Nelson Sargento Versátil
  • "data": "11 abril 2020"
  • "título": "Versátil"
  • "ano/gravadora": "2008, Selo Olho do Tempo"
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“Versátil”, de Nelson Sargento, lançado sete anos após o último CD, “Flores em Vida”, exibe sete inéditas entre as 16 músicas do disco. Chama atenção a valsa “Rosa Maria, Flor Mulher”, interpretada ao piano por Wagner Tiso, uma das quatro participações do disco – Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara e a Velha Guarda da Mangueira são as outras.

“O Zeca queria gravar ‘Falso Amor Sincero’, mas eu não deixei. Ele sempre cantou ‘Ciúme Doentio’ em shows, mas nunca havia gravado, então eu pedi que fosse essa”, diz Nelson, que compôs a música com Cartola.

Sobre “Falso Amor Sincero”, Nelson se apressa em dizer que a letra — que diz “o nosso amor é tão bonito, ela finge que me ama e eu finjo que acredito” — não se aplica ao romance dele com Evonete Belizário, sua mulher, alvo de beijos e carinhos durante a entrevista.

Dono da gravadora independente Olho do Tempo, responsável por “Versátil”, Agenor de Oliveira se tornou parceiro constante de Nelson. A música que iniciou a parceria é “Sinfonia Imortal” [ ouça ♫ ], cujo verso final, em que Nelson esbanja lirismo, é “o que eu desejo afinal é fazer das nossas vidas uma sinfonia imortal”. Para iniciá-la, Oliveira não deixou por menos: “nós dois somos um naipe de orquestra, raios de sol pela fresta, nas partituras do amor”.

Outro destaque do CD é “Século do Samba”, samba-enredo que Nelson compôs para a Mangueira em 1999 — e que, derrotado, não foi para a avenida.

Para lançar o CD, Nelson Sargento fez pela primeira vez um show no Canecão em que é o artista principal. “Versátil” é um projeto que deveria comemorar os 82 anos de Nelson, mas foram necessários dois anos para viabilizar o disco — que, celebra seus 84 anos.

“Quero lançar um CD por ano até 2030”, anuncia Nelson. “Já combinei com São Pedro e até lá estou garantido”, diz.

O texto publicado no encarte do CD, assinado por Nei Lopes é o que transcrevo a seguir.


Afinal pra quê serve um “sambista de raiz”? Esta pergunta nós nos fizemos, num misto de tristeza e indignação, quando vimos o parceiro Wilson Moreira cair vítima de um derrame, cerca de onze anos atrás. Naquele momento, a garotada, filha daquela rapaziada universitária que se extasiou com a modernidade afro de Clementina no Teatro Jovem e elevou o velho Zicartola à categoria de templo maior do samba carioca, começava a descobrir os finos petiscos de Cartola, Candeia e companhia. E, aí, nós, aporrinhados da vida, chamamos para nós mesmos a responsabilidade da resposta.

No nosso modesto entender — pensamos — um sambista de verdade (“de raiz” é rótulo maroto) serve como ponte entre o ontem e o amanhã; como referencial e também como baluarte — no sentido de “suporte, apoio, sustentáculo” e também no de “fortaleza inexpugnável” — contra as investidas destruidoras.

Agora — perguntávamos novamente, para logo depois voltarmos a responder — : quanto vale um sambista, nessa história?

Em termos de mercado, sabemos, por experiência própria, que vale muito pouco. Porque os assim chamados, principalmente os rotulados como “de raiz”, são sempre aqueles que, embora reverenciados e com boa entrada na tal da “mídia”, quase nunca são gravados pelos grandes vendedores de disco; quase sempre são convidados “especiais” só para cantar de graça ou receber o “simbólico”, o “da passagem”; e nunca, apesar das placas-de-prata e medalhas de mérito, são incluídos no contexto da milionária indústria cultural.

Mas acontece que, hoje, graças aos deuses e musas, o que de melhor se faz na música popular brasileira, incontestavelmente, está exatamente fora desse contexto aviltado e emburrecido. E este é, com toda a certeza, o caso de Nelson Sargento e deste seu CD “Versátil”.

