o seu verdadeiro destino”.

Mais que um elepê, no sentido tradicional, este é um registro da participação e permanência de Carlos Cachaça como figura de destaque de um dos maiores núcleos do samba , desde sua instituição como o gênero musical mais identificado com a alma carioca do povo brasileiro. Não pode, evidentemente, ser visto de outra perspectiva, sob ameaça de distorção do seu verdadeiro significado.

Com espírito de garimpeiro, Pelão, o produtor, percorreu os mais de 50 anos de samba de Carlos Cachaça, escolhendo cada faixa não só pelo seu conteúdo musical ou literário intrínseco, mas por suas inevitáveis implicações com a crônica da cidade do Rio de Janeiro. No mesmo clima, João de Aquino se despojou de seus conhecimentos técnicos e de sua cultura musical para que os arranjos deixassem cada música o mais perto possível da Mangueira. Na realização desta tarefa, eles contaram com o talento necessário de Raul de Barros (trombone), Copinha (flauta), Waldir de Paula (violão de 7 cordas), Canhoto (cavaquinho), Meira (violão) e Marçal, Elizeu, Jorginho, Gilson (ritmo). E alguma preciosidades como “Por Te Querer”, “Se Algum Dia”, “Crueldade”, “Terra Estranha”, “Clotilde” e “Amor que Nasce no Carnaval” ficaram surpreendentemente parecidas com a cara de Carlos Cachaça.

Roberto Moura
encarte

Compositor adora visitas e contar velhas histórias

Ele se lembra do tempo em que corria da polícia e que a história do Brasil não podia dar samba

Dá gosto visitar Carlos Cachaça. Lúcido, abre um largo sorriso quando recebe visita e não se cansa de repetir velhas histórias. Só reclama, mesmo assim rindo, de estar quase surdo e não poder mais andar sozinho pelo morro onde nasceu. Visitas não faltam. Uma deles, especial para o velho malandro: Monarco, da Portela.

— Eu era garoto e já idolatrava o Carlos. Ele sempre me conta histórias da época dele. Que Cartola gostava de mulher gorda; que Noel Rosa procurava Cartola para aprender a manemolência do morro. Vou lá sempre para conversar com ele — conta Monarco.

Hoje, Carlos Cachaça ri do tempo em que samba era sinônimo de malandragem:

Corri muito da polícia. Cantar samba naquele tempo era arrumar uma “cana” (cadeia). Era coisa de população pobre, de negros . Se eu aparecesse com um pandeiro em casa, era excomungado. Se saísse com ele na rua, a polícia me prendia.

Mas, por que Carlos Cachaça? Tio Jair (Jair Campos, da Velha Guarda) responde:

— Porque é no Brasil. Se fosse nos EUA seria Carlos Whisky.

Carlos Cachaça tomava cerca de um litro por dia da bebida que lhe deu o apelido (eram três Carlos no grupo e só ele gostava de cachaça, o que o transformou em Carlos da cachaça e, em seguida, Carlos Cachaça). Só parou de beber alguns anos depois da morte de sua Menina (1983, aos 74 anos). Foi proibido pelo ‘médico, que não o deixa nem tomar uma cervejinha. Mas ele garante que não sente falta da bebida:

— Só sinto falta do tempo para levar a vida mais um bocado.

E ele tem razão: 95 anos é muito pouco para o compositor do primeiro samba cantado por todo o morro: “Não Me Deixaste Ir ao Samba em Mangueira“, em 1922. Também é dele um dos primeiros sambas-enredos a falar de personagens da história do Brasil: “Homenagem”, de 1933.

— Naquela época, era muita ousadia citar em sambas nomes ilustres como Castro Alves e Olavo Bilac. Era motivo até para apanhar da polícia — diz.

Cachaça diz que agora está preparado para ser enredo

Em relação aos sambas atuais, ele sabe que muita coisa mudou, mas lembra que muitos são quase cópia dos antigos. Sinal que os novos também têm bom gosto. Afinal, quem não gostaria de ter composto “Não Quero mais Amar á Ninguém” (Carlos Cachaça, Cartola e Zé da Zilda) ou “Alvorada no Morro” (com Cartola)? Dos amigos do Bloco dos Arengueiros, quase todos morreram.

