Na Madrugada

Na Madrugada Paulinho da Viola Elton Medeiros

Elepê “Na Madrugada” (1966): Chamando Hermínio Bello de Carvalho para produzir o disco, a RGE sabia que a escolha era perfeita, pois além de descobrir Paulinho da Viola e praticamente lançar Elton Medeiros profissionalmente, já tinha dirigido a dupla em seu espetáculo musical “Rosa de Ouro” e conhecia profundamente a obra realizada e a em potencial de ambos.


Sabendo das coisas, que a principal virtude do samba e do sambista é a simplicidade, Hermínio tratou de armar o repertório e acompanhamento de acordo com o clima que um disco chamado “Na Madrugada” e ambientado no samba exigia. Chamou o poderoso violão de sete-cordas do Horondino Silva, o Dino, para trazer parceria com o pé-de-boi do venerável Meira (embora algumas vezes o ainda principiante violão de Paulinho se auto-acompanhe) e somou a eles o perfeito cavaco de centro do Canhoto. Nos sopros dois instrumentistas de antologia na MPB: o flautista Copinha (que já diz na abertura solando a melodia introdutória criada por Paulinho) e um trombone que orgulharia qualquer gafieira, assinado por Raul de Barros, tudo isso tendo ao fundo a mais perfeita “cozinha” que qualquer sambista veterano poderia sonhar (imagine-se dois estreantes!): Gilberto, Luna, e Jorge revezando-se na percussão, garantindo o ritmo sensacional que a remasterização sublinha de forma impossível ao tradicional “bolachão” de vinil. O corro feminino, recrutado no bloco carnavalesco Foliões de Botafogo, intervém nos momentos exatos e é mais que necessário chamar a atenção para a performance de Elton Medeiros, quando empunha a caixa de fósforos já no inicio do LP, o belíssimo samba “Arvoredo”, “conversando” com o violão de Paulinho da Viola, mostrando sem mais delongas o que será o disco que Sérgio Porto — o inefável Stanislaw Ponte Preta — não se cansava de classificar como seu “disco de cabeceira”.

Arley Pereira
site oficial de Paulinho da Viola

Esse disco teve várias edições. A primeira de 1966, pela RGE (XRLP-5.298) já com o título “Samba na Madrugada”. Posteriormente, em 1968 pela Premier (PRLP-1.058). Novamente pela Premier em 1975 (307.3024). No ano de 1989 foi a vez da reedição da RGE (308.6202). Todas no formato LP. Em CD, temos pela Som Livre em 2002 (4291-2) e por fim, em 2015, pela Karup Discos (KCD 251). Pela quantidade de “edições” dá para se ver a qualidade deste álbum. A seguir, transcrevo o texto da contracapa, da edição de 89 da RGE.

