Festival de Sambas Enrêdo 1971
  • "data": "7 maio 2020"
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Como nos anos anteriores (68,69 e 70) em 1971 foi lançado o 4° volume da Série “Festival de Sambas Enrêdo” esse, com os sambas para o Carnaval de 1971. Álbum que trago neste post. Os sambas-enredo neste disco são interpretados somente por um coral.


Sobre os sambas…

SALGUEIRO 71
Festa para um Rei Negro (Samba Reizado)
Zuzuca
[ ouça ♫ ]

Um dos sambas-enredo mais conhecidos da história. Quem não conhece “olêlê, olálá/ pega no ganzê/ pega no ganzá”? Bom, falando do samba: o seu refrão é maravilhoso, dá vontade de sair cantando. As demais partes não apresentam nada demais, já que são de mesma melodia, com versos praticamente iguais. Na eliminatória desse ano tinha um samba de autoria de Bala, que era muito superior, com o refrão: “senhor, ah, senhor, agora sei / que eu também tenho rei”. Um bom samba.

o lê lê, ô lá lá
pega no ganzê
pega no ganzá

nos anais da nossa história
vamos relembrar
personagens de outrora que iremos recordar
sua vida sua glória
seu passado imortal
que beleza
a nobreza do tempo colonial

hoje tem festa na aldeia
quem quiser pode chegar
tem reisado a noite inteira
e fogueira pra queimar
nosso rei chegou de longe
pra poder nos visitar
que beleza a nobreza
que visita o gongá

senhora dona da casa
traz seu filho pra cantar
para o rei que vem de longe
pra poder nos visitar
esta noite ninguém chora
e ninguém pode chorar
que beleza a nobreza
que visita o gongá

IMPÉRIO SERRANO 71
Nordeste, Seu Povo, Seu Canto e Sua Glória
Wilson Diabo – Maneco – Heitor
[ ouça ♫ ]

Muito bom, ótimo. Bela homenagem a Bahia. O samba-enredo como um todo é excelente. A melhor parte é quando começa a falar da plantação até o final. Lindíssimo. Um dos melhores sambas do Império Serrano, o que é muito difícil, já que o Império tem a melhor safra de sambas-enredo de todos os tempos.

Nordeste, o canto de sua gente
no Império está presente
para se comunicar
no fandango irradias alegria,
lendas, rezas e fantasias
tudo isso faz lembrar
Dona Santa desfilou desde menina
o pierrô e a colombina
são eternos foliões
pastorinhas, cirandeiras na cidade
sai o bloco da saudade
entram em cena os cordões
eia, eia, eia, boiada
eia, eia, o vaqueiro canta assim
plantador colhe e semeia
suplicando p’ra chover
arrastão feliz n’areia
as rendeiras a tecer
olê olá olê olê…
quando a lua se alteia
cantador canta vitória
viola afinada ponteia
o canto de um povo em glória
no Nordeste (breque)

IMPÉRIO DA TIJUCA 71
O Misticismo da África ao Brasil
Mário Pereira – João Galvão – Wilmar Costa
[ ouça ♫ ]

O samba começa muito bem, principalmente nos três primeiros versos. A primeira parte é maravilhosa. O refrão central é sem igual. A segunda parte é divinal também. O refrão principal segue a mesma linha. Um dos grandes sambas-enredo do “Imperinho“.

lua alta, som constante
ressoam os atabaques
lembrando a África distante
e o rufar dos tambores,
lá no alto da serra
personificando o misticismo
que aqui se encerra
saravá pai Oxalá
que meu samba inspirou
saravá todo povo de Angola Nagô
agô ôôô ôôô…

lá na mata tem mironga
eu quero ver
lá na mata tem um côco
este côco tem dendê

das planícies às cochilhas
o misticismo se alastrou
num torvelhinho de magia
que preto velho ditou
e o fetiche e o quebranto
ele nos legou

eu venho de Angola
sou rei da magia
minha terra é muito longe
meu gongá é na Bahia

tem areia ô… tem areia
tem areia no fundo do mar, tem areia

VILA ISABEL 71
Ouro Mascavo
Jonas – Arroz – Djalma
[ ouça ♫ ]

A primeira parte é muito boa, principalmente no trecho: “nos terreiros bandeiras a oscilar/ sorriam brancos e negros/ ao verem a moenda girar”. O refrão é o auge da obra. A segunda parte é boa também, como todo o resto da obra. Não é um dos melhores da Vila, mas é um bom samba.

