João Nogueira 1972
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O começo da carreira do grande compositor e sambista João Nogueira foi com este seu primeiro LP, lançado pela Odeon, em 1972. A capa do disco é originalíssima, replicando a manchete do jornal O Globo, onde o escritor e jornalista Carlos Jurandir nos apresenta o artista e seu disco de estréia. Certamente, a manchete saiu antes do lançamento do disco. A capa, (transcrita abaixo) por si só, já dá o recado.


Disco de João Nogueira redescobre os valores do subúrbio e levanta a voz da Lapa, mas com características modernas, trazendo uma contribuição muito pessoal na maneira de “disser” samba.

Disco de 12 sambas, o grito de subúrbio com o som da Lapa.

“ALÔ, Madureira!” Reza rezada pela rezadeira, vela que se acende na segunda-feira, sorriso de moça namoradeira, golinho de cana como abrideira, tutu com feijão, couve à mineira. O pessoal do Conjunto Nosso Samba, Frederyko, Netinho, Oberdan. E João Nogueira: depois de “Corrente de aço”, sucesso cantado por Elizeth Cardoso, e “Das 200 para lá”, por Eliana Pittiman do compacto com “Alô Madureira”, e “Mulher valente”, da apresentação no Festival de Juiz de Fora, ele grava o seu primeiro LP. São 12 sambas, dois: “Maria Sambamba” de (Casquinha) e “Sétimo dia” de (Garça), com todas as variações de uma corrente que nasceu na Lapa com Jaime Silva, Buci Moreira, Arnô Canegal, Raul Marques e Geraldo Pereira.

UMA saudação ao subúrbio carioca, onde ele viveu, “Alô, Madureira”, é um sambão que procura valorizar “as coisas simples das gentes”. Nascido e criado no Méier, João se volta contra os valores que a tecnologia moderna impôs a uma cidade como o Rio de Janeiro. E é no subúrbio — onde ainda é possível encontrar um botequim como o “Pé na Poça”, o ponto de encontro dos sambistas que descem dos morros — que o samba vai buscar as suas raízes.

Errado

EM JOÃO NOGUEIRA — sambista desde que ouviu uma música do próprio pai, morto quando ele tinha dez anos — essas raízes se complicam. Começa pela maneira pela qual João aprendeu a tocar o violão em acompanhamento. Sua batida — ao contrário da de João Gilberto, que adianta os tempos fortes — se baseia nos tempos fracos, invertendo a marcação da bossa-nova. Como, ao cantar, João Nogueira entra só depois de ouvir o acorde, ele seria um bossa-novista “errado”. E, na tradição do pessoal da Lapa, faria um samba “quebrado”, próximo do telecoteco.

“BLÁ-BLÁ-BLÁ”, outra faixa do disco, é a história de um amor que acaba pela convivência e as dificuldades da vida. Gisa Nogueira, irmã do compositor, já lançada no LP de Clara Nunes com o samba “Opção”, canta em duo com ele. Sambista também, ela tem várias músicas e algumas parcerias com o irmão. D. Vicentina, irmã de Natal, que, há anos, faz a feijoada da Portela, faz o côro de “Alô, Madureira” e, segundo João, “tem a voz da velha partideira, como Clementina, e o timbre das cantoras de jazz americanas”.

CASQUINHA, da Velha Guarda da Portela, que entrou na formação de Paulinho da Viola, é homenageado nesse disco com a inclusão de seu samba “Maria Sambamba”. E João interpreta “Prum Samba”, de Egberto Gismonti, não por uma questão de ecletismo, que, no caso, “seria falso: é talvez a música mais velha guarda que incluímos nesse disco”.

Malandro

A CONVIVÊNCIA com sambistas e o côntato com o jazz e a música moderna americana fizeram de João Nogueira um homem de samba que valoriza a interpretação. Embora não procure reforçar qualquer um dos seus atributos vocais, o samba “quebrado” e a voz roufenha — que se aproxima dos elementos defendidos por Gismonti na sua música (o cavaquinho rouco, á flautinha e o violão) — estão mais próximos da escola de Wilson Batista e Geraldo Pereira, o que seria um retorno ao chamado “samba malandro”.

