Sambas-de-Enrêdo das Escolas de Samba do Grupo 1 (1973)

Sambas-de-Enrêdo das Escolas de Samba Grupo 1 (1973)

A característica principal da gravação dos sambas de enredo de 1973 é o uso de tamborins acoplados às caixas. O som do cavaco também se destaca, se harmonizando muito bem com a bateria. A cuíca e o agogô aparecem em algumas faixas. Em Cima da Hora, Mangueira e Portela cantam os melhores sambas do ano.


Interessante como a qualidade das gravações dos discos de sambas de enredo mudaram da água para o vinho em apenas três anos. Enquanto os primeiros vinis possuíam gravações precárias, sem profissionalismo algum, os LPs dos anos 70 já conseguiam unir a emoção energizada proporcionada pelos sambas a uma boa qualidade de áudio. Os sambas conseguem fluir sutilmente nos ouvidos dos sambistas sem aquele horroroso ar pesado e atravessado existente nos discos de 1968, 1969 e 1970. No vinil de 1973, a bateria tem um entoamento bastante cadenciado, com notável destaque ao cavaco, a cuíca e ao tamborim. Quanto a safra, eu fico um tanto encabulado. Encabulado porque não sinto orgulho nenhum do gênero sambas de enredo ao analisar este disco, já que sua safra de 1973 é extremamente mediana. E quando eu digo mediana é porque exatamente a metade de todas as faixas são de boa qualidade, enquanto a outra metade é terrivelmente ruim. As grandes obras-primas do ano são, sem dúvida, as da Mangueira e da Em Cima da Hora . Logo atrás, vem o samba da Vila Isabel, outro verdadeiro primor da riquíssima história da agremiação do Boulevard. Por fim, tem os hinos da Portela e Jacarezinho, que também me agradam bastante. E acaba por aí. Uma das primeiras safras de sambas de enredo fracas da história!

Gabriel Carin

Aproveitando o comentário, fichas-técnicas e letras dos sambas, transcrevo abaixo também os textos publicados no encarte do LP, textos estes que abordam todas as Escolas. Suas características, data de fundação, cores, títulos etc.

G. R. ESCOLA DE SAMBA PORTELA 73
Em princípio bloco, posteriormente transformou-se em Escola de Samba. Nasceu do “Vai como Pode” imorredoura agremiação. Possui em suas fileiras experientes sambistas e foi responsável por inúmeras inovações, como por exemplo, podemos citar: inseriu no carnaval os sambas de enredo, como também é responsável por ter introduzido nos desfiles a comissão de frente uniformizada etc.
Campeão – 1935, 1939, 1941 a 1947, 1951, 1953, 1957 a 1960, 1962, 1964, 1966 e 1970
Fundação: 11 de abril de 1923
Cores: Azul e Branca

1973 foi o ano da primeira vitória de David Corrêa no concurso de sambas de enredo da Portela. No samba “Pasárgada”, estão presentes logo de cara todas as características marcantes do compositor, um mestre em aliar lirismo com animação (que também gravou no disco e puxou na Avenida). Com uma melodia doce e letra simples, não faltando também as expressões de praxe como “auê, auê”, David começava, a partir do belo samba de 1973, a se consagrar como um dos maiores compositores portelenses , pois sambas de sua autoria também seriam cantados nos desfiles da Águia de 1975, de 1979 a 1982 e em 2002, sem contar as outras obras compostas para outras escolas. Mas “Pasárgada” marcou negativamente devido ao famoso colapso da bateria da Portela durante o desfile, já que sua cadência foi totalmente perdida. Que bicho teria mordido os integrantes da bateria portelense?

Pasárgada (O Amigo do Rei)
David Corrêa
David Corrêa (voz)
[ ouça ♫ ]

na passarela um reino surgia
quanta alegria
desembarquei feliz
tudo era fascinante
nesse mundo pequenino
até relembrei os dias
do meu tempo de menino
nas brincadeiras de roda
rodei pelo mundo afora

nesse reino azul
tem tudo que desejei
auê, auê, auê, eu sei
eu sei que sou o amigo do rei

nas ondas do mar caminhei
no azul do céu eu voei

lá vem ela na Avenida
cinquentenária tão florida
ô Portela! Portela ô!
na vida és a pasárgada mais bela

ao embarcar na ilusão
senti palpitar o meu coração

G. R. ESCOLA DE SAMBA EM CIMA DA HORA 73
É uma agremiação que desfila com garra. Seus componentes possuem experiência de passarela e irão proporcionar um ótimo carnaval empolgando o público através de sua mensagem musical, inspirada pelos compositores, fixando a Escola como expressão legítima do simpático bairro que esta agremiação representa.
Campeão – 1966 no Grupo III, 1968 e 1971 no Grupo II
Fundação: 15 de novembro de 1959
Cores: Azul e Branca

