Caymmi e Seu Violão

Caymmi e Seu Violão

“Caymmi e Seu Violão” é considerado pela critica especializada uma obra-prima na discografia do artista baiano. Acompanhado apenas seu violão, para muitos ficou provado em definitivo o gênio do compositor, músico e intérprete.


Ninguém amou tanto o mar quanto ele. Ninguém captou o lirismo do mar tão bem quanto ele. Ninguém cantou com tanta emoção as belezas do mar . Mar, berço de Iemanjá, onde é tão doce morrer… Mar de onde a jangada voltou só, sem Chico, Ferreira e Bento… Mar de Itapoãn, que deixa saudades no coração da gente mar de ondas verdes, que é tão bonito quando quebra na praia… Mar, onde o canoeiro cerca o peixe, bate o remo, puxa a corda e colhe a rede… Mar que é a eterna inspiração de Dorival Caymmi.

Sua voz dramática, pura, natural, conta histórias sem fim da beira da praia, das praias baianas cheia de pescadores, heróicos desbravadores do desconhecido que, sem saber se voltam, lançam-se ao mar, no afã de colher o alimento de cada dia. E foi entre esses rijos homens que viveu Caymmi desde menino. Foi com esses homens que aprendeu as pungentes histórias que nos conta com seu violão, com sua voz profunda. E são essas “Canções praieiras”, já suas conhecidas, que estão colecionadas neste belo disco Odeon, feito para a sua sensibilidade.

A maravilha da alta fidelidade torna ainda mais fiel a reprodução da voz, do violão, e da vibrante interpretação de Dorival Caymmi.

Nesta nova geração das canções praieiras, Caymmi se supera. Ele que é hoje o violeiro consagrado em todos os rincões do país, ele que mora no coração de todos, ele que é o grande Dorival Caymmi, não perdeu entretanto, sua irresistível atração pelo mar e pelas coisas do mar.

Assim é que, cada vez melhor, cada vez mais sensível, cada vez mais pungente, Dorival Caymmi torna a contar-nos a história do mar… do mar de ondas verdes, que é tão bonito quando quebra na praia.

contracapa


Caymmi e Seu Violão

Dorival Caymmi 1959, Odeon (MOFB 3.093)
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DISCO É CULTURA

REPERTÓRIO

Canoeiro
[ ouça ♫ ]

ô canoeiro
bota rede
bota rede no mar
ô canoeiro
bota rede no mar

cerca o peixe
bate o remo
puxa corda
colhe a rede
ô canoeiro
puxa a rede do mar

vai ter presente
pra Chiquinha
ter presente pra Iaiá
ô canoeiro puxa
a rede do mar

louvado seja Deus
ó meu pai

A Jangada Voltou Só
[ ouça ♫ ]

a jangada saiu
com Chico Ferreira e Bento
a jangada voltou só
com certeza foi lá fora
algum pé de vento
a jangada voltou só

Chico era o boi do rancho
nas festa de “Natar”

não se ensaiava o rancho
sem com Chico se contá

e agora que não tem Chico
que graça é que pode ter
se Chico foi na jangada
e a jangada voltou só

Bento cantando modas
muitas figura fez

Bento tinha bom peito
e pra cantar não tinha vez

as moça de Jaguaripe
choraram de fazê dó
seu Bento foi na jangada
e a jangada voltou só

2 de Fevereiro
[ ouça ♫ ]

dia dois de fevereiro
dia de festa no mar
eu quero ser o primeiro
pra salvar Iemanjá

escrevi um bilhete pra ela
pedindo para ela me ajudar
ela então me respondeu
que eu tivesse paciência de esperar

o presente que eu mandei pra ela
de cravos e rosas vingou
chegou, chegou, chegou
afinal que o dia dela chegou

É Doce Morrer no Mar
[ ouça ♫ ]

é doce morrer no mar
nas ondas verdes do mar

saveiro partiu de noite foi
madrugada não voltou
o marinheiro bonito
sereia do mar levou

nas ondas verdes do mar meu bem
ele se foi afogar
fez sua cama de noite
no colo de Iemanjá

Coqueiro de Itapoãn
[ ouça ♫ ]

coqueiro de Itapoan, coqueiro
areia de Itapoan, areia
morena de Itapoan, morena
saudade de Itapoan me deixa