— O Cartola é que morreu há pouco tempo — fala, numa prova de que o tempo passa diferente para ele. Cartola, seu afilhado, morreu há quase 17 anos.

Presente de aniversário, ele só quer um: a vitória da Mangueira no próximo Carnaval. Quanto a nunca ter sido enredo, explica:

— Já tentaram, mas eu nunca quis, me achava despreparado. Agora, estou preparado para tudo — diz. Acorda, Mangueira!

O Globo – SEGUNDO CADERNO – 28 de julho de 1997


Carlos Cachaça

1976, Continental (1-19-405-026 – Série “Ídolos MPB” – 21)
Ouça no spotify, youtube ou itunes
DISCO É CULTURA

Carlos Cachaça e sua companheira Minininha
Carlos Cachaça e sua companheira Minininha (Clotilde)

REPERTÓRIO

Todo Amor
Carlos Cachaça – Cartola
Canhoto (cavaquinho), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Meira (violão), Raul de Barros (trombone), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

todo amor no princípio tem sabor,
tem perfume, tem odor, que embriaga o coração
mas depois é uma taça incolor
que só contém amargor, dessabor e maldição

todo amor principia com beijos e risos
e no princípio forma um paraíso
e depois com o tempo um dos dois vem se arrepender,
um amor para gozar e outro para sofrer

Quem Me Vê Sorrindo
Carlos Cachaça – Cartola
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Meira (violão), Raul de Barros (trombone), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

quem me vê sorrindo, pensa que estou alegre
o meu sorriso é por consolação
porque sei conter, para ninguém ver
o pranto do meu coração

o pranto que eu perdi por esse amor, talvez
não compreendestes, se eu disser não crês
depois de derramado, ainda soluçando
tornei-me alegre, estou cantando

Amor de Carnaval
Carlos Cachaça
Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

o amor que nasce no Carnaval
não faz mal a ninguém
é alimentado com sorrisos
barulhos de guizos
e valor não tem
passo estes três dias infernais
desaparecem as fantasias
e também desaparece
aquele amor
que nasceu nos três dias
e depois só se conhece
por acaso quem chamou
pelos cantares brejeiros
dançares maneiros
que nos ensinou

Crueldade
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Meira (violão), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

foste tu cruelmente a causa crescente do meu padecer
me levastes ao fim, hoje passas por mim fingindo não me ver

quem pratica a bondade recebe falsidade de quem não merece
quem bate nunca se lembra, mas também quem apanha nunca se esquece

se eu depois melhorar então podes voltar precisando outra vez
quem já fez uma, faz duas, não é muito difícil fazer as três

Se Algum Dia
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Elizeu, Gilson, Jorginho,
Marçal (ritmo), Meira (violão), Raul de Barros (trombone), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

se algum dia eu souber que você vai deixar
meu coração, que é todo seu, em busca de outro amor
não serei mais feliz
porque você não quis
depois serei, como fui seu, da minha dor

se a dor depois, por ingratidão, também me deixar
eu hei de chorar, com muita razão, por não ser feliz
e hei de dizer a quem perguntar: prefiro morrer
do que serve viver
se a dor que crescia também não me quis

se me perguntarem a causa da dor e dos meus queixumes
eu terei ciúmes, não responderei, sentindo depois
e mesmo sofrendo a causa da dor guardarei comigo,
em meu peito amigo e pode voltar a paz entre nós dois

Não Me Deixaste Ir ao Samba
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Meira (violão), Raul de Barros (trombone), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

não me deixastes ir ao samba em Mangueira
mas tu saistes pra brincar no candomblé
agora espero que tu me mandes embora
amor tão rude, meu coração não faz fé

eu não te deixo ir ao samba em Mangueira
principalmente lá na casa do Arthurzinho
eu tenho medo que tu fiques por lá
porque a tropa toda sabe brincar direitinho

