Nelson Sargento Flores em Vida
  • "data": "6 maio 2020"
  • "título": "Flores em Vida"
  • "ano/gravadora": "2001, Selo Rádio MEC"
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O CD “Flores em Vida” de Nelson Sargento, 2001 (Selo Rádio MEC), foi indicado para concorrer ao Prêmio Grammy Latino 2002, na categoria de melhor álbum de samba. Esse álbum foi idealizado por Evonete, esposa de Nelson Sargento.


Nelson Sargento nem desconfia do quanto fez minhas pernas tremerem quando — no intervalo de um feérico musical sobre Carmen Miranda — me convidou para escrever estas linhas. É que, em brevíssimos segundos, o convite me fez voltar no tempo uns quarenta anos. Isso mesmo: quarenta anos! Foi no fim de tarde de uma terça-feira de Carnaval. Eu, Antônio Gordo, o saudoso compadre Télio, meu primo quase irmão Hélio (filho do “seu” Eurico que Martinho cantou num lindo samba) e acho que também o Luís, amigo de infância que sumiu no tempo, todos enfim meninos de Vila Isabel, entramos no Capelinha do Ponto para alguns antepenúltimos chopes. E eis que Manuel dos Santos, nosso velho chapa “Osso” (sambista do bairro cuja posteridade se deve apenas ao meio esquecido “Amei como um louco”), nos falou, cheio de cerimônia, sobre os compositores da Mangueira que já se espremiam no corredor do botequim para discutir o desfile de véspera. Mais que de cerimônia, “Osso” carregava-se de reverência. Que prestássemos atenção, que tirássemos o chapéu, que ouvíssemos para aprender, porque ali, naquele grupo, só havia bamba. Um deles, claro, Nelson Sargento.

Sempre foi grande a afinidade de Vila Isabel com a Mangueira. Mais do que à proximidade geográfica, ela se deve a uma instintiva afeição que vem dos tempos de Noel Rosa e que se prolongou pelos anos que antecederam a ascensão da Vila à escola de primeiro escalão (a Vila de quarenta anos atrás era pouco mais que um grande bloco). Nenhum daqueles meninos torcia pela Mangueira. Éramos Salgueiro, porque, naquela ocasião, a “vermelho e branco” lutava para deixar de ser o América das escolas para disputar, cheia de inovações, os títulos de campeã. Mas o respeito pela “verde e rosa” era imenso. E aqueles bambas? Saber que um deles, justamente o Nelson, tinha feito a Mangueira cantar “oh, primavera idolatrada, inspiradora de amores, oh primavera adorada, sublime estação das flores…”, era mesmo de tirar o chapéu. O respeito era tanto que nenhum de nós, eu, Antônio, Hélio, Télio ou Luís, teve coragem de puxar conversa com qualquer daqueles bambas.

Conversa com Nelson Sargento fui puxar décadas depois, ao entrevistá-lo em sua casa. Ouvi-o falar de samba, de poesia, de vida, com aquela inteligência que Sérgio Cabral já proclamou, em público, como das maiores do Brasil. Inteligência e sensibilidade. Nelson surpreendeu-me com a beleza singela de seus quadros, um dos que comprei na hora. Surpreendeu-me também como brasileiro vivido e bem informado. E surpreendeu-me como compositor que não se esgota nem se limita. De surpresa em surpresa, fez-me prometer (promessa que tardo a cumprir, só para que ele continue a cobrar), a gravação doméstica de um CD com canções de… Errou quem disse Cartola, até porque, do mestre, Nelson Sargento sabe tudo. As canções são de Hoagy Carmichael, o de “Stardust”, que ele se lembra de ter visto, com o cigarro no canto da boca, cantando e tocando piano enquanto Humphrey Bogart e Lauren Bacali se apaixonavam em “Uma Aventura na Martinica”. Surpreendeu-me, enfim, que aquele homem miúdo, inquieto, bom de papo e de idéias, tenha se tornado, com o passar dos anos, um bamba ainda mais bamba .