É O TOM coloquial de “Sétimo dia”, samba do ex-guarda de presídio Garça, e de “Heróis da liberdade”, de Mano Décio e Silas de Oliveira, que morreu como zelador de uma escola em Madureira. “Beto Navalha”, de João, também conta uma história: a do homem que tiranizava o morro da Matriz. Intransigente e cruel, dono dos atos e das palavras de todas as pessoas: esse homem, ao ser desafiado por um dos que ele humilhava, demonstra que a sua maior arma era o medo.

Para esse LP Adelzon montou um repertório com músicas de João (maioria) e o restante das faixas dividido entre composições de autores contemporâneos e de mestres do samba.

EX-FUNCIONÀRIO da Caixa Econômica e o Natal de um pequeno bloco carnavalesco no Méier, João Nogueira escolheu o samba por ter tido a rua como escola: — Quem aprende na rua não pode dividir, não há tempo para ter duas coisas, o negócio é procurar ser bom numa só.
SER compositor é ter uma vida dura, como todo mundo. Mas essa vida, feita de alegrias e tristezas, é um pouco menos dura para quem sabe cantar. Mas ser sambista não é só viver de música: é preciso assumir o que a música diz. Uma questão de responsabilidade.

Carlos Jurandir
O GLOBO 25-09-72

JOÃO NOGUEIRA

Canta, quem canta, seus males espanta
E de um samba de amor, pode surgir a luz…

DEPOIS…

Eu tenho no peito um tesouro
E o meu coração é de ouro…

TEM MAIS…

Sou mestre e não sinto cansaço
A minha corrente é de aço
Se quer ser feliz
Cante comigo também.

Esse recado, na voz de Elizeth Cardoso, marcou a chegada de mais um grande nome na música popular brasileira.
É mais um JOÃO que veio diferente no cantar samba e fazer verso.
É mais uma reza forte nas quebradas, meu compadre.

Olha ai, gente boa! Pintou umas feras no som deste disco.
Altamiro Carrilho (flauta); Dino (violão de sete cordas); Sidney da Conceição (pandeiro nos sambas partido-alto); Lula e Juquinha (bateria); Neco (violão); Dom Salvador (piano e órgão) e os técnicos de som: Nivaldo e Toninho.

Adelzon Alves
Assistente de Produção
contracapa

Sobre esse álbum, Luiz Fernando Viana, em seu livro: João Nogueira: DISCOBIOGRAFIA (Casa da palavra), dedicou um capítulo:

João sempre gostou de carros. E sempre dirigiu mal. Ou, dito de outra forma, dirigia de maneira pouco previdente, com pelo menos uma das mãos dedicada ao fumo, e sem documentos — próprios e do veículo do momento. Nonato Buzar, um copiloto frequente, tinha o costume de pôr o pé esquerdo sobre o próprio banco de maneira a pular com mais rapidez em direção ao pedal do freio em caso de necessidade.

Em parte da década de 1970 João carregava amigos e parentes num fuscão, o Trovão Azul, segundo ele, com o qual sofreu até um acidente na avenida Brasil. Antes, chegou a dirigir por cerca de três meses um Ford 1936, cuja ignição se dava após o giro de uma manivela à frente do carro, como se vê em filmes antigos. Rumo a um dos shows ainda semiprofissionais que fazia, sujou sua calça branca, filha única do figurino escolhido para aquela noite, tentando que a manivela cumprisse sua função. Mas não aceitou uma sugestão para modernizar o bólido.

— A jogada tá na manivela — dizia com a teimosia característica.

Nesse início de carreira, virada dos anos 1960 para os 1970, João tinha a companhia de poucos músicos no palco. Um fixo era Milton Manhães, que tocava pandeiro e também gostava de fazer uns malabarismos com o instrumento. Quando o número o incomodava, João mandava Pezão, apelido autoexplicativo de Manhães, parar com a festa. Outro era Carlos Althier de Souza Lemos Escobar, o Guinga, ainda distante de se transformar num dos mais originais violonistas e compositores brasileiros. Helio Delmiro, amigo em comum, apresentou um ao outro.