O samba carioca esta aqui lindamente representado pelos compositores Elton Medeiros e Paulinho da Viola, das Escolas de Samba “Aprendizes de Lucas” e “Portela” respectivamente . São também meus parceiros queridos e ligados a minha vida artística pelo musical “Rosa de Ouro” que dirigi e que eles integraram com talento graças a Deus. Elton Medeiros (Elton Antônio de Medeiros) nasceu na antiga Travessa Cassiano ali na Glória, em 22 de julho de 1930. O primeiro Bloco em que saiu, foi aquele organizado pelo seu irmão e constituído só de garotos solenemente vigiados por uma vizinha chamada Dona Maria. Mais tarde ingressou no “União do Amor”, na Circular da Penha. Depois tornou-se por convite de Fernando Caxambú e Titino um dos fundadores do Bloco “Tupi de Brás de Pina” que se transformaria em Escola de Samba. Por volta de 1953 transferiu-se para o “Aprendizes de Lucas”, ingressando na ala dos compositores daquela agremiação e ali permanecendo até hoje. Entre as suas músicas mais conhecidas, destaquemos o “Falta de Queda” com Pinga Fogo; “Capricho da Natureza” com Austeclinio; “Quatro Criolos” com Joacyr Santanna; “O Sol Nascerá” com Cartola; “Mascarada” com Zé Keti; e modestia á parte “Folhas no Ar” e “Rosa de Ouro” feitas comigo. Já tocou trombone em gafieira e se defende bem em qualquer setor de percussão e na caixa de fósforos é genial. Paulinho da Viola (Paulo César Baptista de Faria) nasceu aqui na Guanabara em 12 de novembro de 1942. Começou muito cedo em violão, influenciado pelo pai que é nada menos que César Faria senhorial acompanhante de Jacob do Bandolim. Admirador confesso de Cartola, Noel e Nelson Cavaquinho, Paulo começou a ser conhecido a pouco mais de um ano quando surgiu no “Rosa“. Embora seja músico e letrista, tem feito sambas com Zé Keti, Casquinha e Candeia, entre outros. Em 1956 viu seu samba oficialmente ser escolhido por sua escola, a Portela. “Minhas Madrugadas” de parceria com Candeia e “Recado” feito com Casquinha, são cartão de visitas de um esplêndido cantor e compositor. Mas contemos histórias. Elton, eu o conheci no sobradão da Rua dos Andradas, aquele que precedeu a existência do Zicartola. Era a sede das Escolas de Samba e também a resistência do divino poeta de Mangueira. Em torno de feijoadas memoráveis, Cartola reunia a fina-flor dos compositores dos morros e das escolas, em rodas de samba que nunca hei de esquecer. Ali ensaiava o conjunto “A Voz do Morro” integrado por Nelson Cavaquinho, Elton, Zé Keti, Armando Santos, Nuno Veloso (grande figura humana), Joacyr Santanna e mais o dono da casa. Paulinho, eu já o conhecia de vista. Um dia, num balcão do banco aonde trabalhava, ele me interpelou, batemos um grande papo e numa noite ele aparece em casa para mostrar uns sambas que eu achei bons, mas não declarei para não envaidecer o rapaz. Já por essa época, o samba tradicional vivia um surto provocado pelo Zicartola que era meu reduto diário. Nara começava a aparecer, foi aquela coisa quando a cidade tomou conhecimento das músicas de Nelson, Keti e Cartola. Levei Paulinho para aquela casa de samba, ele ficou por lá dando umas “canjas” enquanto ia mostrando suas composições. E foi então quando ganhou de Sérgio Cabral o nome artístico que hoje ostenta. O conjunto “A Voz do Morro”, por essa época, acabou sofrendo modificações e Paulinho da Viola passou a integrar o grupo então sob a chefia de Zé Keti. Gravaram um LP, cujo lançamento sofria contínuos atrasos. Zé Keti foi fazer o “Opinião”. O conjunto praticamente se desintegrou e aí eu chamei Paulinho, Elton, Anescar e Jair para fazer o “Rosa”. Nelson Sargento que não era do conjunto, também foi chamado. Ai deu no que deu. O “Rosa” foi aquela coisa e o famigerado disco do conjunto foi afinal liberado pela fábrica e “A Voz do Morro” acabou fazendo pelo samba tradicional um trabalho extraordinário de divulgação.

O resto já se sabe: o conjunto voltou a reorganizar-se, gravou outros discos e a cidade passou a conhecer um grupo de lindas composições, reaprendendo a cantar um tipo de música que estava quase no esquecimento. Abandonando o conjunto, por força de outros compromissos, Paulinho e Elton tornaram-se acompanhadores oficiais de Clementina de Jesus. Nessa condição servem a música brasileira com humildade, mas bastante talento. Antes de partirem para Dakar e Cannes, gravaram, por solicitação de Benil Santos — e louvemos esse produtor — uma excelente seleção de sambas, todos muito lindos e perfeitos , graças a Deus, Não há maior necessidade de falar dos parceiros que aqui aparecem: a exceção do que assina essas notas, solicitas pelos dois amigos, todos são excelentes: Mauro Duarte é um grande compositor de blocos do bairro de Botafogo; Casquinha é da Portela; Joacyr Santanna é dos mais constantes parceiros de Elton; e de Cartola, puxa o que disser? Sambistas no mais amplo sentido. Paulinho e Elton poderiam ser analisados separadamente. Em Elton surpreendemos o melodista anti-convencional, de uma inventiva ilimitada. A poesia que eventualmente faz é de qualidade. Já vi muito menino de bossa-nova esparramado de “maravilhamento” com a música de Elton. Paulinho é outro grande melodista, que desenvolve com extrema inteligência e bom gosto, os seus temas. É uma espécie de Chico Buarque do lado de lá. Mas o poeta não é menos. Com simplicidade, vai tecendo música e verso com uma justeza que raramente se encontra nos compositores de hoje. E que bom cantos, meus irmãos, que linda voz!

