Fala Mangueira!

Fala Mangueira! – Um verdadeiro clássico do samba. Disco que não pode faltar em nenhuma boa coleção. Estou falando aqui do feliz encontro de Cartola, Carlos Cachaça, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho e Odete Amaral, num disco dedicado à Mangueira.

Conforme relata o texto de contra capa desta edição, foi uma ideia de Vianinha (Oduvaldo Vianna Filho) sugerida ao Herminio Bello de Carvalho para um musical falando sobre a Mangueira. Espetáculo este que nunca chegou a acontecer, infelizmente. Mas pelo menos esse encontro se eternizou em disco, neste L.P. Abaixo, transcrevo a íntegra do texto publicado na contracapa.


A MANGUEIRA É MUITO GRANDE
DÁ GALHOS PRA TODO LADO
E OS FRUTOS QUE ELA DÁ
SÃO TODOS APROVEITADOS

Este álbum é uma exaltação a verde-e-rosa e a três de seus maiores poetas: o divino Cartola, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça. É o pretexto também para marcar o retorno ao disco de uma das grandes damas do rádio brasileiro: Odete Amaral. Mas não faltam nesse LP antológico as vozes da partideira Clementina de Jesus e Zezinho que, ao som do trombone de Nelsinho, revivem alguns dos sambas dedicados á divina Estação Primeira.

OS NOSSOS BARRACOS SÃO CASTELOS
EM NOSSA IMAGINAÇÃO…

Rendemos também homenagem a outros compositores e personagens (vivos ou não) que serviram para criar a legendas da Escola que é uma espécie de Flamengo da torcida carioca, alguns até remanescentes do antigo “Bloco dos Arengueiros” que deu origem á Estação Primeira, depois Mangueira: Geraldo Pereira, Zé-com-Fome e Gradim. Saturnino (1° Presidente da Manga e pai de Neuma, de saudosos desfiles); Alcides, Lina (1° Porta Bandeira) e Maçu (1° Mestre Sala); Pedro Paquetá, Arlindo Fernandes, Ataliba, José Ramos, o esplendoroso Jamelão, Barra Mansa, Nininha, Maria Peixeira, Zé Crioulo, Mestre Tinguinha, Waldemiro (Diretor de Bateria), Dona Efigênia do Balbino (da tradicional birosca), Martinho, Rosa Grande, Delegado (quem não o conhece em sua magestade?), Pé Grande, Quindinho, Neyde (sorriso comovendo uma avenida inteira)

VISTA ASSIM DO ALTO
MAS PARECE UM CÉU NO CHÃO

E mais: Zé Criança, Maciste, Geraldo Neves, Jorge Pandeiro (ou Jorge dos Cabritos), Babaú, Nuno Veloso (professor na Alemanha), Nelson Sargento, Alfredo Português, Leléo, Zagaia, Marreta, Padeirinho, Geraldo da Pedra, Alfaiate, Homem-Bom, Ismar, Nêgo, Faninho, Arlindo, Maximiano, Geraldo Berchor, Júlio Moreira (1° ensaiador) – a vontade é citar todos, não esquecer ninguém. Deve-se exaltar a “Ala das cozinheiras” responsável por tantos êxitos dentro e fora da Quadra (inclusive nos festejos da Penha): Zica do Cartola, Nair Pequena e Menina do Carlos; Ruça, Virgínia, Maria Piloto, Diolinda, Maria Areoplano, China, Crisola, Aurora do Davi, Benvinda do Arlindo, Maria do Malvadeza, Rosa do Carípio, Esmeraldina, Aurora do Sinclair, Zilda Cabeleira, Creuza, Zilda Dente-de-Ouro, Rute, Marina, Ciana Pretinha, Joana Gorda, Joana do Zé Espinguela, Mida Georgina, Odete Pretinha.

Fala Mangueira!, LP lançado em 1968, pela Odeon. Um verdadeiro clássico do samba. Um feliz encontro de mangueirenses dedicado à E.P. de Mangueira.