Às vésperas de completar 84 anos de idade; 43 anos depois do inesquecível “Rosa de Ouro“ numa trajetória artística e literária que inclui telas, filmes e livros, Sargento põe a tropa em fila e apresenta suas armas, neste seu quinto CD individual . E essas armas são: composições com sua marca, parcerias geniais, arranjos eficientes, músicos de grande talento… E fidelidade absoluta à sua sina de artista moderno e corajoso.

O disco começa com um autêntico Ivone-Lara (substantivo incomum), pra malandro nenhum botar defeito. Pois “Nas Asas da Canção” [ ouça ♫ ], embora Nelson sempre apareça, no “ocaso da vida”, na “mente cansada”, “emoldurando a fantasia”, é um Ivone-Lara legítimo, safra 1947. E dele vamos para o correto “Sinfonia Imortal”, parceria com Agenor de Oliveira, conhecido como intérprete e entusiasta da obra de Noel Rosa (o saudoso poeta da Vila), de ausência quase tão sentida, para nós, quanto a do nosso pranteado parceiro Maurício Tapajós, que assina, com Sargento, o “Verão no Rosto” [ ouça ♫ ]. Nessa faixa, a seqüência harmônica do trecho “sorriso infantil” parece Maurício dizendo “estou aqui!”. E daí, passamos, tirando o chapéu, por um Cartola (“Ciúme Doentio”) [ ouça ♫ ], para chegar à primeira surpresa do disco

Mas como?! Uma valsa? Sem letra? E solada ao piano pelo Wagner Tiso?

Calma, prezado leitor-ouvinte! “Rosa Maria, Flor Mulher” [ ouça ♫ ] é apenas a primeira surpresa deste CD “Versátil”. Porque, a faixa seguinte, “Bálsamo” [ ouça ♫ ]… é um bolero! Com direito a acordeom e tudo! No melhor estilo anos 50. E a outra é um fox (“Primeiro de Abril”) [ ouça ♫ ], com a guitarra elétrica harmonizando, tipo Oscar Moore ou Billy Mackel; e na qual nosso Sargento incorpora Custódio Mesquita na melodia e Lamartine Babo na letra lírico-brincalhona.

Mas a versatilidade do artista é claro que acaba (ou continua) em samba. Com o protesto partideiro do parceiro Agenor em “Acabou meu Sossego” [ ouça ♫ ]; com outra reclamação, desta vez mais bronqueada, quando o letrista acusa a mentirosa de “tapar o sol brilhante com a peneira da ilusão” (“Parceiro da Ilusão” [ ouça ♫ ]); até que chegamos ao “samba do Marreta”.

Compositor dos primeiros tempos da verde-e-rosa, Marreta, integrante da Galeria de Honra da ala de compositores mangueirenses, ao que consta, jamais ganhou um samba-enredo e é muito pouco conhecido. E é Nelson Sargento que, agora, o apresenta ao grande público, nesta parceria (“Só Eu Sei” [ ouça ♫ ]) tão pequenininha quanto melodiosa e contagiante. Um verdadeiro samba-de-terreiro dos bons tempos! Tão forte quanto a faixa seguinte, “Pobre Milionária”, [ ouça ♫ ] é ilustrativa da influência de Cartola nas obra do nosso grande artista.

Sobre o clássico “Falso Amor Sincero” [ ouça ♫ ] já se disse tudo. Mas aí vêm, de novo, Sargento e o Oliveira com uma marcha-rancho “daquelas” — que não nega sua raça nem no arranjo. Versatilidade! E, então, o excelente “Pranto Ardente”, [ ouça ♫ ] nos faz ver Os Cinco Crioulos (inclusive com os saudosos Anescar e Jair) metendo bronca, de terno branco, no palco do Teatro Jovem; e nós também. Mas eis que chega o “Século do Samba”, [ ouça ♫ ] concorrente ao enredo da Manga em 1999, nos fazendo coçar a cabeça: “é melhor este samba aqui, Seu Nelson; pois lá, ia virar outra coisa!”. É nessa que a letra de “Ídolos e Astros” [ ouça ♫ ] dá o recado final: “Os grandes artistas, como Nelson Sargento, sempre viverão na memória daqueles que têm respeito e consideração” .