Ficaria horas a falar de meus irmãozinhos e da alegria em vê-los consagrados perante aqueles que sabem o quanto, mais do que nunca, é preciso cantar — Como proclama Vinicius. Acompanhados pelo trombone do grande Raul de Barros, pelos violões de Dino e Neira (as vezes é Paulinho mesmo quem se acompanha), mais o cavaco de Canhoto, ritmo de Gilberto Luna e Jorge (Elton aqui e ali pega na caixa de fósforos), e côro feminino. Paulinho e Elton mostram o samba carioca como ele é, todo lindo e cheio de graça e simplicidade .

Hermínio Bello de Carvalho
contracapa

Achei outro texto que aborda esse elepê, texto de Manoel Dourado Bastos contido em “Pressentimento da promessa de felicidade o “samba da desilusão” de Paulinho da Viola“.

Em 1966, Paulinho da Viola gravou com Elton Medeiros o disco “Samba na Madrugada” “Na Madrugada”. Tendo Hermínio Bello de Carvalho como produtor, o disco respondeu à experiência desdobrada a partir do musical “Rosa de Ouro”, de 1965, em que Hermínio dirigiu ambos. Foi quando Paulinho estreou profissionalmente em música, convivendo com a experiência de Aracy Cortês, Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho e Anescarzinho do Salgueiro e com a densidade de Clementina de Jesus. Foi também quando começou a formar com Elton Medeiros uma parceria de longa duração no momento em que o samba se revitalizava para o mercado fonográfico. Ainda que ambos já transitassem no círculo social do samba, não sendo, portanto, neófitos (mesmo porque participaram não só da gravação do disco “Rosa de Ouro”, como ao mesmo tempo compuseram o conjunto “A Voz do Morro”, de Zé Keti e com este o disco “Roda de Samba”, em 1965), o disco era encarado como um trabalho de principiantes. Em “Samba na Madrugada” “Na Madrugada”, Paulinho da Viola e Elton Medeiros enfim saíam do papel de coadjuvantes e passavam para primeiro plano . O protagonismo confiado aos intérpretes mais jovens e de “primeira viagem” não significou uma “transformação modernizadora” do samba. Pelo contrário, as canções do disco podem ser consideradas sambas absolutamente “autênticos”, interpretados por Paulinho da Viola e Elton Medeiros de um modo perfeitamente fiel à “tradição” . Paulinho da Viola, que traz na sutileza da voz uma de suas marcas, esforça-se volta e meia em impostar o canto em registros mais graves, ainda carregando bastante na fricção dos erres. Elton Medeiros mantém uma solução vocal mais malandra, de corte mais despojado e coloquial, dando suporte a suas composições tanto no lirismo popular quanto na crônica social. A instrumentação também segue à risca as várias vertentes de samba que se apresentam no disco. Na verdade, a novidade do disco estava na revelação fonográfica de que a “tradição” continuava viva e encontrara novos sambistas muitíssimo bem preparados — a “tradição” também podia ser um estilo fonográfico, entre outros. Ainda que distantes de sua máxima potência criativa, ambos já estavam absolutamente conscientes de suas possibilidades estéticas e tratavam de exercitá-las aos poucos. Para os dois sambistas, o momento era de afirmação da posição conquistada — tratava-se tanto de manter o posto no mercado fonográfico (para o samba e para si próprios) quanto reafirmar o samba como permanência.


Na Madrugada

Paulinho da Viola e Elton Medeiros 1966, RGE (XRLP-5.298)
Ouça no spotify, youtube ou itunes
DISCO É CULTURA

REPERTÓRIO / MÚSICOS

Arvoredo
Paulinho da Viola
Copinha (flauta), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Paulinho da Viola (voz e violão) [ ouça ♫ ]

surges na minha vida
terna e sincera brisa
que chegou tarde demais
achas um pobre arvoredo
desfolhado de sofrer
e podes crer
que amar não posso mais
só porque
já não tenho folhas verdes
que possa te oferecer

ai que saudades
daquele amor que eu trazia
novas folhas que nasciam
e tu podias beijar
hoje eu te ofereço
sem a menor ilusão
velhas folhas descoradas
e outras mortas pelo chão

Maioria sem Nenhum
Elton Medeiros – Mauro Duarte
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Meira (violão), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Elton Medeiros (voz). [ ouça ♫ ]

uns com tanto
outros tantos com algum
mas a maioria sem nenhum

esta história de falar
em só fazer o bem
não convence
quando o efeito não vem
porque somente as palavras
não dão solução
aos problemas
de quem vive em tamanha aflição

há muita gente neste mundo
estendendo a mão
implorando
uma migalha de pão
eis um conselho
pra quem vive por aí a esbanjar:
dividir
para todo mundo melhorar