— Vou te roubar da Alaíde Costa. Você vai ganhar um papel numerado (dinheiro) — prometeu João, que conseguiu, de fato, fazer Guinga deixar de acompanhar a cantora para seguir com ele por churrascarias, boates e clubes suburbanos, nos quais o “papel numerado” era miúdo e arriscado.

Certa vez, irritado com o comportamento da plateia do clube Aliados, em Campo Grande, bairro da Zona Oeste carioca, o cantor bateu boca com quem não estava prestando atenção no show e teve de liderar seus músicos numa corrida rumo à portaria e à manutenção da integridade física, maculada pelo arremesso de objetos.

Além de não ser de brigas corporais, Guinga nunca foi de compor samba. Conta nos dedos os poucos que fez. João brincava:

— Tu é valseiro, Guinga. Ainda vou fazer uma valsa com você. — Essa promessa ele não cumpriu.

Na hora de gravar as músicas, Manhães e Guinga raramente tinham vez. Possuíam pouca experiência em estúdio e nenhuma em ler partituras — algo complicado no caso de um violonista, mesmo tendo ouvido privilegiado, pois um Dino 7 Cordas ou um Zé Menezes mal precisava ensaiar antes de executar um arranjo, rapidez que poupava dinheiro das companhias de discos. Na percussão, feras também velozes estavam à disposição nos estúdios, a começar pelo trio entrosado como um meio-campo que joga por música: Luna, Marçal e Eliseu.

E ainda havia maestros e orquestras a dar suporte aos artistas que integravam os elencos das gravadoras. Elas mantinham gordas folhas de pagamento porque vender música em LPs, compactos e fitas cassete era ótimo negócio. Ainda era muito raro fazer um disco chegar a 1 milhão de cópias, como se tornou menos incomum a partir do final dos anos 1970. Mas o volume de vendas compensava o investimento, já que não havia outra maneira de as pessoas adquirirem as músicas que ouviam no rádio e na televisão, senão indo às lojas — que também existiam nas ruas. Para ter esse volume, como em qualquer grande ramo industrial, era preciso trabalhar em escala, lançar muitos produtos. Na ponta do lápis, saía mais em conta pagar salários a produtores, arranjadores e orquestras do que contratá-los por hora de gravação. Afinal, gravava-se 24 horas por dia.

(Embora fundada em 1958, a Associação Brasileira dos Produtores de Discos só tem armazenados números de vendas de discos e do mercado fonográfico como um todo a partir de 1990, pois os antigos registros em papel não foram digitalizados, o mesmo acontecendo com as gravadoras, o que impossibilita quantificações exatas.)

Respaldado pelo bom início de trabalho com Clara Nunes — que se tornou, em 1971, a primeira brasileira a ultrapassar as 100 mil cópias, vendas puxadas pelo sucesso de “E baiana” —, Adelzon Alves convenceu a Odeon a realizar o primeiro LP de João num dos estúdios da companhia, na avenida Rio Branco, 277, no Centro do Rio. Pelas razões explicadas anteriormente, o fato de ser um iniciante não o privava de contar com arranjos do maestro Lindolfo Gaya, então diretor musical da Odeon, e com o acompanhamento de gente como Dino 7 Cordas, o flautista Altamiro Carrilho e Dom Salvador, um pianista paulista que já tocara com Elis Regina, Jorge Ben, Elza Soares, formara os importantes grupos Rio 65 Trio e Abolição, e se preparava para trocar de vez o Brasil pelos Estados Unidos, onde se destacaria no cenário do jazz.