Pois é isto! Ponte entre o ontem e o amanhã, este CD mostra, de fato, a maestria e a versatilidade de Nelson Sargento, valioso e valoroso, referencial e baluarte. Fortaleza inexpugnável do samba, ao lado de Evonete (seu “bálsamo”), ele incursiona também por outras “praias” do seu tempo. E, assim, sob a batuta desse extraordinário Paulão Sete Cordas e contando com um batalhão de grandes músicos e amigos, ele, versátil sem perder a raiz, põe a tropa na rua e toma suas providências.

É para isto que serve um sambista de verdade!

Nei Lopes
encarte

Mais um texto sobre esse álbum “Versátil” de Seu Nelson, achei na seção DISCOLÂNDIA do jornal O Globo, publicada no dia 29 de julho de 2019, assinada por: JOÃO MÁXIMO

Veterano que volta com surpresas e novidades

Após cinco anos, Nelson Sargento grava ‘Versátil’, disco que será lançado na semana que vem, no Canecão

Na semana que vem, no dia 6, Nelson Sargento subirá ao palco do Canecão para fazer o primeiro show em que é o artista principal. Ao mesmo tempo, em plena comemoração de seus 84 anos, lança um CD cheio de surpresas, no qual o sambista da Mangueira interpreta fox-trot, bolero, valsa, choro, marcha-rancho e, naturalmente, sambas, “coisinhas” que vem fazendo pela vida afora.

Só que não são coisinhas. Sozinho ou com novos e velhos parceiros, Sargento conseguiu reunir num disco, não por acaso intitulado “Versátil” (selo independente Olho do Tempo), algumas de suas melhores composições, sete delas inéditas. As surpresas não estão na qualidade do repertório, e sim, para quem não o conhece, no fato de sua paixão pela música ultrapassar os limites de sua paixão maior: o samba. É o sambista transformado em compositor.

— Ao pensar nesse trabalho, comecei pelo título — diz Sargento. — Não que eu me considere um cara versátil. É que, de vez em quando, eu gosto de experimentar .

Repertório mistura rumba, valsa e até um fox-trot

Experiências na música e na vida, Sargento sendo artista em permanente transformação: o menino do Salgueiro que se apaixonou pela Mangueira, o pintor de paredes que passou a criar quadros de verdade, o sargento do Exército que logo aposentou a farda, o sambista fá de Hoagy Carmichael que compõe um fox, “Primeiro de Abril”, com melodia à Custódio Mesquita e letra bem-humorada à Lamartine Babo. É a sétima das 16 faixas do novo disco.

Sua história — que ele pretende contar em livro — é por vários motivos curiosa. Nasceu na Praça 15 e foi criado em casa de classe média tijucana, onde a mãe trabalhava quando engravidou (“Fui registrado como filho de pai desconhecido e, na verdade, só fui conhecer o meu muito mais tarde”). Menino, ajudava a mãe a entregar roupa que ela passou a lavar ao deixar a casa da Tijuca. Foi assim que conheceu o Salgueiro, o morro, os sambas de lá.

— Minha mãe foi viver com um homem bem mais velho — conta Sargento. — Não sei como, Alfredo Português, sambista da Mangueira, soube que o homem estava doente, foi visitá-lo no Salgueiro, percebeu que nós estávamos numa pior e nos levou, eu e minha mãe, para a Mangueira. Cresci na casa dele.

Mais que isso, Sargento tornou-se parceiro de Alfredo Português, em em “As Quatro Estações do Ano”, também conhecido como “Primavera”, um dos mais gravados sambas-enredos de todos os tempos, com o qual a Mangueira desfilou em duas ocasiões (1948 e 1955). O restante, como se diz, é história. Muito das lembranças da mãe está em “Rosa Maria, Flor de Mulher”, elegante valsa com primeira parte de Sargento e segunda de Wagner Tiso, que a sola no piano na quinta faixa do CD. Longe de ser uma traição ao samba, a valsa abre caminho para ousadias outras que o compositor se permite ao transformar o samba “Bálsamo”, gravado por Helena Taranto, num irresistível bolero anos 50. Ou juntar ao fox-trot o sabor bem carioca do samba-choro “Acabou Meu Sossego”, com Agenor de Oliveira.

Agenor de Oliveira, além de produzir o disco, em seu próprio selo, tem sido o mais constante parceiro de Nelson Sargento nas produções mais recentes . Também são dos dois a marcha “Amar sem Ser Amado”, [ ouça ♫ ] linda melodia nos moldes dos velhos ranchos, e os sambas “Parceiro da Ilusão” e “Sinfonia Imortal”.