Fantástico! Com uma letra inspirada e uma melodia envolvente, a Em Cima da Hora cantou, em 1973, um dos melhores sambas da história do carnaval. “O Saber Poético da Literatura de Cordel” é um samba valente, de canto fácil e de intenso agrado. Partes como “vamos cantar minha gente/preste atenção no refrão/viva o poeta violeiro lá do sertão” nunca mais ouviremos em um samba de enredo, pois a ordem de pedir para que “prestemos atenção no refrão” hoje é suplantada por “vamos sacudir a Sapucaí, meu amor, hoje eu tô que tô…”. Lamentável! Ney Vianna, intérprete do samba, se saiu tão bem que, no ano seguinte, passaria a defender a Mocidade, iniciando um ciclo que se encerraria com a sua morte em 1989, em plena quadra da verde-e-branco de Padre Miguel.

O Saber Poético da Literatura de Cordel
Eládio G. dos Santos (Baianinho da Em Cima da Hora)
Ney Vianna (voz)
[ ouça ♫ ]

era uma vez
era assim que começava
eu era menino me recordo
as estórias que vovô contava
o pavão misterioso
que Evangelista mandou construir
com seu talento conquistou, ô, ô
a filha do conde, seu amor
quem é que não se lembra?
o conto do boi mandingueiro
quando falava o seu nome
o vaqueiro tremia de medo
quem amansasse o boi
tinha um prêmio em dinheiro
e também casava com a filha do fazendeiro

o Padre Ciço do Juazeiro
homem de bom coração
sempre lembrado
pelo povo cristão
vamos cantar minha gente
presta atenção no refrão
viva o poeta violeiro
lá do sertão

ê boi, ê, ê
ê boiada
é mandingueiro gente
é vaquejada

G. R. ESCOLA DE SAMBA UNIDOS DO JACAREZINHO 73
Nascido da fusão do União do Jacarezinho com Unidos do Jacaré, duas das mais tradicionais Escolas de Samba do morro do Jacarezinho, o maior morro do Rio em número de habitantes, podendo-se dizer uma cidade dentro de outra cidade. Nesta escola encontra-se uma gama de sambista da mais alta qualidade, experimentados e conscientes do papel que representa a Escola no cenário da música popular brasileira.
Campeão – 1967 no Grupo III
Fundação: 16 de junho de 1966
Cores: Rosa e Branca

Um samba das antigas devido ao seu único e envolvente refrão, repetido duas vezes em uma única passada (“vamos meu povo, vamos cantar/quero ver quem é de samba/quero ver quem vai sambar“). A primeira parte não possui nada de original. O melhor momento do samba, sem dúvida, fica por conta de sua segunda parte, de melodia lírica e bem inspirada, cujos versos a qualificam bem: “sinto na alma, meus senhores/aquela linda melodia/lentamente entoada/quando o rancho aparecia/vibrava a platéia em geral/matizando alegria/glorificando nosso Carnaval“. O samba, no disco, foi gravado pela cantora Ivete Garcia, cuja voz lembra muito a de Elza Soares.

Ameno Resedá
Nonô – Sereno – Zé Dedão
Ivete Garcia (voz)
[ ouça ♫ ]

nesta passarela reluzente
contagiando muita gente
ao ver a nossa escola desfilar
Jacarezinho apresenta
um tema fascinante
o Ameno Resedá
é um fato importante
com detalhe interessante
do antigo Carnaval
recordamos na Avenida
que passou em sua vida
alegrando o pessoal

vamos meu povo, vamos cantar
quero ver quem é de samba
quero ver quem vai sambar, oi

sinto na alma meus senhores
aquela linda melodia
lentamente entoada
quando o rancho aparecia
vibrava a platéia em geral
matizando alegria
glorificando nosso Carnaval

vamos meu povo, vamos cantar
quero ver quem é de samba
quero ver quem vai sambar, oi