Se as pernas tremeram em clima de Carmen Miranda, imaginem depois de ouvir este seu novo CD. Podia resumir tudo numa frase meio preguiçosa, mas nem por isso falsa: dos compositores de samba em atividade em todo o Brasil, apenas três, quatro, no máximo cinco, são capazes de um repertório tão irretocável , tão carregado de pedras preciosas como este. Não pedras brutas, mas já lapidadas, pois os sambas de Nelson Sargento são claramente elaborados, nota por nota, verso por verso, contornando com classe os clichês e os caminhos fáceis. Reparem, por exemplo, na dolência de “A Noite se Repete” [ ouça ♫ ], à altura de um Cartola. “Jamais Pensei” (com João de Aquino) [ ouça ♫ ] tem o jeito dos melhores sambas de quadra, dos que falam, com altivez, de um amor fracassado. Já se vê que nem sempre o sambista prefere a lágrima ao sorriso. “O Remorso Vai atrás” [ ouça ♫ ] entra na contramão: desta vez é o sambista que, por ter magoado a amada, clama por castigo. “Labirinto de Dor” [ ouça ♫ ] é uma jóia, um samba-canção tipicamente anos 50, daqueles que os “bossa-novistas” se vangloriam de terem sepultado. A participação de Emílio Santiago é irresistivelmente perfeita. “Fé em Deus” [ ouça ♫ ] tem poesia de quem aposta na vida, como o próprio Nelson. “Fundo Azul” [ ouça ♫ ] fala de primavera, como tantos de seus sambas, ele que é amante das flores e do que elas simbolizam. Mas os versos soltos, dispostos sem ordem, são viagens, digamos, filosóficas de quem sabe das coisas. “Quando Eu te Vejo Passar” [ ouça ♫ ], outro samba-canção, tem algo de visual, memórias de um amor convertidas em filme imaginário e fugaz. “Menti” (com o talentoso bandolinista Pedro Amorim) é ritmado, alegre, quase carnavalesco, apesar da letra: “hoje eu vivo amargurado, não esqueço aquele adeus…” Conserva aquele jeito carioca, em que Noel era mestre, de cantar com bom humor a mentira e o azar. Seguem dois sambas (com Marília Trindade Barbosa), de uma parceria que, de certa forma, é mais uma surpresa: quando dois mangueirenses se juntam, é fogo! “A mesma Fantasia” [ ouça ♫ ] transcorre em atmosfera de marcha-rancho, embora tratada como samba. É o folião Nelson Sargento me levando de volta àquele carnaval de quarenta anos atrás. Por fim, “Conversando com o Brasil” [ ouça ♫ ], um fim de festa embalado por samba- panfleto — patriótico no melhor sentido — que bem poderia servir de modelo, na originalidade da melodia e na economia da letra, a todo samba-enredo que focalize este país de incontáveis carteiras batidas.

É isso. Tenho que confessar que ainda guardo certa cerimônia — ou reverência — em relação a Nelson Sargento, vestígios do menino de Vila Isabel que fui um dia (de Vila Isabel serei sempre, mas menino… deixa pra lá: estou mais para Nelson Sargento do que para o mais jovem pagodeiro da Mooca). Mas a cerimônia não me impede de admirara vitalidade desse brasileiro de 77 anos, que compõe, canta, faz shows, excursiona, atua como ator, pinta, agita, vive, tudo isso mais e melhor que um menino. A gente chega a acreditar mais no Brasil quando vê que a Nelson Sargento foi concedida a graça de colher suas flores em vida.

João Máximo
encarte

Encarte

Este disco estava na cabeça e no coração da Evonete há muito tempo, e finalmente se concretizou, pois a Rádio MEC, na pessoa da Sra. Gerente Maristela Rangel Pinto, abraçou o projeto apresentado por ela, que escolheu o repertório, chamou o maestro João de Aquino para fazer os arranjos, a direção de estúdio e a arregimentação dos músicos. Assim se formou um trio: Evonete Belizário, João de Aquino e a assistente de produção Eliana Múrcia.
Sem o apoio da FUNARJ, na pessoa da Sra. Presidente Bete Mendes, da Secretaria das Culturas do Rio de Janeiro, na pessoa do Sr. Secretário Arthur da Távola, de Leonardo Brandão, de Pedro Luiz e a Parede e a participação valiosa do nosso grande Emílio Santiago, este projeto não seria possível.
Foram vários dias de trabalho, porém bem sucedidos.
Agradeço, comovido e feliz, a todos que participaram direta ou indiretamente na feitura desta belíssima obra. Obrigado de todo coração.

Nelson Sargento

Nelson Sargento, com o Projeto de Resolução Nº 638/2008, de 18 de junho de 2008., inciativa do Deputado Chiquinho da Mangueira – PMDB/RJ, recebeu a Medalha Tiradentes e o respectivo Diploma . A seguir, a JUSTIFICATIVA dessa Resolução, assinada por Zilmar Basilio.