— Com “Sinfonia Imortal” aconteceu um negócio interessante — explica. — Fiz música e letra com cara de segunda parte e pedi a Agenor para acrescentar a primeira. Ele estranhou, pois, normalmente, o processo é oposto: a gente faz uma primeira para que o parceiro complete com a segunda.

‘Ciúme Doentio’ foi feito em parceria com Cartola

Os parceiro de Sargento são, de fato, muitos, sobretudo os antigos. Com Maurício Tapajós, ele fez “Verão no Rosto”. Com Carlos de Souza, cujo apelido de “Marreta” deve-se ao seu estilo no futebol, “Só Eu Sei”. Com Marinho da Chuva, “Ídolos e Astros”. Com Oscar Bigode, “Pranto Ardente”. Com Dona Ivone Lara, “Nas Asas da Canção”, escrita a partir dos versos que Sargento deu para ela musicar: “vou viajar nas asas da cançâo/até encontrar inspiraçào/pra compor um sublime poema de amor”. Dona Ivone regrava com o parceiro este samba de 1947. E, finalmente, com mestre Cartola, Sargento compôs “Ciúme Doentio”, quarta faixa do CD.

— Convivi muito com Cartola, aprendi com ele, fizemos samba juntos e sempre me orgulhei de ter tirado do ineditismo muito do que ele compôs — diz Sargento, empolgado com a participação de Zeca Pagodinho nessa faixa.

Samba-enredo derrotado na Mangueira em 1999

Nelson Sargento, sozinho, é tão bom quanto acompanhado. “Pobre Milionária”, que já foi gravado por Tantinho, é um bom exemplo. “Falso Amor Sincero”, outro. O samba-enredo “Século do Samba”, outro mais. Sobre este, é necessário informar que o integrante dos Baluartes da Mangueira, grupo de ilustres integrado por bambas com mais de 50 anos de escola, só aparece por lá “quando tem coisa muito importante”. Desfilar, porém, é de lei. Se não tem participado de disputas para a escolha do samba com que a Mangueira desfila, é possível que um dos motivos seja justamente “Século do Samba”, derrotado que foi em 1999.

— Até hoje não sei por que perdeu — lamenta-se.

Com razão. Se os sambas com que as escolas desfilam atualmente tivessem a linha melódica, o andamento e o apelo deste, não sofreriam as tantas (e merecidas) críticas que caem sobre eles a cada carnaval. Quem duvidar que ouça o CD ou vá ver Nelson Sargento cantá-lo no Canecão, cercado da Velha Guarda da Mangueira (o ingresso para o show é a doação de um quilo de alimento não perecível no posto da Rua Francisco Sá, 13, em Copacabana). “Versátil” está indo para as lojas esta semana. A maioria dos arranjos é de Paulão Sete Cordas. Em duas faixas, eles são de Eduardo Neves e, em uma, “Século do Samba”, de Josimar Monteiro.


Versátil

Nelson Sargento 2008, Selo Olho do Tempo (OLT 006)
Ouça no spotify, youtube ou itunes
DISCO É CULTURA

REPERTÓRIO / MÚSICOS

Nas Asas da Canção
Dona Ivone Lara – Nelson Sargento
part.esp.: IVONE LARA
Beloba (tantã, ganzá), Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Pretinho da Serrinha (repique de anel, surdo, pandeiro), Roberto Marques (trombone), Agenor de Oliveira, Mariana Bernardes, Pedro Holanda, Pedro Miranda, Valéria Lobão (coro), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

vou viajar
nas asas da canção
até encontrar inspiração
pra compor
um sublime poema de amor
quero reunir
as mais lindas notas musicais
pra fazer feliz meu coração
que já sofreu demais

ó musa
me ajude como outrora
não me abandone agora
no ocaso da vida
sei que a minha mente está cansada
foram tantas madrugadas
quantas ilusões perdidas
quero versos com muito lirismo
para tirar do abismo
meu pobre coração
rica melodia emoldurando a fantasia
da minha imaginação