ó vento que faz cantigas nas folhas
no alto dos coqueirais
ó vento que ondula as águas
eu nunca tive saudade igual

me traga boas notícias
daquela terra toda manhã
e joga uma flor no colo
de uma morena de Itapoan

O Mar
[ ouça ♫ ]

o mar
quando quebra na praia
é bonito
é bonito

o mar
pescador quando sai
nunca sabe se volta
nem sabe se fica
quanta gente perdeu
seus maridos seus filhos
nas ondas do mar

Pedro vivia da pesca
saia no barco
seis horas da tarde
só vinha na hora do sol raiá
todos gostavam de Pedro
e mais do que todas
Rosinha de Chica
a mais bonitinha
e mais bem feitinha
de todas as mocinha
lá do arraiá

Pedro saiu no seu barco
seis horas da tarde
passou toda a noite
não veio na hora do sol raiá
deram com o corpo de Pedro
jogado na praia
roído de peixe
sem barco sem nada
num canto bem longe
lá do arraiá

pobre Rosinha de Chica
que era bonita
agora parece
que endoideceu
vive na beira da praia
olhando pras ondas
andando rondando
dizendo baixinho
“morreu morreu
morreu oh…”

O Vento
[ ouça ♫ ]

vamos chamar o vento
vamos chamar o vento

vento que dá na vela
vela que leva o barco
barco que leva a gente
gente que leva o peixe
peixe que dá dinheiro
curimã

curimã ê, curimã lambaio
curimã ê, curimã lambaio
curimã

O Bem do Mar
[ ouça ♫ ]

o pescador tem dois amor
um bem na terra
um bem no mar

o bem de terra
é aquela que fica
na beira da praia
quando a gente sai
o bem de terra
é aquela que chora
mas faz que não chora
quando a gente sai
o bem do mar é o mar, é o mar
que carrega com a gente
pra gente pescar

Quem Vem pra Beira do Mar
[ ouça ♫ ]

quem vem pra beira do mar, ai
nunca mais quer voltar, ai
quem vem pra beira do mar, ai
nunca mais quer voltar

andei por andar, andei
e todo caminho deu no mar
andei pelo mar, andei
nas águas de Dona Janaína
a onda do mar leva
a onda do mar traz
quem vem pra beira da praia, meu bem
não volta nunca mais

A Lenda do Abaeté
[ ouça ♫ ]

no Abaeté tem uma lagoa escura
arrodeada de areia branca
ô de areia branca

de manhã cedo
se uma lavadeira
vai lavar roupa no Abaeté
vai se benzendo
porque diz que ouve
ouve a zoada
do batucajé

o pescador
deixa que seu filhinho
tome jangada
faça o que quisé
mas dá pancada
se o seu filhinho brinca
perto da lagoa do Abaeté

a noite tá que é um dia
diz alguém olhando a lua
pela praia as criancinhas
brincam à luz do luar
o luar prateia tudo
coqueiral, areia e mar
a gente imagina quanto
a lagoa linda é
a lua se enamorando
nas águas do Abaeté
credo, cruz
te desconjuro
quem falou de Abaeté

Promessa de Pescador
[ ouça ♫ ]

alodê Iemanjá oiá!
alodê Iemanjá oiá!

Senhora que é das águas
tome conta de meu filho
que eu também já fui do mar
hoje tou velho acabado
nem no remo sei pegar
tome conta de meu filho
que eu também já fui do mar

quando chegar o seu dia
pescador véio promete
pescador vai lhe levar
um presente bem bonito
para Dona Iemanjá
filho dele é quem carrega
desde terra inté o mar

Noite de Temporal
[ ouça ♫ ]

é noite
é noite

pescador não vá pra pesca
pescador não vá pescar

pescador não vá pra pesca
que é noite de temporar

a mãe se senta na areia
esperando ele vortar


FICHA TÉCNICA — PRODUÇÃO: Aloysio de Oliveira / LAY-OUT CAPA: Cesar G. Villela / FOTO CAPA: Francisco Pereira / Todas as faixas de autoria de Dorival Caymmi, sendo “É doce morrer no mar” de Caymmi e Jorge Amado.

Considerações finais

Espero que você tenha gostado desse post com o álbum de Dorival Caymmi, lançado em 1959 pelo selo “Odeon”.

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