O presente Projeto visa conceder a Medalha Tiradentes, e o respectivo Diploma, ao compositor Nelson Mattos, o “NELSON SARGENTO”, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à Cultura no Estado do Rio de Janeiro, conforme exposto no histórico abaixo:

O Sargento, que mais parece um sobrenome, do autor do majestoso samba “Agoniza mas não Morre”, corresponde, na verdade, à mais alta patente que o cidadão Nélson Mattos atingiu quando serviu ao Exército brasileiro. Nascido a 25 de julho de 1924, viveu durante longos anos nos morros da cidade do Rio de Janeiro. Atualmente, é morador de Copacabana e considerado cidadão do mundo, já que sua música é conhecida, pelo menos, nas Américas e no Japão. Casado com Evonete Belizario Mattos — empresária e produtora — criou onze filhos e vários netos e bisnetos. Vascaino por opção, o compositor mangueirense possui aproximadamente quatrocentas músicas em seu repertório.

Trata-se de um artista multimídia: é compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor. Despontou para a música na adolescência, quando Alfredo Português, seu pai de criação e importante compositor do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, descobriu o grande talento que surgia. Compuseram em 1955 o samba-enredo “Primavera”, também chamado de “As Quatro Estações do Ano”, considerado um dos mais belos de todos os tempos.

Nélson integrou o conjunto A Voz do Morro, ao lado de Paulinho da Viola, Zé Keti, Elton Medeiros Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescarzinho. Entre os seus parceiros de composição musical, estão Cartola, Carlos Cachaça, Darcy da Mangueira, João de Aquino, Pedro Amorim, e Daniel Gonzaga. Escreveu os livros “Prisioneiro do Mundo” e “Um certo Geraldo Pereira”. O próximo, já no prelo, tem como titulo provisório “O Samba Eu” e narra de maneira romanceada, mas com detalhes que vêm à tona graças à sua memória privilegiada, passagens da sua vida. Atuou nos filmes “O Primeiro Dia”, de Walter Salles e Daniela Thomas, “Orfeu do Carnaval” de Cacá Diegues, e “Nélson Sargento da Mangueira” de Estêvão Pantoja, que lhe valeu a premiação do Kikito, no Festival de Gramado, pela melhor trilha sonora entre os filmes de curta metragem.

Nélson Sargento é o que se poderia chamar de um legítimo carioca, um tipo infelizmente cada vez mais raro . É um homem elegante — na acepção mais civilizada do termo — e um defensor incansável da cultura popular de sua terra. Segundo o jornalista Sérgio Cabral “nem todas as pessoas inteligentes, de bom gosto e de bom caráter têm um quadro de Nélson Sargento na parede ou um disco dele na estante, mas todas as pessoas que convivem com uma obra do Nélson são inteligentes, de bom gosto e de bom caráter. Na verdade, ter em casa o samba e a pintura de Nélson Sargento, além de um privilégio, é uma certidão de ‘carioquismo'”.

Ele chegou aos 78 anos no auge da sua carreira. Seus sambas e seus quadros são cada vez mais numerosos e mais bonitos. O segredo para permanecer tanto tempo em destaque pode ser atribuído à tranqüilidade com que sempre enfrentou os problemas e a paciência e a habilidade de que sempre utilizou para resolvê-los. É permanente alvo de grandes homenagens tanto de pessoas quanto de instituições. Uma das mais belas, sem dúvida, partiu dos compositores Aldir Blanc e Moacir Luz, autores de um samba em que ele é classificado como o “mestre dos mares, que singra as águas da baía”, e assim definido: “ele é um samba de quadra da Mangueira/ que Deus letrou/ dá aula sobre a cidade/ e nesta universidade é o Reitor.”

O seu CD “Flores em Vida” foi indicado para concorrer ao Prêmio Grammy Latino, na categoria de melhor álbum de samba . Nélson foi para Los Angeles com a mulher acompanhar a premiação, e pretende dar início à gravação do seu próximo CD, que já conta com algumas músicas compostas e com um título dos mais sugestivos: “Sorte”.

Zilmar Basilio – Jornalista e Pesquisadora da MPB.