MANGUEIRA TEU CENÁRIO É UMA BELEZA
QUE A NATUREZA CRIOU

Êste é um passeio que vamos fazer pelo Chalé, Vista Chinesa, Burraco da Poló, Pindura a Saia, Registro, Faria, Largo da Glória – redutos mangueirenses cheios de poesia e amor. Não podendo lembrar aqui toda a população da Manga, detivemo-nos em três de seus inúmeros grandes poetas para receberem a homenagem que prestamos aquela comunidade.

EM MANGUEIRA Á POESIA
NUM SOBE E DESCE CONSTANTE
ANDA DESCALÇO ENSINANDO
UM MODO NOVO DA GENTE VIVER

Aloyssio Maggessi criou o layout e coordenou no estúdio a bela capa deste álbum. Na gravação atuaram Marçal, Lima, Gilberto, Jair e Juquinha (ritmo); Canhoto (cavaquinho); Dino (7 cordas) e Meira (violão comum). Côro formado por Laura, Odête, Lila, Jorge e Claudir. O maestro Nelsinho dirigiu as duas sessões (16 e 23/agosto/68) em que foram gravadas as músicas deste LP que se mostrou assim depois de montado: FACE “A” faixa 1: Enquanto houver Mangueira (Odete Amaral); Lá em Mangueira (Clementina) e Mundo de zinco (Zezinho), faixa 2: Tempos idos (Odete e Cartola); Ao amanhecer (Cartola); Alvorada no morro e Quem me vê sorrindo (Odete) e Alegria (Clementina de Jesus). faixa 3: Lacrimário (Carlos Cachaça pela primeira vez em disco). Na FACE “B” encontramos: faixa 1: Saudosa Mangueira (Clementina); faixa 2: Sei lá, Mangueira (Odete, com especial destaque para a cuíca de Marçal); faixa 3: Rei vagabundoA Mangueira me chamaSempre MangueiraFolhas caídas e Eu e as flores, todas cantadas (a exceção de Folhas caídas, com Odete) e acompanhada pelo poeta Nelson Cavaquinho; faixa 4: Sabiá de Mangueira (Clementina), Exaltação a Mangueira (Zezinho) e concluindo Despedida de Mangueira com Odete Amaral, côro Clementina, Zezinho e o esfuziante trombone de Zezinho.

AQUELE MUNDO DE ZINCO QUE É MANGUEIRA
ACORDA COM O APITO DO TREM


Posteriormente, esse LP retorna após 10 anos numa edição comemorativa em homenagem aos 70 anos de Cartola. Por essa razão o disco mudou de nome (CARTOLA 70), mas o material, a gravação é a mesma. È desse álbum de 1978 que transcrevo fielmente abaixo a contracapa:

1965 — O LP Elizeth Cardoso sobe o morro“, com o repertório do musical Rosa de Ouro, produzido por Herminio Bello de Carvalho, no Teatro Jovem, já (ou finalmente) apresentava um grupo dos mais representativos músicos e compositores e das escolas de sambas cariocas até então desconhecidos (ou quase).

Este disco perpetua pela primeira vez a voz espessa e a famosa batida “galope” do iluminado “Poeta dos cabelos cor de prata” Nelson Cavaquinho alternando com a voz da Divina Elizeth composições do próprio Nelson, Elton Medeiros (nesta época ainda da “Aprendizes de Lucas“). Paulinho da Viola (descoberto naquele musical Histórico). Candeia, Nelson Sargento, Nescarzinho do Salgueiro, Zé Kétti, e outros além do Divino Mestre Cartola.

Entre os músicos lá estão: Elton (na caixa de fósforo irriquieta e prato e faca); Bucy Moreira (neto da legendária Tia Ciata) no tamborim; os violões de Nelson Sargento e Paulinho, e muitos outros bambas.

1966 — O Grande Cartola canta com a Primeira Dama de nossa canção Elizeth Cardoso, uma seleção de sambas da Estação Primeira.