Sinfonia Imortal
Nelson Sargento – Agenor de Oliveira
Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Eduardo Neves (flauta), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Paulino Dias (tamborim), Pretinho da Serrinha (ganzá, pandeiro, repique de anel, surdo), Rui Alvim (clarineta), Agenor de Oliveira, Mariana Bernardes, Pedro Holanda, Pedro Miranda, Valéria Lobão (coro), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

nós dois somos um naipe de orquestra
raios de sol pela fresta
nas partituras do amor
surgiu no brilho dos instrumentos
feito uma sombra, um lamento
um contratempo da dor
jamais a corda lá do destino
fez nosso amor peregrino
vagando em acordes vãos
e a paz era perfeita harmonia
até que chegou o dia
da gente fora do tom

quando o amor desafina
as notas que predominam
saudade e desilusão
mas se o maestro é de fato
põe na pauta um pizzicato
resolve a situação
o que eu desejo afinal
é fazer das nossas vidas
uma sinfonia imortal

Verão no Rosto
Maurício Tapajós – Nelson Sargento
Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Kiko Horta (acordeon), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Paulino Dias (tamborim, pandeiro), Pretinho da Serrinha (tantã, tamborim, surdo, ganzá), Rui Alvim (clarineta), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

se você pensar
em tudo que eu falei
vai compreender
que sempre te amei
vejo nos teus olhos
terna emoção
ter-te em meus braços
ardendo de paixão

daí vamos viver
a nossa vida a dois
amando nosso amor
sem pensar no depois
conosco solidária
a felicidade
forte pra resistir
a qualquer adversidade

nossa união
abençoada então será
sorriso infantil
ornamentando nosso lar
tudo isso posto
verão em nosso rosto
uma paz secular

Ciúme Doentio
Cartola – Nelson Sargento
part.esp.: ZECA PAGODINHO
Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Eduardo Neves (flauta), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Paulino Dias (pandeiro, tammborim), Pretinho da Serrinha (surdo, tamborim, ganzá, tantã), Rui Alvim (clarineta), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

ah meu Deus se eu soubesse quem ela era
juro que jamais faria esta união
bonita mulher mas de gênio, uma fera
depois da briga eu fiquei nesta condição
os ternos melhores que eu tinha estão rasgados
dos nossos moveis ela fez uma fogueira
meu rosto até hoje esta todo arranhado
envergonhado, jamais voltei em Mangueira

todo mundo dizia
que Ana Maria era muito legal
eu me apaixonei e com ela casei
este foi o meu mal
briga permanente, um ciúme doente
nunca vi coisa assim
se eu voltar em Mangueira
sei que a turma inteira vai zombar de mim

Rosa Maria, Flor Mulher
Nelson Sargento – Wagner Tiso
Wagner Tiso (piano, arranjo)
[ ouça ♫ ]

Bálsamo
Nelson Sargento
Arismar (baixo), Cláudio Jorge (violão), Kiko Horta (acordeon), Paulino Dias (xequerê), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

eu me encontrei
quando encontrei você
seu carinho
foi um bálsamo
no meu sofrer
apaguei da memória
o passado triste
renasceu em mim
a vontade de viver

a felicidade
envolveu as nossas vidas
é uma bênção do céu
o nosso amor
agora que eu lhe encontrei
jamais irei lhe perder
eu tenho carinho
eu tenho paz
eu tenho você

Primeiro de Abril
Nelson Sargento
Altair Martins (trompete), Bernardo Bosisio (guitarra), Eduardo Neves (saxofone tenor), Fernando Merlino (piano), Roberto Marques (trombone), Vitor Mota (saxofone), Xande Figueiredo (bateria), Eduardo Neves (arranjo)
[ ouça ♫ ]

foi
numa tarde formosa de abril
me declarei
você então sorriu
com ternura
e afeição
e na mais pura e sã singeleza
pus-me a pensar na grandeza
da gente ter coração

seus lábios entreabertos pediam-me um beijo
quando eu ia aplacar seu desejo
a realidade surgiu
acordei
pois eu estava sonhando
olhei o calendário
ele estava marcando
dia primeiro de abril

