Samba do morro e do asfalto

Disco Samba do morro e do asfalto

“Samba do morro e do asfalto” é um LP lançado em 1961 com produção de Lamartine Babo pela Escola de Samba Império Serrano (côro e ritmistas), aonde em seu repertório, temos 31 sambas tanto de compositores do Império quanto de outras escolas. Bem legal esse disco. Abaixo o texto publicado na contracapa assinado por Lúcio Rangel.


Eis a famosa escola de samba “Império Serrano”, os vitoriosos artistas populares de tantos carnavais, interpretando um punhado dos mais belos, dos mais ritmados sambas, daqueles inesquecíveis, que atravessam os anos, que despertam sempre a nossa emoção e a nossa saudade.

O repertório dêste long-playing, está admirávelmente escolhido. Nêle estão realmente peças de primeira ordem…

Com o côro e os famosos ritmistas da Escola, os grandes sucessos do passado vêm de roupa nova, em tôda a sua simplicidade e beleza. São os sambas do asfalto, os feitos pelos compositores “cá de baixo” e os nascidos no morro, nas batucadas e terreiros suburbanos. Noel Rosa e Ary Barroso, Herivelto Martins e Armando Viera Marçal, Bide e Kid Pepe, lado a lado, com os compositores do “Império Serrano”. E, se podemos agora constatar a beleza sempre presente em composições como “O orvalho vem caindo”, “Helena”, “Praça 11”, “Agora é cinza”, “Bebida, mulher e orgia” e mais outras da mesma categoria , não é surprêsa encontrarmos números da melhor qualidade, como “O Império desce”, “Nem assim”, “Recordação”, “Adeus, amor”, assinados pelos compositores da vitoriosa escola.

O repertório dêste long-playing, está admirávelmente escolhido. Nêle estão realmente peças de primeira ordem, não estivesse à frente dos trabalhos de gravação o notável compositor popular que se chama Lamartine Babo. O autor consagrado de tantos sucessos carnavalescos, o rei da marchinha, o artista carioquíssimo, em tôdas as manifestações de sus inspiração e de sua inteligência é, também, um profundo conhecedor da nossa música, um arquivo vivo de melodias e rítmos. “Lalá”, como é carinhosamente chamado pelos íntimos, é a pessoa indicada para produzir discos como êste que temos em mãos.

Apesar dos instrumentos de sôpro (um pistão e um trompete) estão presentes nestes trinta e um números agora reunidos pela Copacabana Discos. O mais são as vozes mais sinceras e primitivas, tão puras e autênticas dos componentes do côro da Escola de Samba Império Serrano. E mais a batucada infernal, o ritmo sem par que fazem do samba a música sui-generis, dominadora das multidões. E como sabem tirar dos surdos e dos tamborins, dos ganzás e dos afochês, o acento rítmico ideal, como sabem valorizar as melodias a aplicar na hora certa o breque precioso e alucinante!

Realizando tão primorosa gravação, estão de parabéns Lamartine Babo, a quem muito deve a nossa música popular, e a Copacabana Discos, emprêsa que sempre soube prestigiar as autênticas manifestações musicais de nosso povo. E, no prato da eletrola, a muito famosa Escola de Samba Império Serrano.

Lúcio Rangel
contracapa

Samba do morro e do asfalto

Com a Escola de Samba Império Serrano (Copacabana, CLP 11.209, 1961) – DISCO É CULTURA

Disco Samba do morro e do asfalto

Como explicado no texto acima (contracapa) o repertório deste elepê é composto de sambas tanto de compositores do Império Serrano quanto de outras Escolas, divididos assim: No lado 1, 6 faixas de compositores do Império — os sambas “do morro” — : “O Império desce” – samba (Geraldo Barbosa – Amaury de Oliveira – Dom Carlos) [ ouça ♫ ] ; “Nem assim” – samba (Dom Carlos – Fulêro – Hélio Bigode) [ ouça ♫ ] ; “Recordação” – samba (Dom Carlos – W. Freitas – Fulêro) [ ouça ♫ ] ; “Adeus, amor” – batucada (Dom Carlos – Mulequinho) [ ouça ♫ ] ; “Conselho demais” – samba (Dom Carlos – Elane Assumpção – Mulequinho) [ ouça ♫ ] ; “Outro sol em nosso amor” – samba (Jean Pierre – Nélio Augusto) [ ouça ♫ ].

No lado 2 um pot-pourri com 24 sambas de compositores de outras escolas — os sambas “do asfalto” —, assim divididos: [ ouça ♫ ] “Primeiro amor” (Nilton Bastos – Ismael Silva); “Se você jurar” (Ismael Silva – Nilton Bastos – Francisco Alves); “Vou partir” (João de Barro); “Agora é cinza” (Bide – Armando Marçal); “Palpite infeliz” (Noel Rosa); “O orvalho vem caindo” (Noel Rosa – Kid Pepe); “É bom parar” (Rubens Soares); “Bebida… Mulher… Orgia” (Luis Pimentel – Anis Murad – Manoel Rabaça); “Implorar” (Kid Pepe – Germano Augusto); “Abre a janela” (Arlindo Marques – Roberto Roberti); “Cai cai” (Roberto Martins); “Arrasta a sandália” (Osvaldo Vasques – Aurélio Gomes); “Fita amarela” (Noel Rosa); “Até amanhã” (Noel Rosa); “Praça Onze” (Herivelto Martins – Grande Otelo); “Despedida de Mangueira” (B. Lacerda – A. Cabral); “Vae-te embora” (Nonô – Francisco Matoso); “Helena, Helena” (Antônio Almeida – Secundino); “Foi ela” (Ary Barroso); “É com esse que eu vou” (Pedro Caetano); “Promessa (Uma promessa que eu fiz)” (Colô); “Recordar” (Aldacir Louro – Aloísio Marins – Adolfo Macedo); “Maior é Deus” (Felisberto Martins – Fernando Martins); “Vai que depois eu vou” (Adolfo Macedo – Airton Borges – Zé da Zilda – Zilda); “Fechei a porta” (Sebastião Mota – Ferreira dos Santos).

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