Caymmi (Kai-ee-me) and The Girls from Bahia

Caymmi (Kai-ee-me) and The Girls from Bahia

(Kai-ee-me) Ele é um pescador… Um poeta do mar… Ele é o escritor de canções mais popular do Brasil. Ele é o compositor de “…Das rosas”. Ele canta com simplicidade de paixão. Ele é único. Ele é CAYMMI.


No ano de 1965 foi lançado nos Estados Unidos, pelo selo Warner Bros. Records -(W 1614), o disco que trago neste post: “Caymmi (KAI-EE-ME) and The Girls from Bahia”. The Girls from Bahia (Quarteto em Cy), interpretam 3 faixas deste disco: “Berimbau”, “I Live To Love You (Morrer de amor)” e “Amaralina Beach (Praia da Amaralina)”. Esse mesmo disco foi lançado no Brasil no ano de 1967 (LP, Odeon – MOFB 364).

As Meninas do Cy

Em “As Meninas do Cy (Vida e Música do Quarteto em Cy)” de Inahiá Castro, temos uma breve abordagem da participação do Quarteto no disco:

EUA, WARNER BROTHERS, 1614

Em 1965, a América do Norte descobria Dorival Caymmi através de “Caymmi and The Girls From Bahia”, produção do influente e esperto Aloysio de Oliveira — lá conhecido como Louis Oliveira — em parceria com Sonny Burke e Ray Gilbert. A capa do lançamento da Warner Brothers alardeava em Inglês: “Ele é um pescador… um poeta do mar. Ele é o mais popular escritor de canções do Brasil. Um homem adorado por sua gente. Ele é o compositor de “And Roses and Roses”. Ele canta com simplicidade e paixão. Ele é único. Ele é Caymmi (KAI-EE-ME) sugerindo a correta pronúncia de seu nome”.

Em texto na contracapa do disco, Stan Cornyn, a autoridade maior da Warner, comparava o compositor baiano ao jazzista George Gershin, e se estendia em grandiloquentes e poéticos elogios. O foremost composer, como Dorival também era referido, foi acompanhado do Quarteto em Cy que, por uma questão de conveniência e estratégia — de Louis, diga-se —, passaria a ser conhecido naquelas terras como The Girls From Bahia. Em relação às garotas baianas, Cornyn afirmava que elas eram extensões da personalidade artística de Caymmi.

“Caymmi and The Girls From Bahia” trouxe sucessos do baiano em Português com alguns dos títulos adaptados ao Inglês como “I Long for Itapoã” (Saudade de Itapoã), “March of The Fisherman” (Marcha dos pescadores) e “Whistle to The Wind” (Temporal). A maior aposta do disco era “…Das rosas”, que recebera o título “And Roses, And Roses” e tivera parte de sua letra com versão em Inglês de Ray Gilbert: “Roses, roses, roses / I thank all the roses that bloom in the spring / Love is a wonderful thing, the rest of my life I will bring her / Roses and roses and roses of love”. Tal canção figurou como um de sucesso naquela época, tendo sido gravada também pelo cantor e apresentador de TV Andy Williams ainda em 1965. O disco, no entanto, trazia duas composições que não pertenciam a Caymmi: “Morrer de amor” (I Liveto Love) e “Amaralina” (Amaralina Beach); a primeira, de Luvercy Fiorini e Oscar Castro Neves, a segunda, de Carlos Castilho e Francisco de Assis. Ambos os fonogramas, somente nas vozes das quatro garotas, pertenceriam ao repertório do disco de 1966 do Quarteto em Cy pela Elenco.

Depois de concluir a gravação deste álbum, Caymmi não poderia voltar ao Brasil sem primeiro ser levado de avião para Washington…

Os arranjos de “Caymmi and The Girls From Bahia” ficaram a cargo de Bill Hitchcock e sua virtuosa orquestra, o que conferiu àquelas doze faixas um ar globalizado. Ressalte-se também que o disco foi lançado em versão estereofônica, técnica de gravação ainda rara no Brasil, e que chegaria em nosso país pela primeira vez somente em 1967 numa edição da Odeon que, lamentavelmente, não trouxe os devidos créditos ao quarteto.


Tentei traduzir para português a contracapa desse LP da Warner Bros. Records:

Contracapa

O Brasil costumava ser o lugar onde eles tomavam muito café, dos sambas de Carmem Miranda, Fred Astaire voava até lá, e Hollywood costumava fazer muito dinheiro. E era isso.