Acabou Meu Sossego
Nelson Sargento – Agenor de Oliveira
Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Marcílio Lopes (bandolim), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Paulino Dias (pandeiro), Pretinho da Serrinha (ganzá, caixeta), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

acabou meu sossego
o galego da esquina
todo dia manda me cobrar
e o Zé da birosca
só ouve a tosca
bebendo cachaça de papo pro ar
o garoto na escola
é o rei da cola
sempre passa em primeiro lugar
e debaixo do sol
há tanto besteirol
que é a razão brasileira pode confirmar
minha vizinha
é toda certinha
é um tremendo avião
está sempre na boca
e o marido de touca
não passa de um bobalhão
a nega desconfiada
faz marcação serrada
em cima de mim
estou baratinado, desarticulado
meu Deus é o fim!

a miséria flutua
pro garoto de rua
apesar de haver tanta lei
moço, a coisa tá feia
a mutreta campeia
até onde isso vai eu não sei
no bicheiro da esquina
apostei uma quina
vou torcer pra um dia ganhar
e viver só de renda
iate, fazenda
num padrão de primeira
pra não reclamar
vida apertada
camelô na calçada
isso é muito natural
neste vai mas não vai
até do Paraguai
aqui já tem uma sucursal
não adianta conselho
eu estou no vermelho
desde que nasci
e essa zorra toda
quero que se exploda
mas fico aqui

Parceiro da Ilusão
Nelson Sargento – Agenor de Oliveira
Beloba (tantã, ganzá, tamborim0, Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Eduardo Neves (flauta), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Pretinho da Serrinha (pandeiro, surdo, tamborim), Rui Alvim (clarineta), Agenor de Oliveira, Mariana Bernardes, Pedro Holanda, Pedro Miranda, Valéria Lobão (coro), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

estou cansado de tanta mentira
não dá mais pra segurar
eu posso até sacrificar
a minha lira
porém dos meus versos
eu não vou abdicar
as vicissitudes dessa vida
vão levando tudo de roldão
não sou escravo nem senhor de causas perdidas
nem parceiro da ilusão

só encontro falsidade
vou roendo dia-a-dia
a boca que eu beijava
era a mesma que mentia
tapar com o sol brilhante
com a peneira da traição
é o modo mais constante
de fingir pro coração
em busca da verdade
tropecei na ingratidão
meus versos são meu jeito de beber
na emoção
não há sinceridade
no olhar de um trapaceiro
até na falsidade é melhor ser verdadeiro

Só Eu Sei
Nelson Sargento – Marreta
Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Marcílio Lopes (bandolim), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Paulino Dias (pandeiro, tamborim), Pretinho da Serrinha (agogô, cuíca, caixa, tamborim, ganzá, surdo), Agenor de Oliveira, Mariana Bernardes, Pedro Holanda, Pedro Miranda, Valéria Lobão (coro), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

só eu sei
os martírios que passei
falsa criatura
um grande amor jurou
e depois me abandonou

é triste amar sem ser amado
jurar fingindo é pecado
sofri demais com a separação
mas não guardo rancor no coração

Pobre Milionária
Nelson Sargento
Beloba (ganzá, tantã), Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Roberto Marques (trombone), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

pobre milionária
como sofre nesta vida
sem ter alguém
que lhe chame de querida
rica de dinheiro
de saúde e de bondade
mesmo assim não encontra
a felicidade
não é muito jovem
mas ainda é sedução
quase que me fazes
esquecer a minha obrigação
pobre milionária
se eu pudesse te daria
o meu carinho
e a minha companhia

Falso Amor Sincero
Nelson Sargento
Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Paulino Dias (pandeiro, tamborim), Pretinho da Serrinha (prato e faca, ganzá, cuíca, surdo, tantã, tamborim), Agenor de Oliveira, Mariana Bernardes, Pedro Holanda, Pedro Miranda, Valéria Lobão (coro), Nelson Sargento e Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

o nosso amor é tão bonito
ela finge que me ama
e eu finjo que acredito

o nosso falso amor é tão sincero
isso me faz bem feliz
ela faz tudo que eu quero
eu faço tudo o que ela diz
aqueles que se amam de verdade
invejam a nossa felicidade