Flores em Vida

Nelson Sargento 2001, Selo Rádio MEC (RM 006)
DISCO É CULTURA

A Noite se Repete
Nelson Sargento
Glaucus Linx (saxofone), João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

a noite se repete
porque se repete o dia
tristeza só existe
porque existe alegria
a terra é quem dá
a vida para a flor
num coração sincero
é que desponta um grande amor

por existir a vida
é que a morte impera
por haver gente falsa
é que há gente sincera
se não houvesse mar
não haveria embarcação
se eu não te amasse
não sofreria ingratidão

Jamais Pensei
Nelson Sargento – João de Aquino
João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

vou deixar o meu lar
com toda razão
pois você
machucou o meu coração

eu não vou deixar
que a solidão
venha envolver
todo o meu ser
eu jamais pensei
que em nosso amor
que a ingratidão
fosse aflorar
dei o melhor de mim
você não quis aproveitar
agora quer perdão
mas eu não posso perdoar

O Remorso Vai atrás
Nelson Sargento
Fernando Pereira (bateria), Flávio Pereira (baixo), João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

quero pagar o meu pecado
grande Deus
eu quero ter paz no coração
antes de findar os dias meus
quero alcançar a redenção
eu fiz sofrer aquela
boa criatura
lhe fiz da vida
um rosário de amarguras
a minha consciência
não tem paz
aonde eu vou
o remorso vai atrás

eu a fiz passar
tanta humilhação
ela não merecia
tamanha ingratidão
a sua bondade me atordoa
ela diz a todo mundo
que me perdoa
por isso é que eu me sinto
o mais covarde dos mortais
aonde eu vou
o remorso vai atrás

quando ele for
aonde ele vai
vai que o remorso vai atrás

Labirinto de Dor
part.esp.: EMÍLIO SANTIAGO
Nelson Sargento
Dirceu Leite (flauta), Fernando Pereira (bateria), Flávio Pereira (baixo), João de Aquino (violão)
[ ouça ♫ ]

eu pra você fui fiel
lhe dei o mais puro amor
em troca me deste fel
e um labirinto de dor
teus erros eu perdoei
tentando outra vez ser feliz
mais uma vez fracassei
lhe dei nova chance
e você não quis

vou me esforçar pra
recompor meu viver
o tempo vai me ajudar
a te esquecer
e quando isto se der
alegre feliz cantarei
e se um dia eu souber
que você chorou
juro, não ligarei

Fé em Deus
Nelson Sargento
Glaucus Linx (saxofone), Jessé Sadoc (trompete), João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

sofre de verdade
aquele que procura
só encontrar felicidade
os inconformados
tem muito o que penar
ou então são obrigados
com a existência terminar
desde que me entendo
nada me atormenta
eu encaro a vida
como ela se apresenta

nas minhas orações
peço perdão para os pecados meus
a minha felicidade
é fé em Deus

Fundo Azul
Nelson Sargento
Dirceu Leite (flautas), Fernando Pereira (bateria), Flávio Pereira (baixo), João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão)
[ ouça ♫ ]

borboleta esvoaçando
em fundo azul
flores desabrocham
é primavera
brisa leve
sopra do norte pro sul
no espaço um foguete
busca nova era
o vigário empunha a estola
no campo santo
alguém reza por alguém
vinte e dois homens
disputando a mesma bola
joga no bicho
eu e ela e você também

o cão ainda é fiel amigo
crianças continuam a nascer
uma velhice imensa sem abrigo
quanta gente à procura de lazer
ninguém é de ninguém
esta é a frase padrão
salve-se quem puder
neste mundo de ilusão

Quando Eu te Vejo Passar
Nelson Sargento
Dirceu Leite (flautas), Fernando Pereira (bateria), Flávio Pereira (baixo), Glaucus Linx (saxofone), Jessé Sadoc (trompete), João de Aquino (violão), Pedro Amorim (bandolim)
[ ouça ♫ ]

quando eu te vejo passar
uma saudade imensa
invade o meu ser
e passou na minha mente
um filme que tem
eu e você
nele eu vejo os momentos
felizes que passamos
e posso avaliar
o muito que nos amamos

quando eu te vejo passar
uma vontade louca de pedir perdão
mas não me atrevo porque
toda culpa me cabe na separação
o tempo que tudo apaga
certamente apagará
toda amargura que eu sinto
quando eu te vejo passar

Mentia
Nelson Sargento – Pedro Amorim
João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Pedro Amorim (bandolim), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

pra quê eu fui acreditar
em tudo que ela dizia
a razão do meu penar
foi pensar que existiria entre nós
mais que as palavras vãs que ela dizia
quando ela jurou me amar
mentia

a mentira é um pecado
condenado pela lei de Deus
hoje eu vivo amargurado
não esqueço aquele adeus
eu que era tão contente
perdi toda alegria
quando ela jurava amor
mentia