Bem, não é mais. A epifania musical da legal bossa nova cancelou essa impressão. “One Note Samba”, “Desafinado”, “The Gril de Ipanema” e “And Roses and roses” mudaram nossas perspectivas, e o Brasil se tornou o local. Todo aquele chapéu de folha de palmeira — muchas gracias senõr — desceu pelo ralo quando os Gilbertos e Jobim apareceram.

O homem que ficou para trás foi Dorival Caymmi, o patriarca da música brasileira. Se Antonio Carlos Jobim é o moderno da música brasileira, Caymmi é seu grande Gershwin. Quando Caymmi finalmente concordou em deixar sua amada casa para se aventurar nos Estados Unidos para gravar este álbum, não foi até depois que o Rio parou tudo e lhe deu uma festa. Uma festa … bem, nos Estados Unidos não há paralelo para o tipo de celebração que ele recebeu. Talvez se os Beatles, depois de serem os nossos primeiros astronautas na Lua, voltassem à Terra com a chave da odontologia indolor, então eles poderiam ter o tipo de celebração que Caymmi recebeu. Ele é o mais reverenciado dos brasileiros, e depois de concluir a gravação deste álbum, ele não poderia voltar ao Brasil sem primeiro ser levado de avião para Washington para ser o convidado da casa do embaixador.

Caymmi. Ele mora com o mar e as lutas do mar estão em sua música. Caymmy, então turbulento, como o súbito contraste nessa violência “And Roses, And Roses” se transformou em romance, as partes mais difíceis para o arco-íris subir. Sua música tem a força do mar, uma força que nenhum ser humano pode conquistar. Ele se chama pescador da pequena vila de Maracangalha. Mas isso não é mais verdade do que chamar Robert Frost de jardineiro em Vermont …

Caymmi. Ele escreve sobre seu povo. Seu rosto estava forte. Seu cabelo estava branco. Sua pele: marrom pelo sol. Seus dedos, endurecidos pelo cânhamo. Seus olhos: aprofundados pela compaixão. Seu coração: cheio de calor, ó filhos, do tempo, da vida. Uma figura maciça e forte, que a eternidade não pode descartar facilmente.

Essa é sua música, em português, gravada por ele em Hollywood com a Orquestra de Bill Hitchcock e as delicadas participações de quatro jovens brasileiras, quatro extensões da personalidade artística de “Caymmi … The Girls from Bahia”.

Essa é a poesia da apoteose do Brasil. Caymmi.

Stan Cornyn
contracapa


Caymmi (Kai-ee-me) and The Girls from Bahia

Dorival Caymmi (LP Warner Bros. Records US, W1614, 1965)
DISCO É CULTURA

Caymmi (Kai-ee-me) and The Girls from Bahia

REPERTÓRIO

Lado A:
1. And Roses, And Roses (Das rosas) (Caymmi – Gilbert) — ouça
2. Sábado em Copacabana (Caymmi – Guinle) — ouça
3. Berimbau” (Powell – Vinicius – Gilbert) — ouça
4. Saudade da Bahia” (Caymmi) — ouça
5. I Long For Itapoa (Saudade de Itapoã) (Caymmi) — ouça
6. Maracangalha (Caymmi) — ouça

Lado B:
1. March Of The Fisherman (Marcha dos pescadores)’ (Caymmi) — ouça
2. I Live To Love You (Morrer de amor) (Neves – Fiorini) — ouça
3. The Storm (O vento) (Caymmi) — ouça
4. Amaralina Beach (Praia da Amaralina) (Castilho de Assis) — ouça
5. Whistle To The Wind (Temporal) (Caymmi) — ouça
6. Samba da minha terra (Caymmi) — ouça


FICHA TÉCNICA — Participação especial — voz — The Girls from Bahia (Quarteto em Cy) em: “Berimbau’, “I Live To Love You (Morrer de amor)” e Amaralina Beach (Praia da Amaralina), Bill Hitchcock (arranjos), Sonny Burke, Louis Oliveira e Ray Gilbert (produção), K.Kim (foto).

Considerações finais

Espero que você tenha gostado desse álbum de Dorival Caymmi lançado nos Estados Unidos com a participação do Quarteto em Cy. Se assim for, encorajo você a se inscrever no blog sambaderaiz abaixo. Ao informar seu email, você receberá todas as novas publicações do blog automaticamente.

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