ao despertar do dia
o povo com imensa alegria
festejava a moagem da cana
ao som de vibrante melodia
vivendas ornadas de lindas flores
davam um toque sutil e atraente
numa mistura de cores
nos terreiros bandeiras a oscilar
sorriam brancos e negros
ao verem a moenda girar

gira gira moenda
gira sem parar
pra fazer garapa
pra nergo velho tomar

no auge da festa colossal
na casa grande
o luxo e a graça imperavam
senhores e damas desfilavam
no salão senhorial
esquecendo a senzala
num canto forte que fala
batucando com efusão
os negros dançavam
sob grande emoção

ô ôôô ôôô
ao ouro mascavo
o nosso louvor
ô ôôô ôôô
hoje é dia de festa
senhor.

SÃO CARLOS
Brasil Turístico
Darcy do Nascimento – Oliviel Oliveira – Nilo Mendes
[ ouça ♫ ]

Ótimo samba-enredo. O “lá rá rá” é divinal. A primeira parte é muito boa. O refrão central é maravilhoso, um dos melhores pontos da obra. A segunda parte é esplêndida. Um dos melhores sambas-enredo da São Carlos. Não ganha tanto destaque no disco, por causa dos sambas do Salgueiro, Mocidade, Império Serrano, Império da Tijuca e Portela.

brilha sob este céu azul,
o que me faz sentir
orgulho e sedução
exaltando os bravos bandeirantes,
seus lindos campos floridos,
suas florestas verdejantes
as cataratas do Iguaçu,
gruta de Maquiné,
terra do batuquejê de Aruanda,
e do famoso Candomblé,
do frevo e do maracatu

salve Iracema
oh! lugar
beleza suprema, poema
boi bumba oi!

turismo tem
em todos os recantos
tem no norte, tem no leste
tem no centro, oeste, sul
quem parte leva saudade de alguém
do clima tropical
quem fica pela cidade
desse país majestade
vai ficar lembrando o carnaval
vaquejada, o mestre Aleijadinho
são riquezas que enobrecem
novos caminhos
pelos lindos cantos e recantos
é que eu canto:
venham ver o meu Brasil tri-campeão:
lá lá lá ia lá
lá iá lá iá lá iá lá iá

MANGUEIRA 71
Modernos Bandeirantes
Darcy da Mangueira – Hélio Turco – Jurandir
[ ouça ♫ ]

O refrão central é minha parte preferida do samba. Como um todo é um bom samba da “Manga“, contando a historia da nossa aviação.

boa noite meu Brasil
saudações aos visitantes
trago neste enredo
fatos bem marcantes
os modernos bandeirantes
do Oiapoque ao Chuí
até o sertão distante
o progresso foi se alastrando
neste país gigante
no céu azul de anil
orgulho do Brasil
nossos pássaros de aço
deixam o povo feliz
ninguém segura mais este país

busquei na minha imaginação
a mais sublime inspiração
para exaltar
aqueles que deram asas ao Brasil
para no espaço ingressar
ligando os corações
o correio aéreo nacional
atravessando fronteiras
cruzando todo o continente
e caminhando vai o meu Brasil
para frente

Santos Dumont
hoje o mundo reconhece
que você também merece
a glorificação

PORTELA 71
Lapa em Três Tempos
Ary do Cavaco – Rubens
[ ouça ♫ ]

Um dos melhores sambas da Portela e do disco. Um samba-enredo sem falhas, é todo espetacular. A parte que mais gosto é o começo e o refrão: “olha a roda de malandro/ quero ver quem vai cair/ capoeira vai plantando/ pois agora vai subir”. Maravilhoso.

vem dos vice-reis
e dos tempos do Brasil imperial
através de tradições
até a República atual
os grandes mestres do passado
dedicaram obras de grande valor
a Lapa de hoje e a Lapa de outrora
que revivemos agora

a seresta quantas saudades nos traz
os cabarés e as festas
emolduradas pelos lampiões a gás
as sociedades e os cordões
dos antigos carnavais

olha a roda de malandro
quero ver quem vai cair
capoeira vai plantando
pois agora vais subir
poeira, oi poeira
o samba vai levantar poeira

imagem do Rio antigo
berço de grandes vultos da história
a moderna arquitetura lhe renova a tôda hora
mas os famosos Arcos,
os belos mosteiros
são relíquias deste bairro
que foi o berço de boêmios seresteiros

abre a janela formosa mulher
cantava o poeta trovador
abre a janela formosa mulher
Na velha Lapa que passou