Harmonia em Mangueira
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo),
Meira (violão), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

que harmonia lá em Mangueira
que dá prazer para se brincar
o Laudilino no seu cavaco
fazendo coisas de admirar

e de repente com algum enredo
que até causa sensação
o Armandinho chega de flauta,
Alípio sola no violão

na nossa frente tem Angenor,
José da Lúcia, tem Batelão
e o reco-reco toca sozinho
a tropa toda bate na mão

falta Otávio, que eu não falei
falta Aristides, falta “Martim”
falta Simão na mesa de umbanda
falta Pedrinho no tamborim

canta no couro Carlos Cachaça
fazendo voz pro Expedito
pra terminar essa folia
o Marcelino dá um apito

As Flores e os Espinhos
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo),
Meira (violão), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

enquanto houver flores no seu jardim, você
você não se lembra dos meus carinhos
quando as flores murcharem eu quero ver você, você
beijar espinhos

mas sei que nesta vida tudo passa
e se esvai como a fumaça
a própria felicidade
e hoje por sonhares com a riqueza
desprezas minha pobreza
para que, tanta maldade

Cabrocha
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo),
Meira (violão), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

cabrocha, nunca foste rainha
nem nunca te inscreveram
em concursos de beleza como miss
mas do samba brasileiro
tens que ser a imperatriz
coroada no estrangeiro

Juramento Falso
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Meira (violão), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

jurar é mentir, jurar é fingir, jurar é pecado
e eu posso afirmar porque me juraram um amor sagrado
depois que entreguei o meu coração, tão quente, na jura
a mesma criatura, jurou não ter jurado

não sei como pode ainda existir quem jura mentindo
a chorar fingindo que o tal juramento que faz é sincero
jurar eu não quero, mas se eu regesse as leis do Senhor
condenava e matava quem faz e não cumpre as tais juras de amor

Clotilde
Carlos Cachaça
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Meira (violão), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

contigo eu quero comparar
o céu, lindo céu,
em noites lindas,
em noites de luar
porque em ti tudo é luz,
que resplende muito mais
do que as terciárias
estrelas de Jesus
amor, quando sorriso eu vejo,
doces lábios de pérolas,
como se fossem anjos
protegendo teu beijo
daí, nascida a inspiração
formam tantos castelos,
poemas, versos, queros, na imaginação
pudesse com ela o sol viver
perdão Senhor meu Deus,
meu Deus, meu Deus
talvez inveja causaria,
aos anjos de Maria,
aos próprios anjos seus, meu deus
perdão se blasfemo senhor,
confesso-te temor
nestes gritos profundos
mas não, não posso esquecê-la
eu quero um dia tê-la
para viver entre dois mundos

Alvorada
Cartola – Carlos Cachaça – Hermínio Bello de Carvalho
Canhoto (cavaquinho), Elizeu, Gilson, Jorginho, Marçal (ritmo), Meira (violão), Waldir (violão 7 cordas).
[ ouça ♫ ]

alvorada lá no morro que beleza
ninguém chora não há tristeza
ninguém sente dissabor
o sol colorindo
é tão lindo, é tão lindo
e a natureza sorrindo
tingindo, tingindo

você também me lembra a alvorada
quando chega iluminando
meus caminhos tão sem vida
mas o que me resta
é tão pouco ou quase nada,
do que ir assim, vagando
nesta estrada perdida


FICHA TÉCNICA — DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: J.C.Botezeli (Pelão) / TÉCNICOS DE SOM: Walter Oliveira e Jorge Teixeira / CORTE: Milton Araújo / ARRANJOS E REGÊNCIAS: João de Aguino / CAPA: José Maury de Barros / FOTOS: Ymaia de Paula Souza Barros e Daryr Valério / ESTÚDIO: Gravado nos Estúdios Hawai, Rio de Janeiro, nos dias 28, 29, 30 de junho e 1, 2, e 4 de julho de 1976.

Considerações finais

Espero que você tenha gostado desse post com o primeiro álbum de Carlos Cachaça — CARLOS CACHAÇA —, lançado em 1986 pela Continental.

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