G. R. ESCOLA DE SAMBA IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE 73
Esta Escola teve uma ascensão vertiginosa, estando no Grupo I, vive atualmente seus dias gloriosos. Conhecida como a Escola da Cultura, foi a primeira na criação e dinamização do Departamento Cultural. No ano passado, favorecendo a sua sorte, teve o seu Samba Enredo como parte integrante da novela — “A BANDEIRA DOIS” — apresentada por uma emissora de TV de grande penetração.
Campeão – 1961 no Grupo III
Fundação: 06 de março de 1959
Cores: Verde, Branca e Ouro

Samba pequeno, de letra simples e melodia de bloco. Mesmo sendo curto, o samba-de-enrêdo da Imperatriz em 1973 possui três refrões, com destaque em termos melódicos para o primeiro (“Zé Pereira, boi-bumbá/o abre-alas que eu quero passar“) e o último, cantado em forma de cantiga (”serra velha/serra serrador/esta velha deu na neta/por ter falado em amor“). Para provar as profundas diferenças entre os sambas do presente e os de outrora, pegue uma letra de um samba de 2005 e compare com a letra deste samba da Imperatriz de mais de trinta anos atrás. Bom lembrar também que as escolas haviam deixado de fazer sambas de letra extensa e didática (marca dos anos 50 e 60) e procuravam, a partir dos 70, compor obras bem mais curtas e de fácil canto .

ABC do Carnaval
Gilson Russo da Silva (Caxambú) – Nelson Lima
Dom Barbosa (voz)
[ ouça ♫ ]

Carnaval
festa tradicional
alegria do povo
euforia geral
Zé Pereira, boi bumbá
o abre ala que eu quero passar

cantarolando na feira
assim dizia
o cantador
seus versos eram tão lindos
cheios de poesia e esplendor

o folclore brasileiro
com a sua história original
deu um belo colorido
ao cenário cultural

serra velha
serra serrador
esta velha deu na neta
por ter falado em amor

G. R. ESCOLA DE SAMBA IMPÉRIO SERRANO 73
O Império Serrano também conhecido como — Pérola da Serrinha — desfila certinho; possui um dos maiores contingentes humano. Responsável pela introdução de diversas inovações como: destaque de luxo, a frigideira e pratos metálicos na bateria, etc.
Campeão – 1948 e 1951, 1955, 1956, 1972
Fundação: 23 de março de 1947
Cores: Verde e Branca

O hino da escola da Serrinha para 1973 possui uma bela melodia em sua primeira parte, principalmente nos versos “venham ver no Império minha gente/um navegante procurando ubapuçu/ansiosamente“. A característica de marcha fica presente na parte do saci-pererê (lererererere, como rema o saci-pererê…), infeliz na minha opinião. Mas o samba deve ter tido uma boa passagem pela Avenida, já que o Império Serrano ficou com o vice-campeonato em 1973. No disco, é cantado por Graciete (que tem uma voz feiiiiiiinha…).

Viagem Encantada, Pindorama à dentro
Malaquias – Wilson Diabo
Graciete (voz)
[ ouça ♫ ]

venha ver no Império, minha gente
um navegante procurando upabuçu
ansiosamente
no pavão misterioso
via a sereia do mar
em pindorama coisas lindas
até o boitatá
Oxóssi, rei da mata
fez Coroaci aparecer
numa jangada
se via o saci-pererê

iererê, rê, rê
como rema o saci-pererê
iererê, rê, rê
só remava o saci-pererê

quando Jaci surgiu
enfeitiçando o rio-mar
Iara me levou
sob o clarão do luar
na lagoa dourada
de belezas sem par
as flores conversavam
tudo era encantado
naquele lugar

foi assim que encontrei
o reino encantado que procurei

G. R. ESCOLA DE SAMBA ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA 73
É uma Escola de Samba que se distingue em virtude da preservação da autenticidade e que no desfile disputa sempre os primeiros lugares. A maioria dos seus componentes residem no mesmo lugar onde se encontra a Escola — Morro da Mangueira. Conhecida internacionalmente, possuí excelentes ritmistas e instrumentistas é lindamente um conjunto harmonioso que empolga e deslumbra. Também introduziu diversas inovações, pois foi a primeira Escola a criar a Ala dos Compositores, como também substituiu a gambiarra pela iluminação elétrica em suas apresentações, etc.
Campeão – 1932 a 1934, 1940, 1949, 1950, 1954, 1960, 1961, 1967 e 1968.
Fundação: 28 de abril de 1928
Cores: Verde e Rosa