14 Anos
Paulinho da Viola
Canhoto (cavaquinho), Meira (violão), Copinha (flauta), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Paulinho da Viola (voz). [ ouça ♫ ]

tinha eu 14 anos de idade
quando meu pai me chamou
perguntou-me se eu queria
estudar Filosofia
Medicina ou Engenharia
tinha eu que ser doutor

mas a minha aspiração
era ter um violão
para me tornar sambista
ele então me aconselhou
sambista não tem valor
nesta terra de doutor
e seu doutor
o meu pai tinha razão

vejo um samba ser vendido
e o sambista esquecido
e seu verdadeiro autor
eu estou necessitado
mas meu samba encabulado
eu não vendo não senhor

Sofreguidão
Elton Medeiros – Cartola
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Meira (violão), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Elton Medeiros (voz). [ ouça ♫ ]

a sofreguidão
porque passei
fez-me reconhecer
que o teu amor
foi grande amor
não vacilo em dizer, não não

tudo o que sofri
e que vivi
depois que te deixei
causou-me um mal confortador
sentir as dores que senti
por teu amor

procurei viver
novas emoções
talvez animado pela vaidade
de fazer sofrer
outros corações
e bati na porta da infelicidade

Momento de Fraqueza
Paulinho da Viola
Canhoto (cavaquinho), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Meira (violão), Raul de Barros (trombone), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Paulinho da Viola (voz). [ ouça ♫ ]

um samba
sem querer cantei errado
não era amor sem fim
mas sim amor já terminado
e nele cometi mais um pecado
quando na realidade
esqueci de ter te amado
e veja só
num momento de fraqueza
sem usar minha franqueza
menti pra te agradar
se eu pudesse
não mudava o verso antigo
não seria só amigo
mas voltava a te adorar

Minha Confissão
Elton Medeiros
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Meira (violão), Raul de Barros (trombone), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Elton Medeiros (voz). [ ouça ♫ ]

a melhor coisa que eu possuí nesta vida
foi teu amor sincero que foi meu, meu amor
mas eu fugi sem te oferecer, despedida
talvez pensando te causar soluços e dor
pensei que fosses talvés mendigar meus carinhos
mas nem sequer tu pensas em cruzar meus caminhos
eu procurei meu próprio padecer
agora faço minha confissão
porque não quero morrer de saudade, não

sente saudade só quem tem amor
só percebi depois da minha dor
que é consequência de uma vaidade
zombei demais da tua inocência
procurei a falsa independência
pois me davas amor de verdade

Perfeito Amor
Elton Medeiros – Hermínio Bello de Carvalho
Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Paulinho da Viola (violão), Raul de Barros (trombone), Elton Medeiros (voz) [ ouça ♫ ]

sim chegou, o esperado amor
o mais perfeito amor, que eu desejei
veio dar o que esperava ter
não mais a solidão há de rasgar o peito meu

me perdi em descaminhos
desencontros tantos foram
tanta dor em vão, só desilusão
ninguém penou mais do que eu

de tanto olhar o céu gastei meus olhos
perdão pelos erros que tive ou muito implorei
vou abrir janela, vou gritar bem alto
o amor chegou e o mundo agora é meu

Mascarada
Elton Medeiros – Zé Keti

Minhas Madrugadas
Paulinho da Viola – Candeia

Injúria
Elton Medeiros – Cartola

Recado
Paulinho da Viola – Casquinha

O Sol Nascerá
Elton Medeiros – Cartola

Jurar com Lágrimas
Paulinho da Viola

Rosa de Ouro
Elton Medeiros – Paulinho da Viola – Hermínio Bello de Carvalho

Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Raul de Barros (trombone), Meira (violão), Elton Medeiros : (caixa de fósforos e voz), Paulinho da Viola (violão e voz) [ ouça ♫ ]

vejo agora este teu lindo olhar/ olhar que eu sonhei/ e sonhei conquistar/ e que um dia afinal conquistei enfim/ findou-se o carnaval/ e só nos carnavais/ encontrava-te sem/ encontrar este teu lindo olhar, porque/ o poeta era eu/ cujas rimas eram compostas/ na esperança de que/ tirasses essa máscara/ que sempre me fez mal/ mal que findou só/ depois do carnaval

vou pelas minhas madrugadas a cantar/ esquecer o que passou/ trago a face marcada/ cada ruga no meu rosto/ simboliza um desgosto// quero encontrar em vão o que perdi/ só resta saudade/ não tenho paz/ e a mocidade/ que não volta mais// quantos lábios beijei/ quantas mãos afaguei/ só restou saudade no meu coração// hoje fitando o espelho/ eu vi meus olhos vermelhos/ compreendi que a vida/ que eu vivi foi ilusão