Energia da Vida
Nelson Sargento – Marília Trindade Barbosa
Glaucus Linx (saxofone), João de Aquino (violão), Fernando Pereira (bateria), Flávio Pereira (baixo), Jessé Sadoc (trompete), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

é…
conviver com um vazio
tudo escuro
tudo frio
não é fácil pra ninguém
ver tudo em volta sem poesia
desconhecer a alegria
esquecer que existe um bem
mas, de repente, como surpresa
ver das brumas da incerteza,
emergir o que se quer
é a vontade mais curtida
que gera a energia da vida
de um homem e de uma mulher
o cinzento começa a encher-se de luz
manhãs explodindo de brilhos
azuis

bailam no espaço harmonias
sustentando melodias
envolventes
como abraço, duplos braços
doçura febril
escorrendo suor feito mel
corpos irmanados no calor
sensualidade da flor
tranquilidade do céu

Tempo de Desejo
Nelson Sargento – Marília Trindade Barbosa
Dirceu Leite (flautas), Glaucus Linx (saxofone), João de Aquino (violão), Esguleba (percussão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho)
[ ouça ♫ ]

hoje em minha frente
tudo é diferente
eu olho para trás
e começo lembrar
um desejo ardente
uma estrada verde
onde a gente ia
o amor encontrar
tempo de desejo
lembro do teu beijo
do gosto do amor
que você esqueceu
penso numa chance pra nós
na garganta
cala-se a voz
não sei se o amor dorme
ou já morreu
quando a gente era um só
a vida era melhor
e o mundo um paraíso
acabe este castigo
e fica aqui comigo
estar contigo
é tudo, tudo que eu preciso

A mesma Fantasia
Nelson Sargento
João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Pedro Amorim (bandolim), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

eu sou folião
de todos os Carnavais
é sempre a mesma fantasia
costume que herdei
dos meus ancestrais
de cantar e brincar
com bastante alegria
vejo a multidão
a multidão me vê
a jogar confete
a jogar serpentina
eu sou feliz assim
eu sou feliz assim
o Carnaval é tudo para mim

Carnaval, Carnaval, Carnaval
são três dias
de loucura total
cada Carnaval
deixa uma saudade
deixa a tristeza ou felicidade

Conversando com o Brasil
Nelson Sargento
João de Aquino (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Duarte, Gordinho, Esguleba, Ronaldo Mattos (percussão), Analimar, Áurea Martins, Didu Nogueira, Ernesto Pires, Evonete Belizário, Jurema de Cândia, Jurema Lourenço, Mart’nália, Rita de Cássia (coro)
[ ouça ♫ ]

Brasil
a juventude está presente
lutando bravamente
para corrigir as distorções
Brasil
tanta terra e você nega
descaradamente entrega
para um bando de rufiões
Brasil
você matou Tiradentes
ele queria simplesmente
a sua emancipação
Brasil
vamos banir os abutres
e dar vez aos filhos ilustres
que te amam de coração

eu não dou bobeira
ninguém vai bater minha carteira

Brasil
por favor preste atenção
saúde terra educação
são as vigas mestras do país
Brasil
o teu proceder insulta
mas a juventude vai à luta
para te fazer feliz
Brasil
és lindo em noite de lua
famílias dormindo nas ruas
por falta de habitação
Brasil
atente para essa verdade
e saiba que a juventude
é a sua salvação


FICHA TÉCNICA — PRODUÇÃO: João de Aquino / ARRANJOS: João de Aquino / DIREÇÃO: Maristela Rangel Pinto / MÚSICOS: Músicos não especificados por faixa na ficha técnica do disco: Fernando Merlino (teclados, piano), Josimar Monteiro (violão 7 cordas), Kiko Furtado (teclados, piano), Paulão 7 Cordas (violão 7 cordas) / ENGENHEIRO DE SOM: Julinho / FOTOS: Marco Antônio Rezende.

Considerações finais

Espero que você tenha gostado desse post com o álbum de Nelson Sargento, lançado em 2001 pelo selo Selo Rádio MEC. Se assim for, encorajo você a se inscrever na newsletter do blog, abaixo. Ao informar seu email, você receberá todas as novas publicações do blog automaticamente.

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