1968 — Mais uma vez o nosso Bello Hermínio (como o chama a genial Aracy de Almeida) reúne Cartola, Nelson Cavaquinho, Clementina de Jesus (benção mãe!), Carlos Cachaça e Odete Amaral num LP onde se exalta a Mangueira sob o título: — “FALA MANGUEIRA!

Este LP é o resultado de uma solicitação feita pelo saudoso Vianinha, Oduvaldo Vianna Filho, que sugeriu ao Hermínio um musical sobre a Mangueira, que infelizmente não se concretizou.

Em tempo: Odete foi a criadora de “Sei lá Mangueira”, que obrigou tempos depois Paulinho da Viola a “retratar-se” diante de sua Portela com o também antológico “Foi um rio que passou em minha vida”.

1978 — A reedição deste disco é um tributo ao gênio do Divino Cartola que tem os seus setenta anos comemorados numa vasta programação promovida pela Fundação Nacional de Arte – FUNARTE

outubro/78
Luiz Carlos Santos


Fala Mangueira!

Odete Amaral, Cartola, Clementina de Jesus, Nelson Cavaquinho, Carlos Cachaça 1968, Odeon MOFB 3568 – DISCO É CULTURA

Lado A – “Enquanto houver Mangueira” (Roberto Roberti – A. Marques Junior) voz: Odete Amaral, “Lá em Mangueira” (Heitor dos Prazeres – Herivelto Martins) voz Clementina de Jesus, “Mundo de zinco” (Antônio Nássara – Wilson Batista) voz: Zezinho — ouça ♫ ; “Tempos idos” (Carlos Cachaça – Cartola) voz: Odete Amaral e Cartola, “Ao Amanhecer” (Cartola) voz: Cartola, “Alvorada no morro” (Carlos Cachaça – Cartola – Hermínio Bello de Carvalho) voz: Odete Amaral, “Quem me vê sorrindo” (Carlos Cachaça – Cartola) voz: Odete Amaral, “Alegria’ (Cartola) voz: Clementina de Jesus e Zezinho — ouça ♫ ; “Lacrimário” (Carlos Cachaça) voz: Carlos Cachaça — ouça ♫ .

Lado B – “Saudosa Mangueira” (Herivelto Martins) voz: Clementina de Jesus — ♫ ouça ; “Sei lá, Mangueira” (Paulinho da Viola – H.B. de Carvalho) voz: Odete Amaral — ouça ♫ ; “Rei vagabundo” (N. Cavaquinho – J. Ribeiro – N. Silva) voz: Nelson Cavaquinho, “A Mangueira me chama” (N. Cavaquinho – B.A. Soares – J. Ribeiro) voz: Nelson Cavaquinho, “Sempre Mangueira” (N. Cavaquinho – G. Queiroz) voz: Nelson Cavaquinho e côro, “Fôlhas caídas’ (N. Cavaquinho – Cesar Brasil) voz: Odete Amaral, “Eu e as flores” (N. Cavaquinho – J. do Cavaquinho) voz: Nelson Cavaquinho — ouça ♫ ; “Sabiá de Mangueira” (Frazão – B. Lacerda) voz: Clementina der Jesus, “Exaltação à Mangueira” (E.B. da Silva – A. Augusto Costa) voz: Zezinho, “Despedida de Mangueira” (B. Lacerda – Aldo Cabral) voz: Odete Amaral — ouça ♫ .


Produtor Fonográfico Indústrias Elétricas e Musicais Fábrica Odeon S.A. Milton Miranda (diretor de produção), Lyrio Panicalli (diretor musical), Hermínio Bello de Carvalho (assistente de produção), Luiz Sergio Nogueira (assistente de coordenação), Nelsinho (assistente musical), Z. J. Merky (diretor técnico), Jorge Teixeira da Rocha e Nivaldo Duarte Lima (técnicos de gravação), Reny R. Lippi (técnico de laboratório), Aloysio Maggessi (layout), Estúdio Azmanno (foto). *créditos dos músicos informados no texto acima.

1 comentário em “Fala Mangueira!”

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