Amar sem Ser Amado
Nelson Sargento – Agenor de Oliveira
Altair Martins (trompete), Bernardo Bosisio (guitarra), Eduardo Neves (saxofone tenor), Fernando Merlino (piano), Luiz Louchard (contrabaixo), Pretinho da Serrinha (surdo), Roberto Marques (trombone), Vitor Mota (saxofone), Xande Figueiredo (bateria), Agenor de Oliveira, Mariana Bernardes, Pedro Holanda, Pedro Miranda, Valéria Lobão (coro), Eduardo Neves (arranjo)
[ ouça ♫ ]

amar
sem ser amado é melhor morrer
pois finalmente o que dá prazer
é o amor e muita compreensão
amor
palavra doce que inspira, seduz, também traduz magia
e no entanto maltrata, destrata e também crucia
se o amor
então resolve ferir ou matar um dos corações
o que estava no auge tremente de sua paixão
mas só quem ama é que pode saber quanto vale a dor
de um amor
sem amor

amar
sem ser amado é mais que a solidão
é um sol poente em cada coração
é semear a luz da treva num solo doente, carente de amor
sem ser amado é melhor fingir
que um grande amor ainda está por vir
e amenizar toda a tristeza espalhada no ar
amar
sem ser amado me faz tanto mal
que é preferível dar ponto final
a esse amor imortal

Pranto Ardente
Nelson Sargento – Oscar Bigode
Beloba (tantã, ganzá), Carlinhos 7 Cordas (violão 7 cordas), Cláudio Jorge (violão), Marcílio Lopes (bandolim), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Pretinho da Serrinha (pandeiro, tamborim, prato e faca, surdo, caixa), Agenor de Oliveira, Mariana Bernardes, Pedro Holanda, Pedro Miranda, Valéria Lobão (coro), Paulão 7 Cordas (arranjo)
[ ouça ♫ ]

a minha mocidade já tão longe vai
por isso um pranto ardente dos meus olhos cai
sou um pobre velho apoiado num bastão
vivo sem abrigo, implorando proteção

a vida lentamente se acabando
eu esbanjei na mocidade, estou pagando
jovens, mirem-se nesse espelho
eu também não aceitava conselho

Século do Samba
Nelson Sargento – Josimar Monteiro – Francisco Blanco
part. esp.: VELHA GUARDA DA MANGUEIRA
Alex Almeida (ganzá, agogô, repique de anel, caixa, efeitos), Carlinhos Tchá Tchá Tchá (surdo), Joe Luiz (pandeiro), Josimar Monteiro (violão 7 cordas, violão, arranjo), Márcio Almeida (Hulk) (cavaquinho), Roberto Marques (trombone)
[ ouça ♫ ]

pisando em chão de estrelas
pelo telefone Donga avisou
e foi assim
que a história do samba começou
a nave mãe Praça Onze
fez o seu papel de pioneira
João da Baiana, Pixinguinha e Sinhô
anjos negros da cultura brasileira

a Mangueira lembra neste Carnaval
Tia Ciata, Saturnino e Juvenal
Cartola, Calça Larga e Ismael
Paulo da Portela, Silas e Noel

é o século do samba
embalando toda a geração
no samba de roda
no samba de breque
no samba canção
e também no exaltação
na bossa nova
e na dança pé no chão
e assim
ele atravessou fronteiras
na voz feminina
de Carmem Miranda
a Elis Regina
samba agoniza mas não morre
vai seguindo no pagode
no milênio que virá

roda, roda e pega o rumo
a verde e rosa é cidadã do mundo
roda, roda e pega o rumo
a verde e rosa é cidadã do mundo

Ídolos e Astros
Marinho da Chuva – Nelson Sargento
Arismar (baixo), Carlos Fuchs (piano), Paulão 7 Cordas (violão, arranjos)
[ ouça ♫ ]

tempos idos e vividos
não voltam jamais
ficam unidos e os espíritos
na vida em cartaz
na memória
nas páginas dos livros
na história
para a glória
gravados em discos
se perpetuam no espaço
dando lugar a outros
brilham ídolos e astros

fico contente por tê-los conhecidos
e me entristeço por que
eles já partiram
mas hoje são imortais
e sempre viverão
na memória daqueles que tem
respeito e consideração


FICHA TÉCNICA — PRODUÇÃO E DIREÇÃO MUSICAL: Paulão 7 Cordas / PRODUÇÃO ARTÍSTICA: Agenor de Oliveira / ASSISTENTE DE PRODUÇÃO: Valéria Lobão / GRAVAÇÃO, MIXAGEM E MASTERIZAÇÃO: Carlos Fuchs / TÉCNICOS DE GRAVAÇÃO: Erik Medeiros e Daniel Vasques / FOTO: Léo Vilella

Considerações finais

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