Para “João Nogueira” ou “Grito do subúrbio”, nome pelo qual também ficou conhecido em função da expressão aparecer na contracapa, reproduzindo o título de um texto do jornal O Globo (“Disco de 12 sambas, o grito do subúrbio com o som da Lapa”), Adelzon montou um repertório cujo formato não sofreria fortes alterações na carreira do artista: músicas próprias em sua maioria e o restante das faixas dividido entre composições de autores contemporâneos e de mestres do samba. Uma diferença importante é que as músicas próprias eram só do João, melodia e letra, pois era assim que ele fazia até então. E quem passou a associá-lo depois ao balanço do samba sincopado ouviu, nesse primeiro disco, predominantemente sambas dolentes, mesmo tristes, em torn menor. — Ele gostava de uma blue note —, diz Guinga, referindo-se à nota que foge de determinado padrão harmônico e imprime melancolia a uma melodia. — A alma do João era em tom menor —, resume o compositor e amigo Paulo César Feital.

Essa marca foi apresentada logo na faixa de abertura, “Morrendo verso em verso” [ ouça ♫ ], que parte do público já ouvira na voz de Clara. A tristeza explicitada no título era sublinhada pelas cordas escritas por Gaya. A cereja do bolo amargo era uma descida da voz de baixo profundo de João a seu ponto mais grave para dizer “verso” na parte final da interpretação.

Na segunda, “Maria Sambamba” [ ouça ♫ ], já aparecia o cantor dos sambas sincopados, aqui mostrando uma criação de seu confrade portelense Otto Henrique Trepte, o Casquinha. Os vocalises, que se tornariam célebres nos dois discos seguintes, surgiam com brilho.

Propositalmente ou não, “Beto Navalha” [ ouça ♫ ] e “Mãe solteira” formavam um par. Na primeira, João contava a história de um “sujeito malvado”, tirano da favela da Matriz, que morre por não saber que “não se vive direito com ódio no peito e armas na mão”. O cantor conheceu no Méier um tipo semelhante, Zé das Mil. Enfim, um malandro valente como tantos dos sambas de Wilson Batista, só que este costumava exaltá-los. Na segunda, “Mãe solteira” [ ouça ♫ ], a letra de Wilson é uma crônica pungente sobre uma porta-bandeira que ateou fogo às vestes após engravidar de um homem que não a quis. Já no seu primeiro disco, João homenageava um de seus ídolos.

No tal texto de O Globo, publicado em 25 de setembro de 1972 e presente na capa, o jornalista Carlos Jurandir ressaltava um retorno, promovido por João, do “samba malandro” de Wilson e Geraldo Pereira. Na reportagem, o novato afirmava:

— Quem aprende na rua não pode dividir, não há tempo para ser duas coisas, o negócio é ser bom numa só.

A coisa escolhida por João foi o samba, mas nesse campo ele mostrava excelência na composição e, também, no canto.

Em “Alô, Madureira” [ ouça ♫ ], que já saíra num compacto com “Mulher valente é minha mãe” do outro lado, é o autor de partido-alto que se destaca. Tia Vicentina, pastora da Portela e estrela de Madureira (irmã do bicheiro Natal), fez a saudação — título na abertura da faixa. Em “7° dia” [ ouça ♫ ], canção de fossa do ex-guarda de presídio Garça, é o intérprete de temas noturnos quem perguntava: — Como pode o corpo viver se o coração já teve fim?

Ouvida tempos depois, a versão de “Heróis da liberdade” [ ouça ♫ ] parece homenagem a outro mestre, Silas de Oliveira. E era, pois o maior criador de sambas-enredo morrera em maio daquele ano. Mas ressalte-se a escolha de um samba que fora para a avenida apenas três anos antes e ainda não tivera tempo para se firmar como o clássico que se tornou. João cantou em andamento lento, inimaginável no carnaval do século XXI, e acompanhado apenas de percussão (Sidney da Conceição, Lula e Juquinha estão entre os participantes do disco citados na capa).

Mariana da Gente” [ ouça ♫ ] é, melodicamente, da linha de “Morrendo verso em verso”: tom menor, notas longas, ênfase nos graves. O acompanhamento de grupo regional, no qual se destacavam o violão de Dino e a flauta de Altamiro, ganhou o acréscimo do órgão de Dom Salvador. A letra é da família de “Beto Navalha’: a das crônicas sociais. No caso, sobre uma jovem suburbâna que, atraída por “um moço da cidade”, troca Piedade por Copacabana, a vida pacata pelas perdições. No ano seguinte, Beth Carvalho também gravaria a canção.