UNIDOS DE PADRE MIGUEL 71
Samba do Criôlo Doido
Nelson Oliveira – Duduca da Aliança
[ ouça ♫ ]

Me agrada, mas não é grande coisa. A primeira parte não é grande coisa. O refrão é bom, mas não é lá grande coisa. A segunda parte é maravilhosa. O refrão é bom, mas não é grande coisa também. A terceira parte é de intenso agrado e o refrão também. Bela homenagem a Sérgio Porto.

esta linda história
nasceu da imaginação
do imortal Sérgio Porto
e passará de geração a geração
sua obra emocionante
jamais esqueceremos
sua sátira tão bela
neste carnaval exaltaremos

criôlo doido
é sublime a sua história
compositor de grande escola
que um dia viu fugir sua memória
enquanto inconfidência, abolição, proclamação
foram os temas principais
o criôlo doido
era campeão nos carnavais

mas quando a bonança terminou
e a escola um novo enredo escolheu
sobre a atual conjuntura
foi aí que o criôlo endoideceu
inventou toda a história do Brasil
e o resultado foi aquele que se viu
Dona Leopoldina virou trem
D.Pedro é uma estação também

MOCIDADE INDEPENDENTE 71
Rapsódia de Saudade
Tôco
[ ouça ♫ ]

Um dos melhores sambas-enredo de 71, senão o melhor. “Rapsódia de Saudade” é um dos melhores da Mocidade, senão o melhor também . A primeira parte é de intenso agrado. O refrão central é sem igual, maravilhoso, excelente, divinal… A segunda parte também é muito boa. O refrão principal também é excelente. Enfim, uma obra-prima de Tôco, um dos melhores compositores da história.

canto,
faço do samba a minha prece
sinto que a musa me aquece
com o manto da inspiração
ao transportar-me pelas asas da poesia
ao som de lindas melodias
que vai fundo no coração

então componho um poema singular
rememorando obras célicas
do cancioneiro popular

oh, divina música
tua magia nos envolve a alma
tua sutileza nos seduz
pois emanas a luz
que enebria e acalma
tu és a linguagem dos cantores
tuas entonações
nos inspiram amores

música, nos traz saudades coloridas
dos trovadores em serestas
e das canções sentidas

IMPERATRIZ 71
Barra de Ouro, Barra de Rio e Barra de Saia
Niltinho Tristeza – José Inácio Catimba
[ ouça ♫ ]

Simplesmente adoro. É um samba bem corrido. O refrão principal é muito bom, apesar de, como todo o resto, ser entoado muito rapidamente. A primeira parte é maravilhosa. O refrão central me agrada, apesar de ser uma parte quase impossível de ser cantada. O refrãozinho depois é de intenso agrado. A última parte não me agrada muito, não, mas tem sua beleza. Um ótimo samba.

é tempo de barra de ouro
barra de rio, sim, senhor
e tempo de barra de saia
união de três raças por amor
(vamos cantar…)

a Imperatriz se engalana
por destino soberana
e traz pra este carnaval
fatos de uma era tão marcante
em que o ouro era constante
despertando a cobiça universal
quando aventureiros vindos de além-mar
com o ouro encontrado procuravam conquistar
os amores das nossas negras, mulatas e sinhás
e nas barras de suas saias, entoavam madrigais
sem saber amar

Ina-ê que vem do tempo que traz o vento
que faz o ouro rolar no rio
que faz o rio rolar pro mar, rolar pro mar

olha a saia dela, ina-ê
como o vento leva no ar

lá, laiá, laiá
ô ô ô
lá, laiá, laiá
ouro, rio, amor

Vitor Ferreira / sambario


Festival de Sambas Enrêdo 1971

1971, Relêvo (R.V-207)
DISCO É CULTURA

Festival de Sambas Enrêdo 1971

Considerações finais

Espero que você tenha gostado desse post com o álbum Festival de Samba, com os sambas-enredo para o Carnaval de 1971 pelo selo Relêvo. Se assim for, encorajo você a se inscrever na newsletter do blog, abaixo. Ao informar seu email, você receberá todas as novas publicações do blog automaticamente.

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