Martinho da Vila (1969)

Disco Martinho da Vila

Martinho da Vila virou um dos maiores sambistas da história do cancioneiro brasileiro com seu aclamado álbum de estreia. O primeiro LP da carreira o colocaria como um dos grandes astros do samba ao conseguir unir várias vertentes do gênero em composições memoráveis até os dias de hoje, clássicos inestimáveis do o samba.


Martinho da Vila tinha recebido o convite da RCA para estrear num disco de intérprete de canções alheias. Mas recusou — não queria ser cantor, apenas compositor. A gravadora, então, fez a contraproposta: aceitou que ele registrasse em disco suas composições, como uma concessão. Depois, eles fariam o outro, para valer. Martinho juntou uns amigos, foi para o estúdio e gravou um punhado de sambas seus, entre eles Casa de bamba, O pequeno burguês, Quem é do mar não enjoa… — Pensei: “Isso para mim é bom, vou ter minhas músicas registradas para mostrar para os intérpretes, fica mais fácil.” Não queria mais que isso. Mas, quando o pessoal da gravadora ouviu, falou: “Taí o seu disco.” Voltamos para o estúdio e refiz as gravações, de uma forma mais profissional — conta o compositor, lembrando a origem de seu primeiro disco, Martinho da Vila, de 1969.

Da contracapa deste LP, transcrevo o texto abaixo:

Há algumas coisas em que eu tenho uma fé inabalável. Uma delas é a força da música popular brasileira, especialmente do samba.

Não importa se, de vez em quando “o samba ameaçe ir pro brejo” — como diz o nosso Saldanha — porque Nosso Senhor dá uma de torcedor e surge um Chico Buarque de Hollanda e um Martinho da Vila.

Não vamos polemizar porque o importante é cantar. Cantar Chico, Martinho e todos os antecessores e pósteros dêsses dois grandes compositores.

Martinho da Vila, de 1969, é um disco raro na música brasileira, um LP de estreia que parece disco de veterano, tal a segurança, a quantidade de sucessos e a maturidade [Hugo Sukman].

Foi justamente, quando a água não estava lá muito pra peixe, que apareceu Martinho. E, se os festivais não tivessem deixado muita coisa positiva, bastaria o advento de Martinho com Casa de bamba como saldo.

Martinho diz que não é cantor. Mas sua força de comunicação, sua divisão originalíssima, sua simpatia, seu ritmo, sua voz selvagem e de timbre personalíssimo, o que são senão atributos de um cantor atual? E por isso me recuso a aceitar sua afirmativa modesta de que sou seu inventor. Nada disso.

Aqui está o primeiro Lp dêsse extraordinário compositor-cantor, depois de três sucessos — Casa de bamba, Yá-Yá do cais dourado e o Pequeno burguês. O povo — juiz de última instância — é que vai dar a Martinho o seu legítimo e definitivo título.

Na face “A” dêste Lp procuramos estabelecer uma espécie de ordem cronológica na carreira de Martinho, com as suas primeiras composições (samba-enrêdo), seu primeiro sucesso e sua mais recente composição, feita no último dia da gravação dêste disco.

Na face “B” colocamos algumas composições inéditas tais como Quem é do mar não enjôa, Brasil mulato e outros sucessos como Parei na sua e Pra quê dinheiro?

Rômeu Nunes
contracapa


Martinho da Vila

Martinho da Vila 1969, RCA Victor BBL-1488 – DISCO É CULTURA – Ouça no spotify, youtube ou itunes

Disco Martinho da Vila

Lado A: “Bôa noite” (Martinho) / “Carnaval de ilusões” (Martinho – Gemeu) / “Caramba” (Martinho) ; “Quatro séculos de modas e costumes” (Martinho) ; “O pequeno burguês” (Martinho) ; “Iaiá do cais dourado” (Martinho – Rodolfo) ; “Casa de bamba” (Martinho) ; “Amor, pra que nasceu?” (Martinho).

Lado B: “Quem é do mar não enjôa” (Martinho) ; “Brasil mulato” (Martinho) ; “Tom maior” (Martinho” ; “P´ra que dinheiro” (Martinho) ; “Parei na sua” (Martinho) / “Nhêm, nhêm, nhêm” (Martinho – Cabana) ; “Grande amor” (Martinho).


Romêu Nunes (direção artística)

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