Pr’um samba” [ ouça ♫ ] surpreendia pelo autor, Egberto Gismonti, um grande músico que tinha pouca ligação com o gênero. Mas a composição não era nada heterodoxa, era tradicional, lenta, falando do próprio samba e de desamor. “Meu caminho” [ ouça ♫ ] seguia pela mesma estrada, com belos versos de João: (“Eu não sabia que ser poeta é ser um sócio da dor”; “Bebo em cada trago gotas de loucura”) e, pela segunda e última vez no disco, cordas.

A inclusão de “Das 200 pra lá” [ ouça ♫ ] servia para mostrar quem era o autor deste sucesso, pois a gravação de Eliana Pittman, naquele mesmo ano, dera à música grande repercussão. Em primeiro lugar, por causa da sua qualidade, com estrutura de partido-alto e letra engenhosa. Em segundo lugar, pelo tema. João era mecanógrafo (atualizava saques e depósitos nas cadernetas dos clientes em tempos pré-digitais) da Caixa Econômica e costumava ver navios da Marinha parados na baía de Guanabara. A sua paisagem cotidiana somou-se, como inspiração, o decreto-lei de 1970 que aumentava a extensão do território marítimo brasileiro para 200 milhas, um desdobramento do episódio conhecido como “Guerra da Lagosta”, que opôs França e Brasil na década de 1960 — navios franceses queriam pescar lagostas em grande escala perto da costa de Pernambuco, houve idas e vindas nas autorizações, incluídas apreensões de barcos e tensões diplomáticas. João sofreu patrulha de uma parte da esquerda que o via defendendo uma decisão do regime militar, mas ele estava, na verdade, do lado dos pescadores brasileiros. A música foi citada numa reportagem da revista americana Time em que um diplomata francês dizia não haver mais o que fazer depois de o decreto ter caído na boca do povo em forma de samba.

O disco terminava também para cima, com Gisa e o irmão dividindo a interpretação de “Blá, blá, blá” [ ouça ♫ ], que transmitia o ensinamento que é lei no mundo do samba: “Quem não pode com mandinga não carrega patuá.”

Se não fez grande sucesso, “João Nogueira” serviu para mostrar que aquele não era um sambista comum. — É mais um João que veio diferente no cantar samba e fazer verso. É mais uma reza forte nas quebradas, meu compadre —, saudou Adelzon no texto da capa.

O próprio Adelzon lembra que, na primeira vez em que foi escalado para gravar com João, Dom Salvador penou para acompanhar aquele intérprete de divisão peculiar, que avançava no compasso seguinte para depois retornar ao ponto onde os músicos estavam. Teria sido Gaya, de passagem pelo estúdio, quem escrevera notas numa pauta e orientara o pianista: — Toca isso aqui. Se você for tentar segui-lo, não vai alcançar nunca.

Também houve quem ouvisse, em outro momento, Dom Salvador explicar a instrumentistas neófitos em João que não havia nada de errado naquela forma de cantar. Só era diferente, muito diferente. Como o próprio gostava de dizer, foi um estilo aprendido na rua, andando e ouvindo. Sem ser do morro ou das universidades, João assim se classificava: — Sou sambista da calçada.


João Nogueira

João Nogueira (Odeon, SMOFB 3749, 1972) DISCO É CULTURA – Ouça no spotify ou youtube

João Nogueira 1972

FICHA TÉCNICA — Milton Miranda (diretor de produção), Maestro Gaya (diretor musical, orquestrador e regente), Adelzon Alves (assistente de produção), Z. J. Merrky (diretor técnico), Nilvaldo Duarte, Zilmar Araújo e Toninho (técnico de gravação), Willy Paiva Moreira (técnico de laboratório), Jorge Teixeira (remixagem), Cocchiararo (lay-out), Callbert (foto).