Sambaço! De letra curta, mas com uma melodia adorável (de excelentes variações) e envolvente, com canto bem facilitado, a Mangueira canta, em 1973, um de seus melhores e mais famosos sambas: “Lendas do Abaeté”. Sem dúvida o samba-enredo contribuiu para o título conquistado pela verde-e-rosa . A gravação no disco também é maravilhosa: a primeira passada é cantada só ao som do pandeiro e da inspirada cuíca, para depois a mula-manca arrebentar, acompanhada do agogô. Um grande momento do nosso carnaval!

Lendas do Abaeté
Jajá – Manoel – Preto Rico
Genaro da Bahia (voz)
[ ouça ♫ ]

Iaiá mandou ir à Bahia
no Abaeté, para ver sua magia
sua lagoa, sua história sobrenatural
que a Mangueira traz pra esse carnaval

Janaína agô, agoiá
Janaína agô, agoiá
samba curima com a força de Iemanjá

oh! que linda noite de luar
oh! que poesia e sedução
branca areia, água escura
tanta ternura no batuque, na canção
lá no fundo da lagoa
no seu rito, e sua comemoração

foi assim que eu vi
Iara cantar
eu vi alguém mergulhar
para nunca mais voltar

G. R. ESCOLA DE SAMBA UNIDOS DE VILA ISABEL 73
Foi uma Escola que subiu para ficar no Grupo I. Seus componentes trazem no sangue a marca que fixa os sambistas da Vila, reduto de bambas, que o poeta Noel Rosa já disse: “Quem nasce lá na Vila, nem sequer vacila ao abraçar o samba”. Vem, como sempre, disposta a furar o bloqueio das 4 grandes.
Campeão – 1960, Grupo III
Fundação: 4 de abril de 1946
Cores: Azul e Branca

O último samba-enredo do lendário compositor Paulo Brasão possui uma boa letra e razoável melodia, sem muitas variações. No disco, o samba ganha um balanço irresistível da bateria a partir do último refrão “dindinha lua…“.

Zodíaco no Samba
Irany S. Silva – Paulo Brasão
Antônio A. Adão (Antonio Grande) (voz)
[ ouça ♫ ]

abriu-se a cortina do universo
pra Vila cantar em verso
uma história astral
com astrologia criada
na primeira madrugada
a sorte foi lançada
daí pra frente não há futuro nem presente
que o destino esteja ausente
nada se fez, nada se faz
os astros não mentem jamais

dim dim dim, dim dim dim
o destino é assim

se cada signo tem sua missão
seja virgem, libra ou leão
por que a sorte procurar
se ela em suas mãos virá
hoje tudo é sonho, fantasia
esplendor e folia
nesta era em que aquarius nos traz
felicidade, amor e paz
cheguei a ver na bola de cristal
que os astros vêm brincar o Carnaval

dindinha lua, dindinha lua
desça do céu e vem sambar na rua

G. R. ESCOLA DE SAMBA MOCIDADE INDEPENDENTE DE PADRE MIGUEL 73
Esta Escola de Samba possui um agrupamento de sambistas de primeira linha, mas o que a tornou famosa foi a sua bateria, por esta razão, o povo se amarra no ritmo gostoso e alucinante da mais conhecida e badalada bateria de Escola de Samba.
Campeão – 1958, no Grupo II
Fundação: 2 de março de 1952
Cores: Verde e Branca

Samba inspirado da verde-e-branco de Padre Miguel, numa época em que era uma escola que só fazia número. O único refrão “olelê, olalá/me solta, me deixa que eu quero sambar…“, repetido duas vezes por passada, é envolvente e a melodia das demais partes (a introdução com “é Carnaval, canta ioiô, canta iaiá“, mais o trecho restante) é de intenso agrado. Destaque para o cavaco, cujos acordes se mantêm sempre agudos.