pois é/ tudo começou assim/ alguém se vingou em mim/ inventando o que eu não pratiquei/ pois é/ só deus sabe quanto amei/ por te amar tanto chorei/ e chorando levo a cruz até o fim/ não sei como foste acreditar/ em mentira tão vulgar/ de um sujeito tão vulgar também/ sofri a maior decepção/ tentarei te esquecer/ pois te amar foi ilusão/ não sei, porque foste derrubar/ o castelo que eu fiz/ em meu castelo era tão feliz

leva um recado/ a quem me deu tanto dissabor/ diz que eu vivo bem melhor assim/ e que no passado fui um sofredor/ e agora já não sou/ o que passou, passou// vai dizer à minha ex-amada/ que é feliz meu coração/ mas que nas minhas madrugadas/ eu não esqueço dela, não

a sorrir/ eu pretendo levar a vida/ pois chorando/ eu vi a mocidade/ perdida// finda a tempestade/ o sol nascerá/ finda esta saudade/ hei de ter outro alguém para amar

jurar com lágrimas/ que me ama/ não adianta nada/ eu não vou acreditar/ é melhor nos separar// não pode haver felicidade/ se não há sinceridade/ dentro do nosso lar/ se aquele amor não morreu/ não precisa me enganar/ que seu coração é meu

rosa de ouro, que tesouro/ ter essa rosa plantada em meu peito!…/ rosa de ouro, que tesouro/ ter essa rosa plantada no fundo do peito!…/ ela tem uma rosa de ouro nos cabelos/ e outras mais tão graciosas/ ela tem outras rosas que são os meus desvelos/ e seu olhar faz de mim um cravo ciumento/ em seu jardim de rosas

Depois de Tanto Amor
Paulinho da Viola
Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Raul de Barros (trombone), Paulinho da Viola (violão e voz). [ ouça ♫ ]

é será melhor
não procurar
um novo amor
até saber
se o coração
já se refez
é será melhor
viver em paz
eu amei estando só
portanto a solidão
não é demais

se algum dia eu encontrar
um novo amor
hei de ter amor pra dar
amor e paz
por isso eu vou
guardar meu peito
até quando por direito
este amor chegar

Samba Original
Elton Medeiros – Zé Keti
Canhoto (cavaquinho), Copinha (flauta), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Meira (violão), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Elton Medeiros (voz). [ ouça ♫ ]

meu samba, é um samba diferente
pois de fato minha gente
ele é muito original
não fala das cadeiras da mulata
do murmúrio da cascata
nem do amor no carnaval
não cita
frases celebres da história
nem revive a luta inglória
dos sedentos de riqueza
nem mesmo
narra a farsa de carinho
emanada de um peito
transbordante de frieza

podia falar do pandeiro e da cuíca
ou do surdo de barrica
que já não existe mais
ou mesmo de um coração ferido
solitário, comovido
e de seus doridos ais
não fala, meus amigos de ninguém
simplificando a história
não fala de mim também

Alô, Alô
Paulinho da Viola

Sol da Manhã
Elton Medeiros

Canhoto (cavaquinho), Dino 7 Cordas (violão 7 cordas), Meira (violão), Gilberto D’Ávila, Jorginho do Pandeiro, Luna e Marçal (ritmo), Elton Medeiros (voz), Paulinho da Viola (voz). [ ouça ♫ ]

alô, alô
sou eu
morrendo de saudades de você
quero dizer, quero dizer
que não posso mais sofrer
se eu errei fui castigado
assim é que não pode ser
longe de você
abandonado

pelas ruas da cidade
três dias de saudade
o meu peito suportou
agora ouvindo a sua voz
eu sinto que entre nós
tudo recomeçou

és como o sol da manhã
que irradias em mim
tanta inspiração
és o poema divino
que rege o destino
do meu coração
és o tesouro da terra
que eu desejei encontrar
és como Vênus tão bela
jamais poderei te amar

como quisera te amar
tal qual nos contos de fada
estrela d’alva das minha madrugadas
não tenho nada para te ofertar


FICHA TÉCNICA — PRODUÇÃO: Raul Sampaio e Benil Santos. A ficha técnica do elepê não contém os créditos dos músicos que dele participam. Relação dos músicos levantada no site “Agenda do Samba-Choro”.

Considerações finais

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