Rio-Zé Pereira
Eduardo Ferreira (Edu) – Sebastião Nascimento (Tião “da Roça”)
Tião “da Roça” (voz)
[ ouça ♫ ]

é Carnaval…
canta ioiô canta iaiá
é o Zé Pereira
chegando lá da beira
para anunciar

olelê, olalá
me solta, me deixa
que eu quero sambar
olelê, olalá
eu quero cantar, batucar e pular

era contagiaste
o Rio no Carnaval
o entrudo com suas fantasias
e o Zé Pereira com seu bumbo original
e num delírio multicor
de confete e serpentina
desfilavam pierrôs
a madame pompadour
Luiz XV e colombinas
que maravilha
que maravilha, que esplendor
hoje a Mocidade independente
convida toda gente
a cantar em seu louvor

olelê olalá
me solta, me deixa
que eu quero sambar
olelê, olalá
eu quero cantar, batucar e pular

G. R. ESCOLA DE SAMBA TUPY DE BRAZ DE PINA 73
Em principio, era um bloco carnavalesco, tornando-se campeoníssimo em carnavais realizados nos subúrbios da Leopoldina, porém a partir de 1957, veio esta Escola de Samba participar oficialmente no carnaval carioca.
Desfila descontraída embora tradicionalmente. Fixou-se graças a beleza de seus Sambas-de-Enrêdo que é uma constante dos Carnavais do Rio.
Campeão – 1972 no Grupo II
Fundação: 20 de janeiro de 1951
Cores: Azul e Branca

O mais fraco samba do disco! Cantado de maneira acelerada com versos longos, a harmonia da Tupy deve ter sido prejudicada durante o desfile. A melodia não é das melhores e a letra ainda conta com um verso característico dos sambas-de-enrêdo contemporâneos: “nesta onda que eu vou no Carnaval“.

Assim Dança o Brasil
Sérgio Ignácio
Mazola (voz)
[ ouça ♫ ]

é Tupy de Brás de Pina
no desfile principal
vejam no homem de cor
o samba tradicional
quanta beleza,
quanta magia,
no ritmo que contagia

dos indígenas, a dança
feita de lança na mão
dedicando a Tupã
uma suprema louvação

vejam que tudo
aquilo de outrora
já transformou-se
agora em riquezas
da nossa nação
e na Bahia tem capoeira
que chega levantar poeira
a moçada jogando no chão

que dança maravilhosa
chamada maracatu
que vem lá de Pernambuco,
de Caruaru

hoje cantamos o samba
do tema das danças
que o povo criou
tem frevos e boi-bumbá
que vem do Ceará
nesta onda
que eu vou no Carnaval

G. R. ESCOLA DE SAMBA ACADÊMICOS DO SALGUEIRO 73
A Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro desfila leve, descontraída, empolgando pela movimentação e beleza plástico-visual. O seu Carnaval é aberto, foge do tradicional, é inimitável. Os salgueirenses assim definem a sua Escola — não é melhor nem pior, apenas diferente .
Campeão — 1960, 1963, 1965, 1969 e 1971.
Fundação: 5 de abril de 1953
Cores: Vermelho e Branca

A letra do samba salgueirense lembra muito as dos anos 60 da escola, onde o cunho didático era a principal característica. Porém, a melodia do hino do Salgueiro de 1973 não apresenta variações melódicas de qualidade. Seu único refrão, escondido no fim do samba (“ê açaí, ê tacacá…“), para mim é a melhor parte do samba. Detalhe que o primeiro verso “o povo sambando” é parecido melodicamente com o “delira meu povo“, que inicia o samba da Mocidade de 1974.

Eneida, Amor e Fantasia
Geraldo Babão
Waldir F. de Oliveira (Marrom)
[ ouça ♫ ]

o povo sambando,
cantando a melodia,
Salgueiro traz o tema
Eneida, amor e fantasia
a mulher que veio do Norte
para o Rio de Janeiro
com idéia genial,
em busca da glória
na literatura nacional
expoente jornalista,
suas crônicas são imortais,
foi amiga dos sambistas,
fatos que não esquecemos jamais (coração).

coração puro e nobre, foi benquista
entre ricos e pobres,
é famoso o seu baile do pierrô,
onde a colombina procura o seu amor
a escritora de lirismo invulgar
enriqueceu o folclore nacional,
hoje o mundo conhece
através da história do Carnaval

ê açaí,
ê tacacá,
coisa gostosa vem lá do Pará


Sambas-de-Enrêdo das Escolas de Samba do Grupo 1

1973, AESEG/Top Tape (85.013)
Ouça no spotify ou itunes
DISCO É CULTURA

Considerações finais

Espero que você tenha gostado desse post com o álbum dos sambas-de-enrêdo para o Carnaval de 1973.

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